{"id":4340,"date":"2025-11-25T08:54:09","date_gmt":"2025-11-25T11:54:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4340"},"modified":"2025-12-02T07:42:03","modified_gmt":"2025-12-02T10:42:03","slug":"as-noites-do-centro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/as-noites-do-centro\/","title":{"rendered":"As Noites do Centro"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Confira a vers\u00e3o visual desta reportagem no site abaixo:<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/testeeweding.my.canva.site\/anoitenocentro\">https:\/\/testeeweding.my.canva.site\/anoitenocentro<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ao cair da noite na Pra\u00e7a da S\u00e9, os arcos iluminados do Palacete Teresa entregam algo que vai al\u00e9m do que costuma aparecer nos cart\u00f5es-postais do centro: uma sensa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. A Casa de Francisca vive entre essas paredes antigas, ocupando tr\u00eas ambientes que se desdobram entre m\u00fasica, conversa e um ritmo pr\u00f3prio. Lento, quase dom\u00e9stico. \u00c9 um contraste curioso para uma regi\u00e3o tantas vezes marcada pela pressa. Ali, por\u00e9m, o tempo parece caber melhor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Henrique, colaborador da casa que a acompanha desde as primeiras mudan\u00e7as, conta que tudo come\u00e7ou em um espa\u00e7o min\u00fasculo no Jardim Paulista, com apenas 44 lugares. Foi a hist\u00f3ria de Francisca, uma mulher que abria sua casa para quem passava pela rua, que inspirou o nome e moldou o esp\u00edrito do lugar. \u201cA ideia sempre foi essa: que as pessoas se sintam em casa, que possam sentar, comer, ouvir m\u00fasica, ficar \u00e0 vontade\u201d, ele explica enquanto aponta para as mesas ocupadas no subsolo, onde o som ao vivo come\u00e7a quase sem an\u00fancio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando o casar\u00e3o do centro apareceu como possibilidade, a regi\u00e3o ainda carregava o estigma do abandono e do perigo. A mudan\u00e7a para o Palacete Teresa, por\u00e9m, fez o projeto crescer. Primeiro o andar superior, depois o Por\u00e3o, depois o Largo. Cada etapa adicionando novos p\u00fablicos e novas camadas ao espa\u00e7o, at\u00e9 que aquela pequena casa virou um complexo onde cabem mais de mil pessoas em noites de show.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4354\" aria-describedby=\"caption-attachment-4354\" style=\"width: 1347px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4354\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590.jpg\" alt=\"\" width=\"1347\" height=\"1568\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590-258x300.jpg 258w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590-879x1024.jpg 879w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590-768x894.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590-1319x1536.jpg 1319w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0086-scaled-e1764069240590-1759x2048.jpg 1759w\" sizes=\"auto, (max-width: 1347px) 100vw, 1347px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4354\" class=\"wp-caption-text\">Subsolo da Casa de Francisca &#8211; Foto: Leticia Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O movimento da Casa de Francisca ajuda a iluminar a pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o do centro. Durante o dia, o Largo funciona como um restaurante aberto. Mas, quando a noite avan\u00e7a, o fluxo muda. O por\u00e3o conta com shows de entrada gratuita para os primeiros que adquirirem ingressos. Isso cria um fluxo espont\u00e2neo e democr\u00e1tico, onde turistas, moradores, artistas e curiosos dividem o mesmo subterr\u00e2neo em busca da mesma coisa: um bom encontro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As regras, curiosamente, n\u00e3o dificultam a experi\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, parecem garantir que cada ambiente mantenha sua pr\u00f3pria identidade. No Largo, fam\u00edlias e grupos de amigos conversam em mesas compartilhadas. No por\u00e3o, o p\u00fablico vibra perto do palco, fazendo das paredes iluminadas pela luz neon vermelha aparente uma esp\u00e9cie de caverna sonora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, a Casa de Francisca funciona como um lembrete de que a revitaliza\u00e7\u00e3o do centro tamb\u00e9m est\u00e1 nos espa\u00e7os que conseguem costurar passado e presente. Ali, a noite parece encontrar um jeito pr\u00f3prio de existir. A arquitetura \u00e9 um show \u00e0 parte, mas o que de fato nos prende \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o da vida urbana trazida por tantos interessados.