{"id":4009,"date":"2025-09-30T09:02:05","date_gmt":"2025-09-30T12:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4009"},"modified":"2025-10-24T13:50:22","modified_gmt":"2025-10-24T16:50:22","slug":"subterraneos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/subterraneos\/","title":{"rendered":"Subterr\u00e2neos"},"content":{"rendered":"<p>Por Beatriz Carmo e Julia Figueiredo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pr\u00f3ximo ao hor\u00e1rio de almo\u00e7o, as ruas do centro paulistano descansam da multid\u00e3o matutina que voltar\u00e1 ao fim da tarde. Os detalhes tornam-se mais percept\u00edveis, permitindo descobrir\u00a0 locais escondidos, constru\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas que guardam redutos de paz e tranquilidade a qualquer hora do dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o que atrai Mariana Tavares, 24, mestranda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, na <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/passagemliteraria_oficial?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=MTc3N21ldnQyaHM5NQ==\">Passagem Liter\u00e1ria<\/a>, t\u00fanel que liga ambos os lados da movimentada Rua da Consola\u00e7\u00e3o. Residente de Juazeiro no Norte, interior do Cear\u00e1, mini-m\u00e3ozinhas de pl\u00e1stico em seus dois dedos indicadores, explica que \u201cestar em contato com o rid\u00edculo, com o l\u00fadico\u201d faz parte do seu campo de pesquisa e a mant\u00e9m conectada com a arte. Da mesma maneira, \u00e9 assim que S\u00e3o Paulo se destaca para ela: pelo proporcionamento de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas para o p\u00fablico. \u201cPor exemplo, eu estava andando pela rua e encontrei todo um mundo aqui embaixo\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3985\" aria-describedby=\"caption-attachment-3985\" style=\"width: 335px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3985 \" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/foto-mariana.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"503\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3985\" class=\"wp-caption-text\">Mariana Tavares, no sebo de livros da Passagem Liter\u00e1ria, em seu \u00faltimo dia na cidade.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para C\u00e9lio Martins da Matta, professor de Arquitetura e de Design, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, h\u00e1 diferentes motivos para o fen\u00f4meno: \u201cacho improv\u00e1vel algu\u00e9m construir tamanho es<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pa\u00e7o para ser um ambiente subterr\u00e2neo\u201d. Explica que, geralmente, s\u00e3o locais j\u00e1 existentes devido a outras constru\u00e7\u00f5es, projetos e necessidades urbanas, \u201cadaptados, quando percebidos em desuso por outras pessoas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A aproximadamente 3 km da Passagem Liter\u00e1ria, a Pauliceia Desvairada, como definida por M\u00e1rio de Andrade, guarda mais um de seus segredos: a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/formosahifi?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=am10N3B3dWR2ajU5\">Formosa Hi-Fi<\/a>, bar voltado para uma experi\u00eancia ac\u00fastica de alta qualidade, inaugurado em agosto de 2025. A inaugura\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, mas sua hist\u00f3ria n\u00e3o. Tombada, foi planejada pelo poeta M\u00e1rio de Andrade, explica o ex-Sec<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ret\u00e1rio Municipal da Cultura e um dos respons\u00e1veis pela realiza\u00e7\u00e3o do projeto atual, Ale Youssef, em suas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DKNWD2rvDsn\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=c2sycTU4OWk3YmV1\">redes sociais<\/a>. Hoje, \u00e9 um ambiente de enco<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ntro e aprecia\u00e7\u00e3o a diferentes express\u00f5es musicais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre Preto, gerente da Formosa Hi-Fi, diz que\u00a0 todas as m\u00fasicas ali tocadas s\u00e3o provenientes de discos de vinil:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0&#8211; Estamos buscando nossas origens, porque todos os discos que usamos contam uma hist\u00f3ria. \u00c9 um espa\u00e7o onde o personagem principal \u00e9 a m\u00fasica.