{"id":4386,"date":"2025-12-02T18:15:17","date_gmt":"2025-12-02T21:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/?p=4386"},"modified":"2025-12-10T17:40:05","modified_gmt":"2025-12-10T20:40:05","slug":"parte-do-centro-subcomunidades-culturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/parte-do-centro-subcomunidades-culturais\/","title":{"rendered":"Parte do Centro: Subcomunidades culturais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por Gabriela Silva e Julia Figueiredo\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <a href=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/df89c7aca62ae24450f3d3289063d165\/nfjfbg\/draft.html\">centro de S\u00e3o Paulo<\/a> \u00e9 tecido pelas diferentes e mais diversas vozes. S\u00e3o as hist\u00f3rias das pessoas que moram, passeiam e circulam pela regi\u00e3o que fazem dele um centro n\u00e3o somente hist\u00f3rico, mas um centro cultural. E \u00e9 na singularidade de cada um que se encontram os grupos aos quais pertencem. Essas turmas s\u00e3o formadas pelas particularidades em comum de seus membros, e quando cultivadas, tornam-se verdadeiras comunidades, movimentando a regi\u00e3o conforme suas personalidades e costumes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, gostos compartilhados n\u00e3o bastam. As comunidades s\u00e3o intr\u00ednsecas ao local onde se estabelecem. Para o antrop\u00f3logo Jos\u00e9 Guilherme Magnani, especialista em antropologia urbana, \u201cum espa\u00e7o pode n\u00e3o ser perfeitamente adequado desde o come\u00e7o, mas ele se torna adequado quando as pessoas se apropriam dele\u201d. Al\u00e9m disso, \u201ca vasta presen\u00e7a das comunidades em S\u00e3o Paulo est\u00e1 dada pela sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, pelos elementos arquitet\u00f4nicos e sociais que ela oferece\u201d, explica Magnani.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A diversidade das constru\u00e7\u00f5es da cidade \u00e9 favor\u00e1vel para grupos que se encontram presencialmente e precisam de um local para exercerem sua sociabilidade. Dessa forma, conhe\u00e7a quatro subcomunidades que se apropriam de espa\u00e7os centrais de S\u00e3o Paulo e moldam-os com sua presen\u00e7a, transformando ou conservando tradi\u00e7\u00f5es j\u00e1 estabelecidas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>O m\u00e1gico basquete das minas no centro\u00a0<\/b><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDum-dum-dum!\u201d Uma segunda-feira fria com garoa perto das 22h, a bola atravessa a quadra enquanto um grupo de mulheres com coletes amarelos e vermelhos corre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 tabela, na ponta esquerda. \u201cP\u00e1!\u201d A bola bate na tabela e cai direto na cesta, garantindo o ponto para o time amarelo. Um coro de comemora\u00e7\u00e3o feminina ecoa pelo espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <a href=\"https:\/\/youtu.be\/Vo8WBupK5qw?si=f_Ef7y1T-ku8Jbbg\">pra\u00e7a Rotary, na Vila Buarque<\/a>, se abre logo no cruzamento da Rua Major Sert\u00f3rio com a Dr. Vila Nova. \u00c0 direita, aparece um parquinho de madeira e metal, com escorregador, balan\u00e7os e labirintos. \u00c0 esquerda, uma \u00e1rea circular de areia. Seguindo pelo caminho de pedras, l\u00e1 adiante, a quadra surge ampla \u00e0 esquerda, enquanto a marquise \u00e0 direita conduz at\u00e9 a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Iluminada pelos holofotes, a quadra ainda preserva as cores das Magic Minas: o roxo e o amarelo pintados nas bordas, logo abaixo do gradil verde, fruto da a\u00e7\u00e3o feita pela Nike em parceria com a comunidade em 2017. De longe, o colorido chama aten\u00e7\u00e3o e d\u00e1 personalidade ao espa\u00e7o. De perto, por\u00e9m, revela marcas do tempo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/magicminas?