{"id":3481,"date":"2025-05-30T21:18:27","date_gmt":"2025-05-31T00:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=3481"},"modified":"2025-06-02T20:23:06","modified_gmt":"2025-06-02T23:23:06","slug":"a-formacao-da-identidade-negra-pelas-marcas-do-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/a-formacao-da-identidade-negra-pelas-marcas-do-racismo\/","title":{"rendered":"A forma\u00e7\u00e3o da identidade negra pelas marcas do racismo"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Agress\u00f5es vivenciadas na escola impactam e privam a constru\u00e7\u00e3o da autoestima de jovens negros<\/span><\/i><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No fim do m\u00eas de abril, uma aluna bolsista de 15 anos foi internada ap\u00f3s ser encontrada desacordada em um banheiro de um col\u00e9gio da rede privada, na regi\u00e3o nobre da cidade de S\u00e3o Paulo. A aluna vinha sofrendo ataques racistas e homof\u00f3bicos desde o ano passado. A coordena\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio j\u00e1 havia sido comunicada da viol\u00eancia sofrida ainda em 2024, segundo a m\u00e3e da adolescente.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3492\" aria-describedby=\"caption-attachment-3492\" style=\"width: 552px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3492\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-300x225.jpeg\" alt=\"Ato de desagravo realizado na Universidade Mackenzie, em S\u00e3o Paulo.\" width=\"552\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-2048x1536.jpeg 2048w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-640x480.jpeg 640w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.49-1000x750.jpeg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3492\" class=\"wp-caption-text\">Ato de Desagravo na Universidade Mackenzie<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Casos de racismo como o da estudante desse col\u00e9gio n\u00e3o s\u00e3o isolados. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Refer\u00eancia Negra Peregum (Ipec) e pelo Projeto SETA, 64% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos revelam que a escola \u00e9 o local onde mais sofrem racismo. A viol\u00eancia verbal apareceu como a forma mais comum de manifesta\u00e7\u00e3o do racismo, com 66% dos entrevistados relatando experi\u00eancias de xingamentos e ofensas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em resposta ao epis\u00f3dio de racismo sofrido pela estudante do col\u00e9gio, membros do<strong> Coletivo Prounistas,<\/strong> formado por estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsistas pelo programa PROUNI, junto com alunos integrantes do <strong>Coletivo Sarav\u00e1<\/strong>, movimento negro estudantil da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC), organizaram no \u00faltimo dia 15 um ato de desagravo no campus do Mackenzie, em Higien\u00f3polis. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por meio de uma roda de conversa, os universit\u00e1rios tiveram espa\u00e7o aberto para produzir cartazes e compartilhar relatos sobre suas experi\u00eancias como estudantes negros na universidade, al\u00e9m de discutirem sobre propostas de mobiliza\u00e7\u00e3o e levantamento de demandas para serem levadas \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o. Pautas como a aus\u00eancia de professores negros e micro agress\u00f5es morais de outros colegas foram levantadas.<\/span><\/p>\n<h3><b>Conscientiza\u00e7\u00e3o dentro das universidades<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O coletivo Sarav\u00e1, formado por alunos da PUC S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es estudantis que luta para terem os direitos dos estudantes<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">negros e bolsistas assegurados pela institui\u00e7\u00e3o, defendendo a prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a dos alunos contra o racismo, al\u00e9m de protestar por melhorias nas medidas de perman\u00eancia estudantil para alunos bolsistas da universidade, como o \u201cbandej\u00e3o\u201d \u2014 refei\u00e7\u00e3o oferecida pelo restaurante universit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As alunas