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4358\" aria-describedby=\"caption-attachment-4358\" style=\"width: 1304px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4358\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387.jpg\" alt=\"\" width=\"1304\" height=\"1474\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387-265x300.jpg 265w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387-906x1024.jpg 906w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387-768x868.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387-1359x1536.jpg 1359w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0339-scaled-e1764070230387-1812x2048.jpg 1812w\" sizes=\"auto, (max-width: 1304px) 100vw, 1304px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4358\" class=\"wp-caption-text\">Bruna Daniele, Gerente do Ephigenia &#8211; Foto: Leticia Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Do samba ao eletr\u00f4nico, do sunset \u00e0s altas madrugadas do centro paulistano, a Ephigenia rapidamente se consolidou com uma das festas mais badaladas da regi\u00e3o. Localizado na regi\u00e3o do viaduto Santa Ifig\u00eania, ocupa o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">22\u00ba e o 23\u00ba andares<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de um pr\u00e9dio hist\u00f3rico. O espa\u00e7o, que \u00e9 um belvedere musical, possui dois andares com pistas de dan\u00e7a e \u00e1reas externas com vista panor\u00e2mica da cidade. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 apenas um local de entretenimento, mas um ponto focal na tentativa de revitaliza\u00e7\u00e3o do centro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bruna, a gerente da casa contou um pouco sobre a proposta da balada, inaugurada em novembro de 2024. A ideia \u00e9 aproximar as pessoas do centro, fazer com que conhe\u00e7a os novos estabelecimentos e mostrar que existe todo um trabalho de revitaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na Ephigenia mas em todo o entorno.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O objetivo central \u00e9 claro: ser um lugar de acolhimento e igualdade, independente de cor, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual. Por ser na regi\u00e3o do centro o receio dos andarilhos ainda existe, por\u00e9m vale ressaltar a rela\u00e7\u00e3o que os funcion\u00e1rios da Ephigenia possuem com os moradores das ruas. A proposta dos funcion\u00e1rios \u00e9 fazer o b\u00e1sico: cumprimentar, tratar com carinho, respeito e realmente fazer com que eles se sintam aceitos como pessoas e n\u00e3o como animais, assim a regi\u00e3o que fica pr\u00f3ximo \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 traz ainda mais seguran\u00e7a aos frequentadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O foco da Ephigenia \u00e9 a diversidade, trazendo o famoso \u201cde tudo um pouco\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Do eletr\u00f4nico ao pop, da m\u00fasica brasileira ao pagode raiz, a curadoria musical \u00e9 pensada para atrair todos os p\u00fablicos, garantindo um espa\u00e7o para diferentes experi\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os s\u00f3cios da casa s\u00e3o DJ\u00b4s que j\u00e1 tocaram em outras festas e gostam de reunir estilos diferentes para um tipo de evento que anda crescendo cada vez mais para jovens e adultos. \u201c\u00c9 dif\u00edcil a casa n\u00e3o bombar\u201d, afirma Bruna, garantindo que desde a abertura em 2024, n\u00e3o h\u00e1 um final de semana vazio, mesmo aos domingos que o local abre mais cedo, \u00e0s 15 horas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente n\u00e3o tenta atingir s\u00f3 um tipo de p\u00fablico, tentamos todos os poss\u00edveis. E o mais importante \u00e9 o acolhimento, chegar aqui e ser bem recebida\u201d, explica a gerente, enfatizando que a excel\u00eancia na recep\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial porque a primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com mais de 20 anos de experi\u00eancia na \u00e1rea de eventos, Bruna aponta a import\u00e2ncia da lideran\u00e7a feminina nesse cen\u00e1rio de festas e revitaliza\u00e7\u00e3o urbana, onde antigamente n\u00e3o tinha muito espa\u00e7o para isso. Mostrando que mulheres\u00a0 conseguem transformar regi\u00f5es historicamente &#8220;abandonadas&#8221; em grandes palcos de divertimento.