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==\">Magic Minas<\/a>? \u00c9 uma comunidade de mulheres, de todas as idades, cores, profiss\u00f5es que se re\u00fanem em quadras esportivas para jogarem basquete. Um time diversificado de m\u00e1gicas jogadoras com hist\u00f3rias \u00fanicas, com somente uma quest\u00e3o de semelhan\u00e7a entre si: o amor pelo basquete e pela coletividade feminina do grupo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4400\" aria-describedby=\"caption-attachment-4400\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4400\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foto-basquete-2-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foto-basquete-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foto-basquete-2-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foto-basquete-2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foto-basquete-2-1536x1024.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4400\" class=\"wp-caption-text\">Jogo semanal do coletivo Magic Minas, \u00e0s segundas-feiras, na pra\u00e7a Rotary. Foto: Julia Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ivana Roque, 37 anos, uma mulher negra que imp\u00f5e autoridade e respeito ao mesmo tempo que mostra do\u00e7ura em sua fala, \u00e9 uma das professoras do grupo e sorri radiante satisfeita com a partida. \u201c\u00c9 um amor que eu cultivo a cada dia, dando treino, ensinando as meninas a jogar, a se apaixonar pelo basquete como um dia eu me apaixonei\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse amor vem de longe. Ela tinha apenas quatro anos quando viu Hort\u00eancia e Magic Paula na televis\u00e3o e decidiu que queria aquilo para si. No Natal, pediu \u00e0 m\u00e3e uma bola e uma tabela. Mas sua trajet\u00f3ria nas quadras s\u00f3 come\u00e7aria aos dez, quando entrou para os treinos do Centro Ol\u00edmpico. Aos dezessete, fez uma pausa para cursar Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Hoje, de volta \u00e0s quadras, sente que reencontrou n\u00e3o s\u00f3 o esporte, mas uma parte de si mesma, algo que revive a cada treino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ivana conheceu o grupo Magic Minas por volta de 2017, quando viu nas redes sociais que existia um grupo de meninas que queriam jogar basquete, mas n\u00e3o podiam, porque elas tinham dificuldade em ocupar as quadras quando os meninos n\u00e3o deixavam. Come\u00e7ou a frequentar alguns treinos e quando teve a oportunidade, se tornou uma das professoras do grupo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, h\u00e1 7 anos sendo uma Magic, a professora afirma a import\u00e2ncia desse coletivo:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho que \u00e9 fortalecer o papel da mulher no esporte e mostrar que ela tem direito de jogar em qualquer espa\u00e7o. Que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para os homens, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os homens que podem ocupar as quadras. E que independente dela nunca ter jogado, dela j\u00e1 ter jogado em algum momento da vida delas, delas ouvirem falar de basquete, aqui \u00e9 um lugar que elas t\u00eam, um lugar seguro, porque v\u00e3o ter outras mulheres para elas conseguirem ocupar e sentir prazer na atividade do basquete.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ivana apita, e as meninas trocam o lado da quadra. Anelise, uma das mais altas do time vermelho, \u00e9 a escolhida para saltar no in\u00edcio da partida. Uma sorridente mulher, de longos cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo alto e de uma presen\u00e7a not\u00e1vel \u00e0 sua simpatia, Anelise Nobre, 37 anos, de Teresina para c\u00e1, come\u00e7ou a frequentar o grupo recentemente, em 2023, quando se mudou para a regi\u00e3o central da cidade e a Pra\u00e7a Rotary se tornou mais acess\u00edvel. N\u00e3o se sabe quando o seu amor por esportes come\u00e7ou, mas especificamente o basquete foi h\u00e1 tr\u00eas anos quando decidiu experimentar pela primeira vez e desde ent\u00e3o n\u00e3o parou por ter se apaixonado perdidamente.