{"id":4142,"date":"2025-10-27T20:27:37","date_gmt":"2025-10-27T23:27:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4142"},"modified":"2025-10-27T20:32:04","modified_gmt":"2025-10-27T23:32:04","slug":"entre-o-concreto-e-o-caos-um-homem-aprende-a-caber-no-copan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/entre-o-concreto-e-o-caos-um-homem-aprende-a-caber-no-copan\/","title":{"rendered":"Entre o concreto e o caos, um homem aprende a caber no Copan"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAh, eu achei assustador.\u201d Nobu fala e ri, como quem lembra de um antigo susto: \u201cLembra muito a Universidade de Bras\u00edlia, estudei l\u00e1. Calor, pernilongos, concreto, concreto armado. A gente cria raiva do Niemeyer, embora ache bonitas as coisas dele.\u201d<\/p>\n<p>O riso quebra a rigidez do concreto, mas n\u00e3o o espanto. O Copan intimida. De longe, parece um ser vivo; de perto, respira. As curvas de Niemeyer se dobram sobre si mesmas como um corpo que nunca para de se mover. Nobu chegou aqui sem nunca ter pisado no pr\u00e9dio. Alugou o apartamento pela internet. \u201cEu j\u00e1 trouxe as mudan\u00e7as. Nunca tinha entrado no Copan. A primeira vez foi quando me mudei.\u201d<\/p>\n<p>O apartamento tem trinta metros quadrados, \u201co tamanho da garagem da minha casa em Taguatinga\u201d, ele diz. \u00c9 pequeno, mas parece conter a cidade inteira. Na estante, um Lego do pr\u00f3prio Copan, miniatura das curvas que o cercam todos os dias. Nobu sorri quando fala disso. \u201cPra mim \u00e9 caro, mas \u00e9 o pre\u00e7o de morar num pr\u00e9dio ic\u00f4nico.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4160\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17-70x70.jpeg 70w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.17.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dele come\u00e7a longe. Nasceu em Taguatinga, no Distrito Federal, e fez carreira como ator de teatro. Um dia, quis o cinema. \u201cO mercado l\u00e1 \u00e9 bem fraco, n\u00e9? A\u00ed eu falei, vou pra S\u00e3o Paulo.\u201d Gravou um teste de casa, pela internet, e passou. Veio para filmar uma s\u00e9rie de streaming. \u201cEu queria chegar aqui j\u00e1 empregado. A internet possibilitou isso.\u201d<\/p>\n<p>Passou o primeiro ano no Butant\u00e3, bairro da zona oeste de S\u00e3o Paulo. \u201cFoi bom morar l\u00e1 primeiro, eu tava longe, mas ao mesmo tempo perto. O transporte aqui \u00e9 muito diferente.\u201d Depois de um ano, decidiu mudar. A amiga que o ajudou com o aluguel n\u00e3o contou que o apartamento era no Copan. Ele s\u00f3 descobriu quando chegou com as caixas.<\/p>\n<p>Hoje, diz que o pr\u00e9dio o ensinou sobre a cidade. \u201cO Copan mostra que o aluguel \u00e9 caro. E quanto maior a gentrifica\u00e7\u00e3o, mais caro fica\u201d (em uma r\u00e1pida pesquisa na internet descobre-se que os alugueis no Copan podem variar de aproximadamente R$ 2.000,00 a R$ 12.000,00).\u00a0 A fala vem com uma pausa, dessas que pesam no ar. \u201cQuando meu contrato vencer, eu vou sair. Se fosse mais dram\u00e1tico, diria que t\u00f4 sendo expulso. Mas \u00e9 isso: t\u00e1 virando tudo Airbnb.\u201d<\/p>\n<p>A cada andar, a cada obra, o centro parece se reconstruir por dentro. Nobu conta que escuta barulhos o dia inteiro. \u201c\u00c9 um barulho que parece que vai cair o pr\u00e9dio.\u201d Ri de si mesmo, mas n\u00e3o nega o inc\u00f4modo. \u201cQuem faz home office aqui sofre muito.\u201d Mesmo assim, defende o edif\u00edcio com carinho. \u201cO Copan tem que servir a cidade. Faz parte dela. O pessoal reclama que fica cheio de turista aqui embaixo. Tem que estar lotado.