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4363\" aria-describedby=\"caption-attachment-4363\" style=\"width: 1177px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4363\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420.jpg\" alt=\"\" width=\"1177\" height=\"1450\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420.jpg 1506w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420-243x300.jpg 243w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420-831x1024.jpg 831w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420-768x946.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0515-scaled-e1764070592420-1246x1536.jpg 1246w\" sizes=\"auto, (max-width: 1177px) 100vw, 1177px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4363\" class=\"wp-caption-text\">Grazielly Batista, Coordenadora e Produtora do Baile da Massa Real &#8211; Foto: Leticia Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O hist\u00f3rico Edif\u00edcio Martinelli \u2013 um dos s\u00edmbolos arquitet\u00f4nicos e culturais de S\u00e3o Paulo \u2013 serviu de palco para o Baile da Massa Real<\/span><b>,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> um evento de entretenimento e que fez o centro se movimentar em uma tarde de domingo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gizela, coordenadora e produtora do Baile da Massa Real, compartilha sua vis\u00e3o de como as pessoas enxergam a cidade como \u201clargada\u201d e a presen\u00e7a de iniciativas musicais e culturais bem no cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo \u00e9 um fator crucial para reverter essa imagem, valorizando ainda mais o centro e a cultura local.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Para ela, a movimenta\u00e7\u00e3o cultural no centro da cidade \u00e9 um sinal de que a cultura paulistana est\u00e1 sendo valorizada \u201ccomo realmente deve ser\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A produtora ainda ressalta: \u201cEu acho que isso \u00e9 muito importante porque a cidade de S\u00e3o Paulo hoje \u00e9 vista como algo largado, n\u00e3o s\u00f3 pela popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelo governo.\u201d\u00a0 Quando percebemos que existe uma movimenta\u00e7\u00e3o interessante na cidade, que traz pessoas de diferentes extremos, visitantes de fora e at\u00e9 moradores da pr\u00f3pria cidade, isso faz com que a cultura de S\u00e3o Paulo seja valorizada como realmente deve ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O problema \u00e9 que uma cidade com tanto potencial como S\u00e3o Paulo, a \u201ccapital de grande massa\u201d, est\u00e1 sendo ofuscada por problemas como prostitui\u00e7\u00e3o e drogas no seu ponto de vista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Baile da Massa Real e outros eventos parecidos apostam na diversidade de ritmos como ferramenta para trazer vida nova ao centro. \u201cVer a cultura musical, seja rock, samba, ax\u00e9, funk ou qualquer outro estilo, trazendo mais clareza, mais vida e mais corpo para a cidade \u00e9 \u00f3timo, porque de alguma forma, faz com que as pessoas voltem a acreditar nela,\u201d explica Gizela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, ela ressalta que S\u00e3o Paulo \u00e9 um lugar bom e de visibilidade, por\u00e9m precisa ser ampliada. A m\u00fasica, principalmente por meio de shows e eventos em locais como o Martinelli, faz com que esse papel de transforma\u00e7\u00e3o realmente aconte\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Baile da Massa Real, ocupando o Edif\u00edcio Martinelli, n\u00e3o apenas oferece uma experi\u00eancia \u00fanica aos seus frequentadores, mas tamb\u00e9m demonstra o poder da cultura em resgatar a confian\u00e7a na regi\u00e3o central e reafirmar S\u00e3o Paulo como uma capital vibrante.