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, para al\u00e9m das jogadas e treinos, h\u00e1 algo que sustenta o grupo de um jeito mais profundo. Como conta a jogadora Anelise, o Magic Minas tem um valor que se revela no acolhimento entre as mulheres que ali se encontram. S\u00e3o jogadoras de todas as idades,\u00a0 dos 19 aos 57 anos, com profiss\u00f5es que v\u00e3o de um extremo ao outro, sotaques de diferentes nacionalidades e trajetos vindos dos mais diversos cantos da cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E talvez seja justamente por isso que a Pra\u00e7a Rotary, plantada no cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, se torne t\u00e3o significativa: sua localiza\u00e7\u00e3o central funciona como um ponto de converg\u00eancia, um lugar onde tantas vidas distintas conseguem se cruzar e se reconhecer.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4401\" aria-describedby=\"caption-attachment-4401\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4401\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/basquete-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/basquete-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/basquete-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/basquete-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/basquete-1-1536x1024.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4401\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Julia Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outra integrante do Magic que se identifica com a Anelise \u00e9 a Katia Damasceno, sua colega de equipe nesta partida. Uma mulher de 57 anos que n\u00e3o deve ser subestimada em quadra. Pequena, com pele e cabelos morenos, que refletem dourado sob a luz, \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o quando chega atrasada, sempre com brincadeirinhas e intera\u00e7\u00f5es com as meninas. Sua hist\u00f3ria com o Magic Minas teve in\u00edcio tamb\u00e9m em 2017, quando seus filhos estavam saindo de casa e ela estava come\u00e7ando a se sentir sozinha. Em quadra com as meninas, a solid\u00e3o vai embora, porque do mesmo jeito que hoje em dia ela acolhe outras meninas, \u00e9 assim que ela foi recebida pela Comunidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEnt\u00e3o, elas s\u00e3o mega, hiper mais jovens do que eu, n\u00e9? Ent\u00e3o eu considero todas minhas filhas. \u00c9 muito interessante, que a gente n\u00e3o se fala. A gente s\u00f3 chega e joga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o quando tem menos pessoas e a gente fica batendo uma \u2018bolinha\u2019, a\u00ed a gente vai saber o que a outra faz, de onde ela veio. E a\u00ed, a partir da\u00ed, a gente vai desenvolver uma segunda amizade\u201d, disse Katia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um movimento r\u00e1pido, Katia passa a bola para sua colega de time, mas Cristiana Tada intercepta a jogada e, com total seguran\u00e7a em seus movimentos, avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 tabela para marcar mais um ponto para o seu time.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma mulher de presen\u00e7a marcante, com 42 anos, Cristiana apresenta cabelos grisalhos que moldam o rosto com naturalidade, corpo forte e definido pelo esporte, e tra\u00e7os delicados que indicam uma ascend\u00eancia asi\u00e1tica, revela que o basquete tem diversos significados na sua vida. Ela conta que come\u00e7ou a jogar entre seus 15 e 16 anos, durante o ensino m\u00e9dio, mas que quando entrou na faculdade, ela cortou o contato com o basquete e manteve apenas as boas mem\u00f3rias de seus jogos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E em 2019 ela conheceu o coletivo, porque estava \u00e0 procura de uma atividade f\u00edsica e quis retornar ao basquete, ent\u00e3o foi \u00e0s redes sociais \u00e0 procura de um coletivo feminino, quando encontrou o Magic Minas. Ela se relembra nost\u00e1lgica de ter conhecido o grupo na Aclima\u00e7\u00e3o, e como foi bem recebida pelas meninas, motivo esse que a fez continuar at\u00e9 os dias