{"id":3112,"date":"2025-05-06T14:42:49","date_gmt":"2025-05-06T17:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=3112"},"modified":"2025-05-06T14:42:49","modified_gmt":"2025-05-06T17:42:49","slug":"olhando-para-o-passado-que-se-constroi-um-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/olhando-para-o-passado-que-se-constroi-um-futuro\/","title":{"rendered":"Olhando para o passado que se constr\u00f3i um futuro"},"content":{"rendered":"<h2>Museu da Imigra\u00e7\u00e3o re\u00fane mem\u00f3ria e ancestralidade e resgata a hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo, trazendo um olhar para os dias atuais<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre malas de couro desgastadas, fotografias amareladas e hist\u00f3rias que cruzaram oceanos, a heran\u00e7a imigrante se faz presente na cidade de S\u00e3o Paulo por meio do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o do bairro da Mooca. O local preserva as mem\u00f3rias de milh\u00f5es de pessoas que, em diferentes \u00e9pocas, buscaram aqui novas possibilidades de vida. Em um momento em que o Brasil continua sendo ref\u00fagio e esperan\u00e7a para tantos, o espa\u00e7o hist\u00f3rico que j\u00e1 foi a antiga Hospedaria de Imigrantes do Br\u00e1s se torna ainda mais atual e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>[video_player file=&#8221;https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_4088-1.mov&#8221;]<\/p>\n<p><em>Fachada do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes foi uma das principais portas de entrada para aqueles que abandonaram suas terras natais, enfrentando incertezas em busca de trabalho e de um futuro melhor. Durante seus 91 anos de funcionamento, acolheu cerca de 2,5 milh\u00f5es de pessoas de mais de 70 nacionalidades \u2014 italianos, japoneses, portugueses, espanh\u00f3is, s\u00edrios, libaneses, e tantos outros que ajudaram a moldar o Brasil que conhecemos hoje.<\/p>\n<p>Em 1991, o pr\u00e9dio foi tombado pelo Conpresp, \u00f3rg\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o municipal. Pouco depois, em 1993, foi criado o Museu da Imigra\u00e7\u00e3o e em 1998, passou a se chamar Memorial do Imigrante, at\u00e9 ser novamente renomeado como Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, em 2011. A antiga hospedaria hoje abriga documentos, objetos, depoimentos e exposi\u00e7\u00f5es que contam essas trajet\u00f3rias de coragem e resili\u00eancia. Mais do que preservar rel\u00edquias do passado, o Museu da Imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o vivo, que dialoga com a atualidade e continua revelando a for\u00e7a dos movimentos migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Prova disso \u00e9 que, s\u00f3 entre janeiro e novembro de 2024, o Brasil registrou a chegada de cerca de 180.507 migrantes, segundo dados obtidos no Boletim da Migra\u00e7\u00e3o divulgado pela Secretaria Nacional de Justi\u00e7a (Senajus). Al\u00e9m disso, 62.388 solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio no mesmo per\u00edodo. Nesses 11 meses do \u00faltimo ano, foram reconhecidas 13.340 pessoas como refugiadas pelo Comit\u00ea nacional para Refugiados (Conare) \u2014 n\u00fameros que refor\u00e7am o papel acolhedor que o Brasil desempenha no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Falar de migra\u00e7\u00e3o \u00e9 falar de ancestralidade e mem\u00f3ria. A sala conhecida como M\u00f3dulo 4, que \u00e9 onde ficam as beliches, \u00e9 descrita por Gabriela dos Santos, 28 anos, supervisora do setor educativo, como uma parte do Museu que re\u00fane objetos pessoais das pessoas que passaram pela hospedaria e daqueles que trabalharam nela. \u201cGeralmente o grande momento em que as pessoas ficavam muito emocionadas\u201d, comenta. E apesar do museu trazer \u00e0 tona v\u00e1rias mem\u00f3rias positivas, que s\u00e3o lembradas com carinho pelos visitantes, muitas vezes o processo migrat\u00f3rio tamb\u00e9m remete \u00e0 mem\u00f3rias e experi\u00eancias traum\u00e1ticas. \u201cEnt\u00e3o parte do nosso trabalho era mediar quem se emocionava, por felicidade, mas parte tamb\u00e9m desse p\u00fablico que n\u00e3o se sentia muito \u00e0 vontade com esse espa\u00e7o, ent\u00e3o acolher, levar para um outro, tentar tornar aquela experi\u00eancia um pouco mais leve.