Laura Costa, 23, e Ica Nishimoto, 21, encontraram acolhimento no coletivo quando ingressaram na universidade e hoje participam ativamente das a\u00e7\u00f5es do movimento. Ica, estudante de Ci\u00eancias Sociais, conta: \u201ceu acho que o coletivo preto aqui se une muito nessa escassez, nessa falta que a gente sente de representatividade, de acolhimento m\u00ednimo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO Sarav\u00e1 vem com o intuito de aquilombar, de encontrar conforto entre os seus\u201d, relata Laura, estudante de Psicologia. \u201cQuando me juntei ao coletivo foi esse o momento em que eu consegui me sentir minimamente apoiada, sabe? Foi onde eu encontrei essa rede de apoio.\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><b>O impacto na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ica e Laura, que j\u00e1 foram v\u00edtimas de racismo ainda na escola, compartilham como essas experi\u00eancias afetaram, sobretudo, a forma\u00e7\u00e3o da autoestima delas ainda na inf\u00e2ncia. Laura, quando estudava como bolsista em um col\u00e9gio particular, conta que j\u00e1 escutava coment\u00e1rios racistas sobre si. \u201cNa \u00e9poca minha m\u00e3e fazia tran\u00e7as no meu cabelo e colocava l\u00e3 junto. Ent\u00e3o eu usava tran\u00e7as com v\u00e1rias cores diferentes: rosa, amarelo, azul, verde. Eu ia com o cabelo todo colorido para a escola e as pessoas come\u00e7aram a comentar sobre isso. E eu usava maquiagem na \u00e9poca tamb\u00e9m, porque a forma como eu gostava de me expressar era passando maquiagem. Eu ia com o olho colorido \u00e0s 7 horas da manh\u00e3 para a escola, mas come\u00e7aram a repudiar a maneira como me portava ali dentro, porque era uma escola cat\u00f3lica, e eu estava muito fora do padr\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o aos outros alunos que estavam ali\u201d, conta. \u201cEu era muito colorida e chamava muita aten\u00e7\u00e3o, e precisava ir de uma maneira cada vez mais neutra para esse espa\u00e7o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Laura conta que esses epis\u00f3dios desenvolveram um bloqueio nela. \u201cEu n\u00e3o entendia aquilo como racismo enquanto era estudante, ent\u00e3o<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3499\" aria-describedby=\"caption-attachment-3499\" style=\"width: 397px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3499\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-225x300.jpeg\" alt=\"Laura e Ica, estudantes universit\u00e1rias e integrantes do Coletivo Sarav\u00e1.\" width=\"397\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-21.14.31-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3499\" class=\"wp-caption-text\">Ica e Laura relatam experi\u00eancias da inf\u00e2ncia e da juventude.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">machucava, mas eu n\u00e3o entendia como atitudes racistas\u201d, diz. \u201cEu s\u00f3 voltei a fazer tran\u00e7a muitos anos depois. Ent\u00e3o foi algo que, de fato, por um per\u00edodo de mais de 5 anos, eu fiquei evitando fazer porque chamava muita aten\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A professora Erika Brasil Figueiredo, membro do Coletivo Leste Negra e mestre no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Ensino e Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico raciais da Universidade Federal do Sul da Bahia, comenta sobre os impactos do autoestima: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cos danos s\u00e3o devastadores. Crian\u00e7as negras j\u00e1 est\u00e3o muitos passos atr\u00e1s das crian\u00e7as brancas. Muitas pesquisas mostram isso na quest\u00e3o da autoestima. Isso influencia demais no aprendizado, desenvolvimento, capacidade de acreditar em si\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O relat\u00f3rio do Banco Mundial \u201cInclus\u00e3o Afrodescendente na Educa\u00e7\u00e3o: Uma Agenda Antirracista para a Am\u00e9rica Latina\u201d, publicado em 2023, revela que, das aproximadamente 34 milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens afrodescendentes em idade escolar na Am\u00e9rica Latina, 7 milh\u00f5es abandonar\u00e3o os estudos antes de completar o ensino fundamental. Alguns dos fatores contribuintes apontados pelo estudo s\u00e3o: discrimina\u00e7\u00e3o sist\u00eamica dentro das institui\u00e7\u00f5es educacionais; a percep\u00e7\u00e3o de que estudantes afrodescendentes t\u00eam menor capacidade de aprendizado, levando \u00e0 desmotiva\u00e7\u00e3o e ao abandono escolar; e a aus\u00eancia de figuras afrodescendentes nos livros escolares, impedindo que crian\u00e7as e adolescentes se identifiquem com os conte\u00fados ensinados em sala de aula.