atuais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, Cristiana teve uma h\u00e9rnia cervical que a deixou nove meses parada sem praticar atividades f\u00edsicas e abalou o seu emocional. Ela relata que depois dessa experi\u00eancia ela tem cuidado mais de sua sa\u00fade f\u00edsica praticando outros esportes e que, depois de tudo isso, o basquete ganhou um significado ainda maior para sua vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A emblem\u00e1tica cesta marcada pela Cristiana finaliza a partida garantindo a vit\u00f3ria para a equipe amarela, e apesar da vit\u00f3ria do time amarelo, as meninas reconhecem que a verdadeira vit\u00f3ria desta partida foi aproveitar a companhia uma da outra enquanto se divertiam juntas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>A Liberdade para os Cosplayers\u00a0<\/b><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Rua Galv\u00e3o Bueno, acima do viaduto, abriga uma pequena feira de brinquedos, bijuterias, itens geeks e alimentos, estendendo-se sob a ponte. Nos finais de semana torna-se dif\u00edcil caminhar pela rua, mas de segunda a sexta \u00e9 acess\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa rua \u00e9 uma das mais emblem\u00e1ticas da <a href=\"https:\/\/youtu.be\/5qjTAEW_d2k?si=3_SnfIPYAqBi6fXr\">Liberdade<\/a>, pois al\u00e9m da feira, pela rua se encontram restaurantes e lojas diversas, galerias com os mais diferenciados com\u00e9rcios e os ic\u00f4nicos personagens andando e interagindo com as pessoas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Localizada no Bairro da Liberdade, regi\u00e3o central da cidade de S\u00e3o Paulo e reconhecida atualmente por abrigar as mais diversas culturas orientais, o local tornou-se um marco simb\u00f3lico para a comunidade de Cosplayers.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cosplayer \u00e9 a pr\u00e1tica e forma de express\u00e3o art\u00edstica de representar um personagem, seja de jogo, de videogame, s\u00e9rie, filme, mang\u00e1 ou livro, o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Como Erika Halbe, 22 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo, que mesmo andando bonita e arrumada pela faculdade n\u00e3o \u00e9 expl\u00edcito visualmente o seu hobby. Seu in\u00edcio na Comunidade nasceu do simples desejo de se vestir como os personagens de animes que assistia aos 14 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, h\u00e1 oito anos sendo Cosplayer, seus principais personagens s\u00e3o a Kai\u2019sa do jogo LoL, o Naruto e a Yor do anime spy x family. Erika admite que a sua maior motiva\u00e7\u00e3o para continuar na comunidade vem da sua gratifica\u00e7\u00e3o ao receber elogios das pessoas quando est\u00e1 caracterizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enrico Leonardi tamb\u00e9m \u00e9 um Cosplayer. O estudante de engenharia mecatr\u00f4nica, de 20 anos, trabalha vestido do personagem Kamisato Ayato, personagem do jogo Genshin Impact, interagindo com as pessoas na rua e as convidando para conhecer a sua loja dentro da galeria Shopping Lotte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seu traje \u00e9 um quimono moderno em branco, azul e roxo-lavanda, com detalhes dourados e padr\u00f5es de ondas. Ele usa uma capa leve que d\u00e1 movimento \u00e0 silhueta, al\u00e9m de luvas e acess\u00f3rios aristocr\u00e1ticos. O visual se completa com o cabelo azul-claro longo preso para tr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele conta que o seu primeiro contato com a comunidade Cosplayer foi em 2018 no Anime Friends, quando ele viu v\u00e1rias pessoas fantasiadas e pensou &#8220;P\u00f4, cara, quero fazer isso tamb\u00e9m&#8221; e, logo come\u00e7ou a ir atr\u00e1s para produzir o seu primeiro papel, inspirado no personagem Todoroki.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enrico se recorda do seu segundo contato. \u201cFoi incr\u00edvel!