{"id":4002,"date":"2025-09-30T08:58:39","date_gmt":"2025-09-30T11:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4002"},"modified":"2025-09-30T09:03:36","modified_gmt":"2025-09-30T12:03:36","slug":"entre-a-modernizacao-e-a-memoria-do-centro-as-historias-dos-personagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/entre-a-modernizacao-e-a-memoria-do-centro-as-historias-dos-personagens\/","title":{"rendered":"Entre a Moderniza\u00e7\u00e3o e a Mem\u00f3ria do Centro &#8211; As hist\u00f3rias dos personagens"},"content":{"rendered":"<p>Por Beatriz Carmo e Gabriela Silva<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3996\" aria-describedby=\"caption-attachment-3996\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3996 size-full\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ft-nova-VA-ale-3-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3996\" class=\"wp-caption-text\">Foto por Beatriz Carmo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta mat\u00e9ria faz parte de uma s\u00e9rie interativa de quatro reportagens.<br \/>\nAcesse o <a href=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/df89c7aca62ae24450f3d3289063d165\/nfjfbg\/index.html\">mapa<\/a> aqui.<\/p>\n<p>Quer ter a experi\u00eancia completa desta reportagem?<br \/>\nClique aqui e navegue da forma que desejar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Denize Bacoccina, jornalista e cofundadora do projeto A Vida no Centro, relembra como nasceu a ideia: \u201cNa verdade, a gente mora no Centro desde 2017, e montou A Vida no Centro ao perceber uma desconex\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a regi\u00e3o. Quando decidimos vir para c\u00e1, as not\u00edcias que sa\u00edam na imprensa eram quase sempre negativas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Com olhar atento, Denize come\u00e7ou a notar que havia um movimento diferente pulsando diante dos seus olhos: a efervesc\u00eancia cultural crescendo, novos restaurantes e bares surgindo, brech\u00f3s ocupando ruas e esquinas, e um fluxo cada vez maior de moradores que escolhiam o cora\u00e7\u00e3o da cidade para viver. \u201cNa imprensa, a imagem era muito negativa: de um lugar decadente, perigoso. E isso n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade\u201d. Foi esse contraste que motivou ela e o tamb\u00e9m jornalista Clayton Melo, seu s\u00f3cio, a fundarem o projeto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0O in\u00edcio foi t\u00edmido, quase experimental. Dividindo a dedica\u00e7\u00e3o com outros trabalhos, Denize come\u00e7ou testando nas redes sociais, especialmente no Facebook. Nost\u00e1lgica, ela recorda: \u201cA primeira cobertura foi na Virada Cultural de 2017. Fizemos fotos, postagens, relatos ao vivo, tudo ainda no Facebook. E vimos que sim, havia muito interesse\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Esse interesse logo se transformou em combust\u00edvel. Feliz, Denize relata como moradores do Centro pediam mais informa\u00e7\u00f5es sobre o que acontecia ali, algo que faltava no notici\u00e1rio. A valida\u00e7\u00e3o do p\u00fablico fez nascer o site, depois vieram o podcast, os v\u00eddeos e at\u00e9 eventos presenciais. \u201cEm 2019 fizemos dois festivais, e em 2020, j\u00e1 na pandemia, organizamos um formato h\u00edbrido: shows e atividades transmitidos pela internet direto do Centro\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0O p\u00fablico, ela explica, vai al\u00e9m dos moradores. O projeto atrai turistas, curiosos e at\u00e9 pessoas de outras cidades que, mesmo de longe, se encantam pela narrativa constru\u00edda sobre a regi\u00e3o, uma vers\u00e3o distinta daquela repetida pela imprensa tradicional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Hoje, Denize observa outro desafio: os muitos pr\u00e9dios fechados, cujos propriet\u00e1rios aguardam acordos de d\u00edvidas ou projetos de reocupa\u00e7\u00e3o. \u201cA prefeitura tem incentivado os retrofits, ou seja, moderniza\u00e7\u00f5es que preservam a fachada, mas adaptam os edif\u00edcios antigos para uso residencial. Afinal, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para novas constru\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 pr\u00e9dios que podem ser transformados em moradia.