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ica acredita que isso tamb\u00e9m influencia na rela\u00e7\u00e3o com o ingresso na universidade: \u201cacho que ainda estamos muito atrasados em como a gente consegue repensar o ambiente acad\u00eamico para que seja minimamente acess\u00edvel, onde a pessoa entra na faculdade ou na escola e consegue ficar at\u00e9 o final, sem evadir a faculdade ou a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre a forma\u00e7\u00e3o para professores dentro da quest\u00e3o \u00e9tnico-racial, a professora Erika afirma que ainda \u00e9 rasa. \u201cMesmo com pol\u00edticas p\u00fablicas, existe um n\u00e3o-aprofundamento. Somos uma sociedade eurocentrada, com uma l\u00f3gica de pensamento muito linear. A educa\u00e7\u00e3o antirracista traz uma l\u00f3gica circular, como \u00e9 comum nas culturas de matriz africana e dos povos origin\u00e1rios. E quando voc\u00ea tenta colocar um c\u00edrculo dentro de um quadrado, sempre v\u00e3o existir arestas. Isso n\u00e3o ajuda na engrenagem de uma educa\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e a ser inspiradora, como a freireana, que se centra no estudante, nas necessidades dele.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Especificamente sobre o caso da estudante encontrada desmaiada no banheiro do col\u00e9gio, Erika entende que a atua\u00e7\u00e3o do professor deve aparecer antes de uma situa\u00e7\u00e3o emergencial. \u201cLevar essa v\u00edtima a todas as poss\u00edveis institui\u00e7\u00f5es que possam acolh\u00ea-la. \u00c9 uma quest\u00e3o de emerg\u00eancia e tamb\u00e9m de sa\u00fade. Perpassa por uma quest\u00e3o jur\u00eddica tamb\u00e9m, porque racismo \u00e9 crime. Tem que haver apoio psicol\u00f3gico, apoio jur\u00eddico, levar a quest\u00e3o \u00e0s entidades policiais. E fazer um trabalho de base na escola como um todo\u201d. A professora complementa: \u201ca forma\u00e7\u00e3o de professores, de estudantes, de funcion\u00e1rios, desde quem atende na matr\u00edcula at\u00e9 quem trabalha na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o. Todas as pessoas que v\u00e3o ter contato com essa viol\u00eancia precisam estar dentro dessa discuss\u00e3o. \u00c9 um passo gigantesco\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3494\" aria-describedby=\"caption-attachment-3494\" style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3494 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.50-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3494\" class=\"wp-caption-text\">Cartazes produzidos durante Ato de Desagravo na Universidade Mackenzie.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Laura ainda lembra de como o racismo sofrido durante a adolesc\u00eancia impactou tamb\u00e9m no seu desenvolvimento pessoal, no per\u00edodo de descoberta da sua sexualidade. \u201cQuando chega a parte da adolesc\u00eancia e o momento que voc\u00ea come\u00e7a a descobrir a sua pr\u00f3pria sexualidade, ser uma pessoa negra \u00e9 muito dif\u00edcil, porque estando nesse espa\u00e7o branco eu nunca era a pessoa escolhida para ficar, eu nunca era a pessoa qualificada como uma das mais bonitas da sala, nem as mais bonitas da escola, ent\u00e3o eu acho que ao longo do tempo eu fui tendo uma autoestima muito baixa\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu questionava muito sobre a minha apar\u00eancia, sobre ser uma pessoa atraente ou n\u00e3o. At\u00e9 questionando a minha pr\u00f3pria sexualidade, porque eu n\u00e3o conseguia nem vivenci\u00e1-la. Ent\u00e3o, eu acabei demorando muito tempo para me descobrir quanto uma mulher l\u00e9sbica por conta disso. Afetou muito a minha autoestima por muitos anos.