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4364\" aria-describedby=\"caption-attachment-4364\" style=\"width: 1085px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4364\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320.jpg\" alt=\"\" width=\"1085\" height=\"1238\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320.jpg 1920w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320-263x300.jpg 263w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320-898x1024.jpg 898w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320-768x876.jpg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320-1347x1536.jpg 1347w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_0476-scaled-e1764070847320-1796x2048.jpg 1796w\" sizes=\"auto, (max-width: 1085px) 100vw, 1085px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4364\" class=\"wp-caption-text\">Bete Domingos, Propriet\u00e1ria do Vamo pra Bete &#8211; Foto: Leticia Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se a Casa de Francisca representa a face mais organizada e estetizada da noite do centro, o Bar da Bete \u00e9 o oposto complementar: espont\u00e2neo, afetivo e sustentado pela energia das pessoas que chegam, e dificilmente v\u00e3o embora cedo. A poucos minutos do metr\u00f4 Santa Cec\u00edlia, onde a boemia e a vida cotidiana se esbarram sem cerim\u00f4nia, Bete recebe cada cliente como quem acolhe um velho amigo. E isso n\u00e3o \u00e9 for\u00e7a de express\u00e3o: o nome do bar \u00e9 justamente a figura central que o popularizou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nas sextas-feiras, uma cena se repete: trabalhadores deixam os escrit\u00f3rios da regi\u00e3o e caminham direto para l\u00e1, \u00e0s vezes, abrindo a noite em outros bares, mas terminando inevitavelmente na porta da Bete. \u201cA gente diz que fecha \u00e0s seis da manh\u00e3, mas nunca fecha \u00e0s seis. A gente fica at\u00e9 o \u00faltimo cliente ir embora\u201d, ela explica. O bar fica enquanto houver gente, e sempre h\u00e1. Aos s\u00e1bados, o ritual se intensifica: as pessoas chegam tarde porque sabem que a madrugada ser\u00e1 longa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria do bar acompanha tamb\u00e9m as idas e vindas da noite paulistana. A primeira sede, na Rua das Palmeiras, n\u00e3o deu conta do p\u00fablico. A segunda, na S\u00e3o Jo\u00e3o, viveu a gl\u00f3ria e a queda quando os assaltos da regi\u00e3o espantaram a clientela. Foi ent\u00e3o que surgiu a oportunidade de voltar para o bairro que sempre foi dela: Santa Cec\u00edlia. \u201cAqui \u00e9 meu habitat\u201d, ela diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bete trabalhou d\u00e9cadas na noite, aprendeu a din\u00e2mica das cal\u00e7adas, dos fluxos e da clientela. Por 23 anos fez parte da Rede Biroska, comandada por Lilian Gon\u00e7alves. \u201cEla \u00e9 bem conhecida, a Rainha da Noite de S\u00e3o Paulo\u201d, relembra Bete.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O diferencial do bar n\u00e3o est\u00e1 apenas na jukebox, onde cada um coloca sua m\u00fasica, nem no hor\u00e1rio que se estende at\u00e9 onde a madrugada aguenta. Est\u00e1, principalmente, na figura da pr\u00f3pria Bete. Ela cria v\u00ednculos, reconhece rostos, puxa conversa, recomenda \u00e1gua quando algu\u00e9m exagera, canta parab\u00e9ns quando v\u00ea um anivers\u00e1rio. \u201cCuido de vidas\u201d, resume, com a convic\u00e7\u00e3o de quem leva isso como miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O lugar n\u00e3o se trata de um grande projeto arquitet\u00f4nico, nem de uma iniciativa p\u00fablica para revitalizar a regi\u00e3o. Quem chega com um amigo j\u00e1 traz outro na semana seguinte, e assim o fluxo se renova. \u00c9 um espa\u00e7o vivo, movido por v\u00ednculos afetivos e pela informalidade que marca tantas hist\u00f3rias urbanas. E talvez seja justamente isso que o torna simb\u00f3lico: um lugar onde a noite n\u00e3o \u00e9 um produto, mas uma rela\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira a vers\u00e3o visual desta reportagem no site abaixo: https:\/\/testeeweding.my.canva.site\/anoitenocentro Ao cair da noite na Pra\u00e7a da S\u00e9, os arcos iluminados do Palacete Teresa entregam algo que vai al\u00e9m do que costuma aparecer nos cart\u00f5es-postais do centro: uma sensa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. 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