\u201d. Animado, o jovem conta como se divertiu e tirou um monte de fotos. E foi a partir da\u00ed, com 12 anos de idade, que ele come\u00e7ou a fazer parte dessa comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a conversa no meio da cal\u00e7ada barulhenta e movimentada, o Cosplayer apresentou a sua namorada, Katia Fukasawa, 24, respons\u00e1vel pelas suas produ\u00e7\u00f5es de cosplay. Com uma tiara criativa na cabe\u00e7a de um ratinho segurando pequenas mechas de seu cabelo para cima em presilhas, a mo\u00e7a sorria simp\u00e1tica ao se virar para mostrar a sua mochila exclusiva de um fofo bichinho verde, que no centro estavam grudados diversos broches do jogo Genshin Impact, j\u00e1 dando ind\u00edcios da sua personalidade aut\u00eantica.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4399\" aria-describedby=\"caption-attachment-4399\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4399\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/liberdade-cosplayers-1-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/liberdade-cosplayers-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/liberdade-cosplayers-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/liberdade-cosplayers-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/liberdade-cosplayers-1-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4399\" class=\"wp-caption-text\">Enrico de Martins, cosplayer, e Kathy Fukasawa, cosmaker. Foto: Julia Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A galeria Shopping Lotte, onde estavam trabalhando era pequena, em formato de U. Bastava dar uma volta para percorr\u00ea-la inteira. Ao andar por ela, \u00e9 poss\u00edvel observar as lojas de eletr\u00f4nicos e bonecos ao redor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao fim dela, est\u00e1 a maior loja, que ocupa todo o fim da galeria. Uma loja de fantasias, wigs (perucas) e acess\u00f3rios de animes, mang\u00e1s, entre outros itens da cultura asi\u00e1tica. De fundo fundo, tocam m\u00fasicas de k-pop e pop enquanto clientes de todas as idades visitavam a loja.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Katia conta nost\u00e1lgica deu in\u00edcio a sua carreira como Cosmaker (criadora de fantasias de cosplay) produzindo as suas pr\u00f3prias fantasias. Desde os seus 14 anos, ela j\u00e1 procurava se vestir como os personagens do jogos que gostava, s\u00f3 que ela s\u00f3 levou o seu hobby mais a s\u00e9rio a partir dos 18 anos. E h\u00e1 quatro anos, ela produz fantasias e wigs para usar em eventos como BGS, Gamescom, Enemy Friends e, claro, ela tamb\u00e9m usa o seu namorado, Enrico, como cobaia de seus trabalhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas apesar de todas as partes divertidas de fazer parte da Comunidade Cosplayer, como o processo desde a ideia do Cosplay, passando pela cria\u00e7\u00e3o que exige criatividade, at\u00e9 o seu uso e em seguida as intera\u00e7\u00f5es caracterizado como o personagem que deseja, o casal alerta como essa comunidade pode ser t\u00f3xica em alguns momentos dependendo de com quem voc\u00ea se relaciona. Como ela \u00e9 muito ampla e abrangente, infelizmente h\u00e1 casos de preconceitos e pessoas soberbas e ignorantes que tratam mal os outros sem necessidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas no geral, tanto a Katia quanto o Enrico contam que suas experi\u00eancias como Cosplayers ajudou no quesito social. Fizeram amigos enquanto aprendiam a lidar com a timidez e at\u00e9 mesmo come\u00e7aram o relacionamento por terem se conhecido em um desses eventos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando est\u00e3o caracterizados, dizem que deixam de ser pessoas comuns e come\u00e7am a agir interpretando o personagem. \u201cA\u00ed, quando a gente entra no personagem, a gente zoa, zoa as pessoas em volta, e a gente tem um pouquinho mais de liberdade, n\u00e9, aquela coisa de m\u00e1scara social cai, porque a gente n\u00e3o tem mais vergonha quando a gente t\u00e1 de cosplay. Ent\u00e3o, o cosplay tamb\u00e9m ajuda nisso, a voc\u00ea se soltar, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o esteja com o cosplay.