{"id":4144,"date":"2025-10-27T20:03:13","date_gmt":"2025-10-27T23:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4144"},"modified":"2025-10-27T20:06:53","modified_gmt":"2025-10-27T23:06:53","slug":"o-outro-som-da-galeria-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/o-outro-som-da-galeria-do-rock\/","title":{"rendered":"O outro som da Galeria do Rock"},"content":{"rendered":"<p><em>Um espa\u00e7o onde o rock e o geek coexistem em harmonia ca\u00f3tica<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 lugares que n\u00e3o pertencem a um tempo, mas a uma alma.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o da Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, onde a pressa \u00e9 regra, h\u00e1 um pr\u00e9dio que respira fora do tempo. A Galeria do Rock \u2014 ou, para os mais \u00edntimos, apenas a Galeria \u2014 \u00e9 um marco simb\u00f3lico. De longe, seus arcos curvos de concreto desenhados pelo arquiteto Alfredo Mathias, em 1963, lembram uma caixa de som gigante.<\/p>\n<p>Mas a Galeria nem sempre foi do rock.<\/p>\n<p>Quando nasceu, em meados dos anos 1960, se chamava Centro Comercial Grandes Galerias. Era elegante, moderna, projetada para abrigar lojas de moda, joalherias e sal\u00f5es de beleza. Nos corredores, ecoavam os saltos finos e os perfumes caros das mulheres da elite paulistana.<\/p>\n<p>O rock ainda era uma rebeldia distante, e o centro de S\u00e3o Paulo vibrava em outro ritmo.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 nas d\u00e9cadas seguintes, quando o centro come\u00e7ou a mudar de est\u00e9tica, que o pr\u00e9dio tamb\u00e9m se transformou.<\/p>\n<p>Nos anos 1980 e 1990, enquanto o brilho das vitrines da elite migrava para os shoppings, a Galeria foi ocupada por outras vozes, aquelas que viviam \u00e0 margem. Vieram os punks, os metaleiros, os geeks e os g\u00f3ticos, todos aqueles que antes n\u00e3o eram bem vindos, aqueles que n\u00e3o tinham lugar nos corredores polidos dos Jardins.<\/p>\n<p>E o que era luxo virou resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nas vitrines, os ternos deram lugar \u00e0s camisetas de bandas, \u00e0s jaquetas de couro e aos vinis empilhados como rel\u00edquias. O nome \u201cGaleria do Rock\u201d nasceu, num batismo informal movimentado pela contracultura. Hoje, o pr\u00e9dio abriga 450 lojas. S\u00e3o est\u00fadios de tatuagem, sebos, brech\u00f3s, lojas de instrumentos musicais e de vinis raros.<\/p>\n<p>\u201cEu venho aqui desde moleque, quando o centro ainda era o centro. \u00c9 legal que aprendi sobre m\u00fasica, sobre arte, tudo aqui. Aqui eu vi bandas nascerem e acabarem. Vi o rock mudar de cara. O legal \u00e9 que hoje tem de tudo\u201d, diz o tatuador Paulo Serra, de 42 anos.<\/p>\n<p>Serra fala com a naturalidade de quem cresceu entre lojas de discos e est\u00fadios improvisados, como se a Galeria do Rock fosse uma extens\u00e3o da pr\u00f3pria casa \u2014 ou do pr\u00f3prio corpo, coberto por tatuagens que tamb\u00e9m contam hist\u00f3rias do centro.<\/p>\n<p>E h\u00e1 algo maior nessa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo quando o centro da cidade perdeu parte de sua vitalidade, a Galeria do Rock seguiu viva. Talvez porque sempre tenha pertencido aos que n\u00e3o cabem nos moldes. Aos que encontram na m\u00fasica, na tatuagem ou na roupa uma forma de existir sem pedir licen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas a Galeria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 rock.<\/p>\n<p>Entre as lojas de camisetas e os est\u00fadios de piercing, brotaram tamb\u00e9m universos paralelos. O lado geek tomou conta de vitrines. Bonecos de Star Wars, Homem-Aranha e Naruto dividem espa\u00e7o com os discos. H\u00e1 boxes inteiros dedicados a mang\u00e1s, HQs raras, miniaturas, action figures, camisetas de animes e jogos de tabuleiro.