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_3186\" aria-describedby=\"caption-attachment-3186\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3186 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-scaled.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5199-1536x2048.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3186\" class=\"wp-caption-text\"><em>Objetos em exposi\u00e7\u00e3o na sala conhecida como M\u00f3dulo 4<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_3189\" aria-describedby=\"caption-attachment-3189\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3189 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-scaled.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5203-1-1536x2048.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3189\" class=\"wp-caption-text\"><em>R\u00e9plica das beliches usadas na antiga Hospedaria<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_3190\" aria-describedby=\"caption-attachment-3190\" style=\"width: 387px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3190 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-scaled.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/IMG_5207-1536x2048.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3190\" class=\"wp-caption-text\"><em>Gavetas interativas com documentos de imigrantes que j\u00e1 passaram pela Hospedaria<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para al\u00e9m de um espa\u00e7o de resili\u00eancia e mem\u00f3ria, o Museu da Imigra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m representa um espa\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o. No entanto, traz\u00ea-la nem sempre \u00e9 algo f\u00e1cil, como comenta Raquel Freitas, 38 anos, tamb\u00e9m supervisora do setor educativo do Museu. Ela comenta sobre como o Museu costumava abordar processos migrat\u00f3rios espec\u00edficos e, com o passar do tempo, o Museu foi se dando conta de que trazer o processo migrat\u00f3rio de algumas nacionalidades talvez n\u00e3o fosse o suficiente para descrever ele como um todo. \u201cEnt\u00e3o a proposta, a partir de 2014, quando a gente retoma as atividades do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais como Memorial, \u00e9 pensar na perspectiva migrat\u00f3ria um pouco mais expandida, ao inv\u00e9s de trabalhar com nacionalidades espec\u00edficas\u201d, explica.<\/p>\n<p>E apesar do processo migrat\u00f3rio estar ligado com a ancestralidade, o Museu tamb\u00e9m t\u00eam o desafio de manter aberto o di\u00e1logo sobre esse processo, que foi muito importante para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade que temos hoje no Brasil, mas que tamb\u00e9m ocorre at\u00e9 os dias atuais. \u201cA gente est\u00e1 falando de um museu que fala de um fen\u00f4meno humano, ent\u00e3o, enquanto existirem pessoas, vai haver migra\u00e7\u00e3o \u2013 e se manter atualizado sobre esse assunto, falar dele de uma forma respeitosa, entendendo que a gente mexe com mem\u00f3ria familiar tamb\u00e9m das pessoas\u201d, comenta Gabriela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Museu da Imigra\u00e7\u00e3o re\u00fane mem\u00f3ria e ancestralidade e resgata a hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo, trazendo um olhar para os dias atuais &nbsp; Entre malas de couro desgastadas, fotografias amareladas e hist\u00f3rias que cruzaram oceanos, a heran\u00e7a imigrante se faz presente na cidade de S\u00e3o Paulo por meio do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o do bairro<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":3200,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[149,18,19,276],"tags":[],"ppma_author":[216],"class_list":["post-3112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-centenario","category-cultura","category-historia","category-turismo"],"authors":[{"term_id":216,"user_id":22,"is_guest":0,"slug":"julia-r-m","display_name":"Julia Ribeiro","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/bd16e6a536ed4ef3e782f981695a20ba39861a8ef4ff4bbd9596f61abe0521c4?s=96&d=mm&r=g","0":null,"1":"","2":"","3":"","4":"","5":"","6":"","7":"","8":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3112"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3199,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3112\/revisions\/3199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3112"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=3112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}