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ica conta que sempre cuidou muito da apar\u00eancia, tamb\u00e9m como forma de prote\u00e7\u00e3o da sua autoestima. \u201cAcho que j\u00e1 cheguei na escola sabendo que eu era muito \u00fanica no ambiente onde eu estava. Sempre gostei muito de moda, ent\u00e3o fui muito colocada num lugar de estar sempre muito bem arrumada, por ser preta principalmente\u201d, conta. \u201cPassava horas antes de sair de casa tendo certeza do porqu\u00ea eu estou saindo de casa, se o meu look faz sentido, se quando eu estou indo na banca tem chance da pol\u00edcia me parar e questionar se estou vendendo maconha, porque j\u00e1 aconteceu. E a\u00ed isso criou uma consci\u00eancia da performance t\u00e3o grande, uma consci\u00eancia de o que \u00e9 estar na sociedade sendo uma pessoa preta\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A estudante ainda completa relatando o peso que estudantes negros sentem dentro do ambiente acad\u00eamico. \u201cTem um sentimento de compensa\u00e7\u00e3o muito grande de pessoas pretas dentro desses ambientes educacionais, onde voc\u00ea precisa performar, saber mais do que voc\u00ea j\u00e1 sabe\u201d, relata. \u201cVoc\u00ea j\u00e1 \u00e9 bolsista, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 preto, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 perif\u00e9rico, no meu caso, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 trans, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9, entendeu? Se voc\u00ea ainda erra alguma coisa na frente de um monte de gente branca, o peso \u00e9 outro. Ent\u00e3o acho que a gente tem um lugar muito dif\u00edcil de sustentar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>O racismo calando alunos dentro da sala de aula<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando questionadas se passaram por alguma mudan\u00e7a na forma de se verem ou se expressarem, por conta do racismo, respondem o \u00f3bvio.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3488\" aria-describedby=\"caption-attachment-3488\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3488\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.45-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3488\" class=\"wp-caption-text\">Manifesta\u00e7\u00e3o na PUC-SP, organizada pelo Coletivo Sarav\u00e1.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cConstantemente\u201d, afirmou Laura. \u201cRecentemente, inclusive, eu fiquei me questionando sobre uma discuss\u00e3o que aconteceu na sala de aula, onde levamos a cr\u00edtica de um texto para uma professora, que pediu para que fiz\u00e9ssemos uma leitura cr\u00edtica, s\u00f3 que quando a gente criticou ela n\u00e3o gostou. E eu, obviamente, me expressei. Expressei a minha dor. Expressei o quanto eu estava sendo atravessada por aquele texto e pelo fato de aquele texto n\u00e3o estar considerando corpos negros e viv\u00eancias negras. E quando eu coloquei isso em pauta, obviamente eu estava movida. Ent\u00e3o eu falei com o meu cora\u00e7\u00e3o, sabe?\u201d, relatou a estudante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu falo gesticulando, \u00e9 o meu jeito de me expressar. E a\u00ed, em um dado momento, a professora falou \u2018calma, n\u00e3o precisa se exaltar\u2019, mas eu n\u00e3o estava nervosa. E eu fiquei realmente questionando se eu tinha sido agressiva ou se eu ataquei ela em algum momento, se eu tinha sido desrespeitosa. Eu acho que constantemente eu passo por situa\u00e7\u00f5es que questiono se o meu jeito de ser est\u00e1 sendo adequado ou n\u00e3o para aquela situa\u00e7\u00e3o, principalmente pensando no espa\u00e7o dentro da sala de aula\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA academia \u00e9 geograficamente branca e elitista. Ent\u00e3o, voc\u00ea ser uma pessoa preta, ser uma pessoa ind\u00edgena, ser uma pessoa trans dentro desse espa\u00e7o j\u00e1 \u00e9 desafiar essa estrutura. Estar aqui j\u00e1 \u00e9 ir contra. \u00c9 um trabalho constante voc\u00ea entender que esse \u00e9 o seu jeito de ser e estar no mundo. E que n\u00e3o tem nada errado com isso. E que eu n\u00e3o preciso ficar atendendo essas expectativas brancas que eu deveria ter de civiliza\u00e7\u00e3o, de dociliza\u00e7\u00e3o do corpo negro.