\u201c<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o Cosplayers sabem que o bairro da Liberdade tem um grande significado para a Comunidade. E isso se deve a diversos fatores, sendo um deles a facilidade para encontrar lojas para produ\u00e7\u00e3o de fantasias ou para cole\u00e7\u00f5es pessoais relacionadas \u00e0 cultura geek. Mas tamb\u00e9m, a arquitetura do bairro com suas pontes, lumin\u00e1rias vermelhas, dentre outras decora\u00e7\u00f5es, serve como um aut\u00eantico e deslumbrante cen\u00e1rio para fotos e filmagens, tanto para turistas quanto especialmente para Cosplayers. E por fim, o bairro oferece regularmente eventos que reunem diversos Cosplayers e dessa forma validam a pr\u00e1tica da Comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso tudo, o principal ponto que atrai a Comunidade Cosplayer para a Liberdade. Simplesmente a Liberdade. N\u00e3o somente o bairro em si, mas a liberdade que os Cosplayers t\u00eam para se expressarem de forma art\u00edstica livremente na regi\u00e3o, sem se sentirem julgados ou intimidados. Pelo contr\u00e1rio, eles se sentem agraciados com a admira\u00e7\u00e3o das pessoas sobre a sua fantasia, principalmente das crian\u00e7as que t\u00eam a inoc\u00eancia de acreditarem que de fato \u00e9 o personagem andando pela rua e correm para os seus bra\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas essa comunidade n\u00e3o seria poss\u00edvel a princ\u00edpio sem as costureiras, que assim como a Katia, trazem vida aos personagens. E um exemplo disso, \u00e9 a pioneira nisso no Bairro da Liberdade, Dona Nilza Maria. A senhora de 64, tem o seu quiosque de costuras de cosplay desde junho de 2001, na maior galeria da regi\u00e3o, Sogo Plaza Shopping. Sua loja tem fantasias espalhadas por todo canto, nos cabides ao ch\u00e3o, sob as paredes, nas mesas com as m\u00e1quinas de costura e at\u00e9 no balc\u00e3o. Al\u00e9m das roupas, tamb\u00e9m h\u00e1 fotos de inspira\u00e7\u00e3o de fantasias Cosplays pelas paredes. O que pode parecer uma bagun\u00e7a para alguns, outros reconhecem como arte, e Dona Nilza v\u00ea como o sucesso do seu trabalho. Ela conta que se tornou especialista no assunto por estrat\u00e9gia, visto que nessa \u00e9poca a demanda por costuras de Cosplay crescia cada vez mais e ela precisava manter o seu sustento. O que mais lhe fascina \u00e9 o desafio constante de sempre ter uma demanda inovadora e diferente, chegando a produzir at\u00e9 10 fantasias por dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sendo a maior galeria da Liberdade com quatro andares de lojas das mais variadas, indo desde chaveiros, bijuterias, quadros, roupas, bonecos, entre outros, sendo todos relacionados a cultura geek, mas que apesar de ser bem visitada, muitos que a frequentam n\u00e3o sabem que ela tem 27 anos. Sua relev\u00e2ncia para a regi\u00e3o est\u00e1 no fato de que sua diversidade em lojas \u00e9 de grande utilidade para a Comunidade tanto para a produ\u00e7\u00e3o de seus Cosplayers quanto para suas cole\u00e7\u00f5es pessoais. Mais do que um centro comercial, ela funciona como um verdadeiro ponto de encontro, onde colecionadores e Cosplayers n\u00e3o apenas fazem compras, mas tamb\u00e9m trocam informa\u00e7\u00f5es, dicas de produ\u00e7\u00e3o e validam suas paix\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>Xeque-Mate! Na Rep\u00fablica<\/b><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um \u00fanico pr\u00e9dio na <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/_UMdDTcJ_V4?si=AhuWLhTTme7SWzm0\">Rua Ara\u00fajo, n\u00famero 154<\/a>, na Rep\u00fablica, abriga <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">uma academia de esgrima, uma galeria de arte, uma ag\u00eancia de publicidade e uma loja de artefatos ma\u00e7ons. Al\u00e9m do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/clubedexadrezsp?