{"id":3880,"date":"2025-10-02T08:52:31","date_gmt":"2025-10-02T11:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=3880"},"modified":"2025-10-07T08:01:20","modified_gmt":"2025-10-07T11:01:20","slug":"cinemas-de-rua-mantem-viva-a-magia-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/cinemas-de-rua-mantem-viva-a-magia-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Cinemas de rua mant\u00e9m viva a magia de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo diante do avan\u00e7o dos multiplexes e do streaming, salas de cinema seguem como pontos de encontro e resist\u00eancia cultural na capital.<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em S\u00e3o Paulo, onde a pressa dita o ritmo e a cidade se reinventa a cada esquina, h\u00e1 espa\u00e7os que parecem parar o tempo. S\u00e3o os cinemas de rua, que resistem em meio \u00e0 era dos multiplexes e dos <\/span>streamings. Em uma cidade onde a vida cultural se espalhou por centros comerciais e plataformas digitais, essas salas ainda mant\u00e9m vivas o charme de uma experi\u00eancia que come\u00e7a muito antes da<\/p>\n<figure id=\"attachment_3891\" aria-describedby=\"caption-attachment-3891\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3891 size-medium\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-640x480.jpg 640w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_174310755_iOS-1000x750.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3891\" class=\"wp-caption-text\">Salas de cinema do REAG Belas Artes<br \/>Foto por: Laura Moraes<\/figcaption><\/figure>\n<p>tela se acender. Ela come\u00e7a no caminho at\u00e9 o cinema, na caminhada pelas ruas, na observa\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios hist\u00f3ricos e no encontro com outras pessoas que compartilham do mesmo ritual.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o cr\u00edtico, professor e pesquisador Donny Correia, 45 anos, esses espa\u00e7os fazem parte da pr\u00f3pria hist\u00f3ria do cinema no Brasil. \u201cO cinema de rua \u00e9 como nascem os cinemas em S\u00e3o Paulo, no Rio, enfim, no Brasil\u201d, explica. \u201cQuando o cinema surgiu, ele era exibido em qualquer lugar, circo, bar, feira, onde desse para colocar um pano e projetar alguma coisa. Com a populariza\u00e7\u00e3o, come\u00e7am a surgir as primeiras salas destinadas exclusivamente \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de filmes. Aqui em S\u00e3o Paulo, por exemplo, a primeira sala foi inaugurada em 1907, o Cine Bijou, na Rua S\u00e3o Jo\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas salas, lembra Donny, surgiram justamente onde a cidade acontecia, no centro hist\u00f3rico, onde estavam as atividades culturais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas. \u201cAs salas acabaram pipocando exatamente por conta disso. Era onde a popula\u00e7\u00e3o estava, onde acontecia a vida pol\u00edtica e cultural. E ir ao cinema era um ato social. Voc\u00ea tinha cinejornal, curta-metragem, \u00e0s vezes orquestra tocando antes de abrir a tela. Era um ritual, um evento coletivo.\u201d<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4052\" aria-describedby=\"caption-attachment-4052\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@conexaocentro\/video\/7555949326355221816?is_from_webapp=1&amp;sender_device=pc&amp;web_id=7556588228700358200\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4052 size-medium\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1-169x300.png\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1-169x300.png 169w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1-576x1024.png 576w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1-768x1365.png 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1-864x1536.png 864w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/20250930_104209413_iOS-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4052\" class=\"wp-caption-text\">Assista ao TikTok!<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante d\u00e9cadas, o cinema de rua foi o principal espa\u00e7o de lazer das fam\u00edlias paulistanas. Os anos 1940 e 1950 ficaram marcados como a \u201cera de ouro\u201d dessas salas, quando S\u00e3o Paulo chegou a ter mais de 160 cinemas em funcionamento. Mas, a partir das d\u00e9cadas de 1980 e 1990, o cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar. Com a abertura de shoppings e a populariza\u00e7\u00e3o dos multiplexes, o p\u00fablico foi migrando para os novos complexos de lazer. \u201cEsse fen\u00f4meno dos cinemas de rua come\u00e7arem a fechar n\u00e3o \u00e9 novo, ele j\u00e1 come\u00e7a h\u00e1 25, 30 anos\u201d, diz Donny. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 medida que surgem os shoppings, as pessoas passam a frequentar os multiplexes porque \u00e9 mais pr\u00e1tico, voc\u00ea faz compras, come e assiste ao filme no mesmo lugar. Enquanto isso, os centros urbanos foram ficando perigosos e abandonados. Muitos cinemas faliram, foram vendidos para igrejas, demolidos ou transformados em estacionamentos, disse o professor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dessa mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, h\u00e1 quem nunca tenha deixado de frequentar os cinemas de rua. Tamires Cardoso, 24 anos, pedagoga e mestranda, conta que sua paix\u00e3o por esse tipo de cinema vem da inf\u00e2ncia. \u201c\u00c9 uma paix\u00e3o minha, desde crian\u00e7a\u201d. Tamires, natural de S\u00e3o Louren\u00e7o, no interior de S\u00e3o Paulo, conta que na cidade n\u00e3o existiam shoppings, apenas cinemas de rua. \u201cQuando vim para S\u00e3o Paulo, fiquei feliz de descobrir que ainda <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">existiam cinemas de rua. Gosto da possibilidade de ter outros espa\u00e7os de cultura que n\u00e3o sejam s\u00f3 shopping center<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">s.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Elizabeth Somessari, 70 anos, engenheira, refor\u00e7a o valor afetivo dessas salas e como elas fazem parte de sua rotina. \u201cEu acho maravilhoso o cinema de rua. Ele nos faz voltar ao passado, quando quase todos os cinemas eram assim. Moro aqui perto, venho a p\u00e9, volto a p\u00e9\u2026 isso, para mim, \u00e9 uma magia. Fiquei muito triste quando quase fecharam o Belas Artes. Aqui \u00e9 um ponto de encontro, tem at\u00e9 feira de artesanato. O cinema de rua \u00e9 muito importante.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Donny, as salas que ainda sobrevivem, como o CineSesc, o Belas Artes e o Reserva Cultural, guardam a tradi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e cumprem um papel essencial. \u201cEles mant\u00eam viva a aura da cinefilia, exibindo filmes cult, hist\u00f3ricos, cl\u00e1ssicos restaurados e programa\u00e7\u00f5es especiais. S\u00e3o frequentados por pessoas que buscam uma experi\u00eancia mais profunda, uma imers\u00e3o no cinema que n\u00e3o se encontra no streaming ou no shopping.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3894\" aria-describedby=\"caption-attachment-3894\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3894\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-640x480.jpg 640w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/20250921_181303097_iOS-1000x750.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3894\" class=\"wp-caption-text\">Mural &#8220;O cinema mais amado do mundo&#8221;.<br \/>Foto por: Laura Moraes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os desafios, por\u00e9m, s\u00e3o grandes. Al\u00e9m de custos altos de manuten\u00e7\u00e3o, essas salas precisam lidar com a concorr\u00eancia do entretenimento dom\u00e9stico e com a inseguran\u00e7a no centro de S\u00e3o Paulo. Para se manter, muitas dependem de patroc\u00ednios e de apoio institucional. \u201cCada vez mais \u00e9 preciso ter um patrocinador para manter a opera\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta Donny. \u201cUma vez viabilizado o espa\u00e7o, o que vai destacar esse cinema \u00e9 justamente o diferencial da programa\u00e7\u00e3o. Outro ponto \u00e9 atrair novos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Se no passado ir ao cinema era um h\u00e1bito social, hoje a experi\u00eancia precisa se reinventar para competir com o conforto de assistir em casa. \u201cExiste um p\u00fablico-alvo espec\u00edfico, que geralmente \u00e9 mais velho, mas tamb\u00e9m h\u00e1 jovens que consomem esse tipo de programa\u00e7\u00e3o. Uma forma de atrair mais gente \u00e9 mesclar a grade, ao lado de filmes mais segmentados, exibir um t\u00edtulo do momento. Isso faz o jovem entrar no cinema e, de repente, descobrir outra coisa. \u00c0s vezes ele gosta do ambiente, da regi\u00e3o, e volta para outras sess\u00f5es\u201d, afirma Donny.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4050\" aria-describedby=\"caption-attachment-4050\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/MnMDpgrK42k?si=FTFMwVEa3iuyp4O3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4050 size-large\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1024x576.png\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-300x169.png 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo-768x432.png 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Sem-titulo.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4050\" class=\"wp-caption-text\">Assista aqui o v\u00eddeo no Youtube!<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mesmo diante do avan\u00e7o dos multiplexes e do streaming, salas de cinema seguem como pontos de encontro e resist\u00eancia cultural na capital. 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