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre o comportamento adotado por pessoas negras por consequ\u00eancia do racismo estrutural, um levantamento do Instituto Locomotiva de novembro de 2024 constatou que, das 1.185 pessoas negras entrevistadas com mais de 18 anos, 39% evitam correr para pegar transporte coletivo com medo de serem abordadas, 36% deixaram de pedir informa\u00e7\u00f5es \u00e0 pol\u00edcia nas ruas por receio de serem mal interpretadas e 46% evitam entrar em lojas de marca para n\u00e3o enfrentarem olhares preconceituosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuando voc\u00ea \u00e9 uma pessoa preta, voc\u00ea se dociliza de in\u00fameras formas, ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 constantemente performando. Isso tamb\u00e9m acontece com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o pretas, mas sendo uma pessoa preta tem uma press\u00e3o muito maior da pr\u00f3pria sociedade, pois voc\u00ea \u00e9 lido o tempo inteiro. A forma que voc\u00ea fala, a forma que as pessoas te veem, a forma como tudo acontece parte do outro geralmente\u201d, argumenta Ica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 necess\u00e1rio um resgate de pensar \u2018n\u00e3o, quem vai dizer a minha narrativa sou eu. Esse \u00e9 o meu corpo, \u00e9 a minha transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, essa \u00e9 a minha viv\u00eancia enquanto um corpo trans, essa \u00e9 a minha viv\u00eancia enquanto um corpo preto, e n\u00e3o \u00e9 voc\u00eas que v\u00e3o decidir o que eu sou\u2019. Ser uma travesti tamb\u00e9m te coloca em condi\u00e7\u00f5es ruins na sociedade, ent\u00e3o quais s\u00e3o as possibilidades de emprego, quais s\u00e3o as coisas poss\u00edveis para esses corpos que geralmente s\u00e3o pretos tamb\u00e9m. E a partir disso eu acho que \u00e9 um resgate, eu que estou operando.\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAt\u00e9 existem pol\u00edticas p\u00fablicas, como aqui em S\u00e3o Paulo, voltadas para a forma\u00e7\u00e3o de professores, mas a aplica\u00e7\u00e3o delas exige muito esfor\u00e7o, porque enfrentam o racismo estrutural, que \u00e9 impl\u00edcito e velado. A gente v\u00ea discuss\u00e3o, v\u00ea literatura, mas n\u00e3o chega \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como um todo\u201d, afirma a professora Erika Figueiredo. \u201cTemos as leis 10.639 e 11.645, que obrigam o ensino das culturas afro-brasileira e ind\u00edgena, modificando a LDB, mas essa obrigatoriedade vai at\u00e9 o ensino m\u00e9dio. Na forma\u00e7\u00e3o superior, como na pedagogia, n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio abordar i<\/span><span style=\"font-weight: 400\">sso\u201d, comenta, referindo-se \u00e0 Lei<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Precisamos de movimento dentro das universidades para mudar. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Pensar matem\u00e1tica, geografia, hist\u00f3ria de forma \u00e9tnico-racial, centrada em Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, povos origin\u00e1rios. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Mas isso ainda n\u00e3o \u00e9 pensado, a gente continua reproduzindo uma educa\u00e7\u00e3o linear. A forma\u00e7\u00e3o existe, mas \u00e9 superficial e esse \u00e9 o grande n\u00f3 que enfrentamos hoje\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3498\" aria-describedby=\"caption-attachment-3498\" style=\"width: 875px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3498\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"656\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-2048x1536.jpeg 2048w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-640x480.jpeg 640w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-30-at-20.59.52-1000x750.jpeg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 875px) 100vw, 875px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3498\" class=\"wp-caption-text\">Foto de cartaz pendurado na PUC-SP.