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Ela vislumbra um futuro mais din\u00e2mico, com novos moradores e mais vida nas ruas. E acredita que essa vitalidade trar\u00e1 tamb\u00e9m maior cobran\u00e7a sobre o poder p\u00fablico para cuidar da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3999\" aria-describedby=\"caption-attachment-3999\" style=\"width: 2181px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3999 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/republica.png\" alt=\"\" width=\"2181\" height=\"1454\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3999\" class=\"wp-caption-text\">Foto por Beatriz Carmo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0O amor pelo Centro tamb\u00e9m move Felipe Amaral, 38 anos, criador de conte\u00fado. Sua liga\u00e7\u00e3o vem de inf\u00e2ncia: \u201cMeu pai sempre trabalhou no Centro, na regi\u00e3o da Rep\u00fablica. Desde os meus cinco ou seis anos, ele me levava para l\u00e1\u201d. As lembran\u00e7as s\u00e3o ternas. O pai, falecido, revezava os passeios entre os tr\u00eas filhos. Para Felipe, ele foi \u00eddolo e inspira\u00e7\u00e3o, hoje refletida no perfil @vemcomfelipe, no Instagram, seguido por 19 mil pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0O projeto come\u00e7ou de forma natural. Felipe sempre registrou imagens e v\u00eddeos do Centro, at\u00e9 que, h\u00e1 cerca de um ano e meio, decidiu compartilhar esse acervo de mem\u00f3rias com o p\u00fablico. \u201cPor que n\u00e3o publicar esse conte\u00fado em uma p\u00e1gina?\u201d, pensou. Desde ent\u00e3o, a ideia floresceu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Morador do Centro desde 2017, ele abra\u00e7ou sem hesitar a oportunidade de viver onde j\u00e1 trabalhava h\u00e1 d\u00e9cadas. \u201c\u00c9 a melhor coisa que eu fiz. Estou inserido todos os dias na regi\u00e3o central\u201d, afirma, lembrando que sua trajet\u00f3ria profissional ali j\u00e1 soma 22 anos, desde que come\u00e7ou a trabalhar aos 16.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Felipe percebe mudan\u00e7as claras entre d\u00e9cadas: o fluxo de pessoas, segundo ele, cresce a cada ano. \u201cMuita gente tem amor pelo Centro. Mas ainda h\u00e1 quem evite vir por acreditar que \u00e9 perigoso. S\u00f3 que, quando t\u00eam a oportunidade de conhecer, descobrem outra realidade, e querem voltar\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3997\" aria-describedby=\"caption-attachment-3997\" style=\"width: 2095px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3997 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2095\" height=\"1397\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_9908-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2095px) 100vw, 2095px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3997\" class=\"wp-caption-text\">Foto por Beatriz Carmo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Maria de Nazareth Camargo, 54 anos, tamb\u00e9m fala do Centro com carinho e emo\u00e7\u00e3o. Em um v\u00eddeo-resposta, recorda que sua rela\u00e7\u00e3o come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia, aos 10 anos, quando participou de um projeto da escola municipal e se apresentou com o grupo de bal\u00e9 no Teatro Municipal. Mais tarde, aos 15, iniciou a vida profissional na Rua Sete de Abril, passando depois pela Pra\u00e7a da S\u00e9, perto da catedral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Com brilho nos olhos, ela destaca a beleza da arquitetura de heran\u00e7a portuguesa que ainda resiste: o pr\u00e9dio da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, ao lado da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica; o Mercad\u00e3o, no Parque Dom Pedro II; a sede dos bombeiros, na S\u00e9; os edif\u00edcios vizinhos \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o da Luz. \u201cS\u00e3o constru\u00e7\u00f5es da \u00e9poca do caf\u00e9, que guardam a hist\u00f3ria da cidade\u201d, descreve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Mas a paix\u00e3o vem acompanhada de cr\u00edtica. \u201cEu gosto do Centro, mas ele est\u00e1 abandonado. A parte que mais gosto, o Centro Antigo, est\u00e1 repleto de palacetes vazios, pr\u00e9dios que precisavam ser restaurados para preservar nossa hist\u00f3ria.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Entre mem\u00f3rias afetivas, olhares cr\u00edticos e vis\u00f5es de futuro, Denize, Felipe e Maria comp\u00f5em um retrato m\u00faltiplo do Centro de S\u00e3o Paulo: um espa\u00e7o de resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo fr\u00e1gil e potente, onde hist\u00f3rias individuais se entrela\u00e7am com os rumos da cidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz Carmo e Gabriela Silva &nbsp; &nbsp; Esta mat\u00e9ria faz parte de uma s\u00e9rie interativa de quatro reportagens. Acesse o mapa aqui. Quer ter a experi\u00eancia completa desta reportagem? 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