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cercado por vinis de variados estilos e explicitando sua prefer\u00eancia ao usar uma camiseta de banda de rock, Robson Sevilha, 47, dono da loja de discos Merchaniz, na Galeria do Rock, expressa sua paix\u00e3o por <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">esse modelo musical. O contato com os discos perdura h\u00e1 mais de 35 anos. Isso \u00e9 elucidado quando faz a analogia entre fuscas e limousines em rela\u00e7\u00e3o aos meios f\u00edsicos e digitais de m\u00fasica:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Os dois te levam para o mesmo lugar, mas s\u00e3o experi\u00eancias diferentes. Ainda tem muita gente que n\u00e3o quer a m\u00fasica s\u00f3 no digital.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Doze metros abaixo do solo, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/centro.da.terra?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=MTl3emV6bXYxcXI2aw==\">teatro Centro da Terra<\/a> localiza-se em Perdizes, Rua Piracuama, n\u00b0 19. Apesar de voltado para experimenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, j\u00e1 foi destaque por suas pe\u00e7as<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">inovadoras, em participa\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Relembrando do espet\u00e1culo \u201cIlha do Tesouro\u201d, Maria Bilio, 22, frequentava o local quando crian\u00e7a:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; O quarteir\u00e3o inteiro era cenogr\u00e1fico por conta dessa pe\u00e7a. O p\u00fablico vinha andando junto ao elenco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje produtora do teatro, v\u00ea-o como \u201cum lugar muito relevante, principalmente para a gera\u00e7\u00e3o nova de artistas. Mesmo em uma \u00e1rea pequena, movimenta um espa\u00e7o da arte importante\u201d, alega.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com diferentes aspectos, todas essas constru\u00e7\u00f5es guardam um pouco da hist\u00f3ria da grande S\u00e3o Paulo e continuam sendo agentes em sua cultura. Leitor ass\u00edduo e entusiasmado quanto \u00e0s curiosidades guardadas por ela, Daniel Quindici, 40, desenhista industrial atuante em constru\u00e7\u00f5es civis, dedica parte de seu tempo \u00e0 p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sampa.raiz?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=OHR1NzNpb3F3bDFq\">Sampa Raiz<\/a>. No Instagram, \u00e9 voltada para imagens antigas da cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNo perfil, exponho que desejo resgatar a mem\u00f3ria que S\u00e3o Paulo deixou no passado\u201d, consta com ternura. N\u00e3o somente uma tarefa por interesse pr\u00f3prio, Quindici encontra nesta atividade um outro prop\u00f3sito: contribuir \u00e0 sociedade como cidad\u00e3o. Relembrando de sua trajet\u00f3ria, o projeto iniciou-se durante a pandemia, com o desejo de compartilhar seus conhecimentos com o p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Eu sou apaixonado pela cidade, e quando vi tanta gente t\u00e3o apaixonada quanto eu, tive ainda mais incentivo em manter e continuar contando essas hist\u00f3rias.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz Carmo e Julia Figueiredo &nbsp; Pr\u00f3ximo ao hor\u00e1rio de almo\u00e7o, as ruas do centro paulistano descansam da multid\u00e3o matutina que voltar\u00e1 ao fim da tarde. Os detalhes tornam-se mais percept\u00edveis, permitindo descobrir\u00a0 locais escondidos, constru\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas que guardam redutos de paz e tranquilidade a qualquer hora do dia.\u00a0 \u00c9 o que atrai Mariana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"ppma_author":[228],"class_list":["post-4009","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"authors":[{"term_id":228,"user_id":1,"is_guest":0,"slug":"admin","display_name":"admin","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/94703ff72ad2f2d2bbee4db1fb66eaff679a92c675bd3605005f50eb83391ec2?s=96&d=mm&r=g","0":null,"1":"","2":"","3":"","4":"","5":"","6":"","7":"","8":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4009"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4141,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4009\/revisions\/4141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4009"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=4009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}