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde ter\u00e7a-feira, 20, os estudantes do coletivo, juntamente com outros centros acad\u00eamicos da PUC-SP, realizam uma paralisa\u00e7\u00e3o para denunciar casos de discrimina\u00e7\u00e3o racial na institui\u00e7\u00e3o, reivindicar a amplia\u00e7\u00e3o de bolsas estudantis, determinar a cria\u00e7\u00e3o de um canal de den\u00fancia em casos de racismo, cotas para pessoas trans, entre outras medidas.<\/span><\/p>\n<h3><b>A educa\u00e7\u00e3o antirracista: observar para atuar<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Erika Figueiredo, com base tamb\u00e9m nas suas experi\u00eancias em sala de aula, define sobre a educa\u00e7\u00e3o antirracista: \u201cessas duas coisas s\u00e3o centrais para uma educa\u00e7\u00e3o antirracista de qualidade: observa\u00e7\u00e3o e escuta. A escuta daquela comunidade. Quais as necessidades dos estudantes que voc\u00ea est\u00e1 atendendo? Esse acolhimento tem que vir dentro do plano pol\u00edtico-pedag\u00f3gico da escola. Tem que atender \u00e0s barreiras de linguagem, cultura e alimenta\u00e7\u00e3o. Tem que transpor essas barreiras. E s\u00f3 tem uma forma: o acolhimento, estar junto desse aluno. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 isso. Levar aquilo que o estudante est\u00e1 necessitando. Dentro de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista, tem que trazer isso tamb\u00e9m: o acolhimento, a escuta e o olhar digno\u201d, complementa a professora Erika.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A professora e mestre tem um olhar apurado sobre o ambiente escolar. \u201cO racismo estrutural perpassa dentro da escola. A escola n\u00e3o \u00e9 uma redoma e cabe aos educadores fazer essa media\u00e7\u00e3o de conflitos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">A partir disso, o que pode ser feito?<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cTrazer a import\u00e2ncia dos povos ind\u00edgenas e africanos no cotidiano escolar. J\u00e1 vi transforma\u00e7\u00f5es imensas. Uma crian\u00e7a descobriu que era ind\u00edgena ao ver a av\u00f3 reconhecendo o pr\u00f3prio povo numa apresenta\u00e7\u00e3o. Um menino que tinha vergonha de si mesmo se libertou ao se reconhecer em outra crian\u00e7a representada com orgulho. Representatividade transforma\u201d, Erika Figueiredo pontua. \u201cA luta antirracista \u00e9 de todos n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9 de um nicho. \u00c9 dever dos educadores ter uma educa\u00e7\u00e3o antirracista em casa, na escola, no trabalho. Todos temos esse dever.\u201d<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">Caso queira ouvir outros relatos compartilhados pelas alunas, al\u00e9m de outros fatores levantados pelos especialistas, confira o Podcast \u201c(T\u00edtulo da mat\u00e9ria)\u201d, dispon\u00edvel no perfil do Conex\u00e3o Centro no Spotify.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agress\u00f5es vivenciadas na escola impactam e privam a constru\u00e7\u00e3o da autoestima de jovens negros No fim do m\u00eas de abril, uma aluna bolsista de 15 anos foi internada ap\u00f3s ser encontrada desacordada em um banheiro de um col\u00e9gio da rede privada, na regi\u00e3o nobre da cidade de S\u00e3o Paulo. A aluna vinha sofrendo ataques racistas<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":3485,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[270,203],"tags":[361,362,360],"ppma_author":[226],"class_list":["post-3481","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidades","category-educacao","tag-autoestima","tag-identidade-negra","tag-racismo"],"authors":[{"term_id":226,"user_id":52,"is_guest":0,"slug":"gabriela-ferrari-stevanato","display_name":"Gabriela Ferrari Stevanato","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/2a3f449d0a525395b3b5c0670818b3aa9ee254d4f1141dbbee295bafd55cfabf?s=96&d=mm&r=g","0":null,"1":"","2":"","3":"","4":"","5":"","6":"","7":"","8":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3481"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3481\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3554,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3481\/revisions\/3554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3481"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=3481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}