\u201d<\/p>\n<p>A fala sobre o caos vem quando o sol atravessa as janelas. \u201cO Copan \u00e9 o caos. O caos, assim, \u00e9 engra\u00e7ado, \u00e9 uma coisa po\u00e9tica. Quem \u00e9 o caos? Copan \u00e9 o caos. Ele t\u00e1 no meio de S\u00e3o Paulo, \u00e9 curvo porque quis respeitar a rua. T\u00e1 encravado num lugar que n\u00e3o era pra ele ser, mas \u00e9. T\u00e1 aqui, t\u00e1 pronto, t\u00e1 aqui.\u201d<\/p>\n<p>Ele conta isso como quem descreve algu\u00e9m querido, cheio de defeitos, mas imposs\u00edvel n\u00e3o amar. O pr\u00e9dio o transformou. Diz que anda mais r\u00e1pido, que ficou mais ansioso, que virou paulistano.<\/p>\n<p>A comida entrou na hist\u00f3ria por acaso. \u201cEu vi uma entrevista do Paulo Vieira. Ele falava que aqui tinha um prato feito de dezessete reais. A\u00ed pensei: vou morar num lugar que tem um prato feito de dezessete reais.\u201d Quando o encontrou, cobrou a promessa. \u201cR$ 17,90. Ele mentiu.\u201d<\/p>\n<p>Da brincadeira nasceu um trabalho. \u201cEu fazia <em>review<\/em> de pre\u00e7o, ia a mercados, via o pre\u00e7o de uma salsicha em cada um. Fiz TikTok sem mostrar o rosto. Pensei: sou ator, n\u00e3o quero me filmar comendo salsicha.\u201d Os v\u00eddeos viralizaram. \u201cDepois de um ano, virou minha renda principal.\u201d<\/p>\n<p>Agora, Nobu divide o tempo entre as grava\u00e7\u00f5es e as caminhadas pelo centro. Gosta de observar o Copan de baixo, como quem se v\u00ea no espelho. \u201cAqui sempre moraram artistas. Eu falei: p\u00f4, que legal, chegou a minha vez.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4161\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29-70x70.jpeg 70w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.54.29.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O pr\u00e9dio tem seus pr\u00f3prios personagens. Ele fala da vizinha de oitenta anos, da troca de p\u00e3es e favores, das marmitas vendidas pelo grupo do condom\u00ednio. \u201cMorar aqui n\u00e3o \u00e9 viver num bich\u00e3o de concreto. S\u00e3o v\u00e1rias casinhas, v\u00e1rias pessoas, v\u00e1rias fam\u00edlias com hist\u00f3rias.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto fala, o som da cidade atravessa a janela: helic\u00f3pteros, buzinas, o burburinho de uma metr\u00f3pole que nunca dorme. Nobu sorri e diz que gosta desse ritmo. \u201cS\u00e3o Paulo \u00e9 dura, mas tem amor. Ningu\u00e9m fica aqui s\u00f3 por dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>Na parede, a sombra do Lego parece projetar o pr\u00f3prio pr\u00e9dio em miniatura. \u201cUm dia vou ter muito orgulho desse momento da minha vida.\u201d<\/p>\n<p>Do lado de fora, o sol do meio-dia se derrama sobre o Copan. As fachadas curvas refletem a luz como se o pr\u00e9dio tamb\u00e9m respirasse. L\u00e1 dentro, o concreto vibra com vozes, passos, barulhos e cheiros de almo\u00e7o subindo pelos andares. \u00c9 s\u00e1bado, e a cidade pulsa. O edif\u00edcio vive cheio de hist\u00f3rias, de gente, de ru\u00eddo e de afeto.<\/p>\n<p>E Nobu segue cabendo dentro dele, entre o caos e o carinho, entre a cidade e o sonho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se deseja saber mais sobre o Copan e o Nobu, acesse nosso <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Vb6T3wi65yDAljjxoC3r\">canal no Whatsapp<\/a>\u00a0 e o <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@conexaocentro?_t=ZM-90uXfAUzgOR&amp;_r=1\">nosso TikTok<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAh, eu achei assustador.\u201d Nobu fala e ri, como quem lembra de um antigo susto: \u201cLembra muito a Universidade de Bras\u00edlia, estudei l\u00e1. Calor, pernilongos, concreto, concreto armado. 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