<\/p>\n<p>O colorido se mistura \u00e0 luz fria do teto, criando um pequeno ref\u00fagio geek no meio do labirinto de lojas alternativas.<\/p>\n<p>\u201cEu gosto da cultura geek, ent\u00e3o vou l\u00e1 pra encontrar coisas que sejam meu estilo, l\u00e1 \u00e9 mais f\u00e1cil pra encontrar e o pessoal \u00e9 sempre bem acolhedor. Agora que vai ter v\u00e1rios shows no Brasil, a galeria t\u00e1 cheia. \u00c9 muito legal ver o tanto de gente que vem \u00e0 procura da mesma coisa\u201d, afirma o estudante Victor Silva, de 21 anos.<\/p>\n<p>Para o estudante Jos\u00e9 Ant\u00f4nio, de 23 anos, a Galeria do Rock \u00e9 mais do que um ponto de compras \u2014 \u00e9 um atalho. \u201cA galeria junta tudo que eu tenho de interesse em um lugar s\u00f3, sem eu precisar me deslocar muito. Se eu procuro uma camiseta, encontro cinco lojas de diferentes estilos no mesmo lugar. Isso ocorre com qualquer coisa l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>O p\u00fablico jovem, que antes via o local apenas como \u201ctemplo do rock\u201d, hoje o reconhece como um espa\u00e7o de m\u00faltiplas identidades.<\/p>\n<p>A Galeria, nesse sentido, \u00e9 mais do que um ponto comercial \u2014 \u00e9 um ponto de converg\u00eancia cultural. Onde universos colidem em um s\u00f3 espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Com sua c\u00e2mera pendurada no pesco\u00e7o, Ingrid observa o vai e vem dos corredores como quem espera a pr\u00f3xima cena de um filme. A luz atravessa as curvas da Galeria do Rock e rebate nas vitrines met\u00e1licas, criando reflexos que parecem pensados por um diretor de fotografia.<\/p>\n<p>\u201cA galeria \u00e9 o lugar mais fotog\u00eanico de S\u00e3o Paulo. Cada um tem um estilo, uma hist\u00f3ria. Eu venho pra fotografar, mas sempre acabo ficando pra conversar. J\u00e1 conheci bandas, j\u00e1 fiz amizade com gente que s\u00f3 encontrei ali\u201d, relata Ingrid Victoria, de 22 anos, auxiliar administrativo.<\/p>\n<p>Ela conta com o entusiasmo de quem encontrou ali um est\u00fadio a c\u00e9u aberto \u2014 e uma cidade paralela que s\u00f3 existe entre um clique e outro.<\/p>\n<p>L\u00e1 fora, a cidade continua apressada.<\/p>\n<p>Mas aqui dentro, o tempo resiste em <em>riffs <\/em>(termo musical).<\/p>\n<p>A Galeria do Rock \u00e9, talvez, o \u00faltimo grande lugar onde as diferen\u00e7as se reconhecem.<\/p>\n<p>Por dentro da Galeria<\/p>\n<p>\ud83d\udccd Endere\u00e7o: Av. S\u00e3o Jo\u00e3o, 439 \u2013 Rep\u00fablica, S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>\ud83d\udd50 Hor\u00e1rio: Segunda a Sexta-feira, das 9h \u00e0s 19h, e aos S\u00e1bados, das 9h \u00e0s 18h.<\/p>\n<p>\ud83d\ude87 Acesso: Pr\u00f3ximo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o Rep\u00fablica (Metr\u00f4 linhas vermelha e amarela)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4148\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.04-1-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.04-1-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.04-1-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.04-1-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.04-1.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4147\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.03-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.03-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.03-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.03-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-27-at-19.35.03.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p><em>Foto por Mariana Santos D&#8217;alessandro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um espa\u00e7o onde o rock e o geek coexistem em harmonia ca\u00f3tica H\u00e1 lugares que n\u00e3o pertencem a um tempo, mas a uma alma. 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