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==\">clube de xadrez<\/a> do s\u00e9culo XX, em seu <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">3\u00b0 andar. Entrando ali, xadrez, xadrez e mais xadrez \u00e9 o que importa. Paulo Gaeta, um senhor ex-delegado de apar\u00eancia jovem, conta que \u00e9 estritamente para isso que est\u00e3o ali. Em anos de conviv\u00eancia na comunidade, nunca saiu para tomar um suco com um dos seus colegas nas lojas ao redor do clube.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A conversa aqui \u00e9 xadrez. Paulo tamb\u00e9m n\u00e3o sabe muito sobre a vida pessoal de cada um, mas sabe da rela\u00e7\u00e3o de cada um com o jogo. E isso basta. Diz que os que v\u00e3o todo s\u00e1bado s\u00e3o viciados na pr\u00e1tica e come\u00e7a a apontar. O de chap\u00e9u, vem todo s\u00e1bado. Aquele de costas ali, todo s\u00e1bado. Esses dois irm\u00e3os, s\u00e1bado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas mesas separadas a aproximadamente dois metros de dist\u00e2ncia cada, partidas distintas acontecem. Em uma mesa, um trio jogando o jogo e jogando conversa fora. Em outra, mais a\u00e7\u00e3o: m\u00e3os sobre a cabe\u00e7a e cenho franzido, racioc\u00ednios fisicamente expl\u00edcitos, o advers\u00e1rio movendo as pe\u00e7as mais r\u00e1pido que seu oponente. Dois observando em sil\u00eancio e em precis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4398\" aria-describedby=\"caption-attachment-4398\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4398\" src=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/xadrez-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/xadrez-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/xadrez-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/xadrez-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.comunica.blog.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/xadrez-1-1536x1024.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4398\" class=\"wp-caption-text\">Jogadores em partida cronometrada, no aqu\u00e1rio do Clube. Foto: Julia Figueiredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas a cis\u00e3o do jogo s\u00e9rio e do passatempo se d\u00e1 em outro lugar. Um dos cantos do sal\u00e3o \u00e9 separado por uma janela de vidro de cima a baixo. Ali, as mesas s\u00e3o enfileiradas, as duplas ficam mais pr\u00f3ximas umas das outras, o \u00e1rbitro vai e vem durante o jogo, a porta \u00e9 fechada e os celulares s\u00e3o desligados. \u00c9 ali, no chamado aqu\u00e1rio, que as coisas acontecem para valer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O motivo de ficar mais s\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 porque envolve dinheiro. Envolve compromisso e disciplina. Ali \u00e9 o lugar onde a aprendida disciplina \u00e9 exercida mutuamente pelos advers\u00e1rios. As regras n\u00e3o podem ser burladas. N\u00e3o se pode temperar a partida com o jeitinho brasileiro. Dentro do aqu\u00e1rio, \u00e9 o que \u00e9.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os jogos podem variar em seu tempo de dura\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas, dez, quinze minutos. O de tr\u00eas \u00e9 adrenalina pura, dentro e fora do aqu\u00e1rio. Os jogadores entram, agilizam seus processos mentais e f\u00edsicos para moverem as pe\u00e7as e apertarem o rel\u00f3gio que cronometra a partida o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Os jogadores saem e a tens\u00e3o fica no tapete do aqu\u00e1rio. Quando pisam fora dele, conversam despretensiosamente sobre a partida que acabaram de realizar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que os espera do lado de fora \u00e9 a televis\u00e3o com o placar, o chamado rating. \u00c9 ela que diz quem ganhou, com quantos pontos, e quem joga com quem a partir disso. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 a TV que diz, \u00e9 o \u00e1rbitro, o qual coordena, imp\u00f5e regras, conta pontos e percorre a sala incansavelmente durante os minutos de jogo. O cr\u00e9dito \u00e9 de Anderson Amaro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Anderson presta a aten\u00e7\u00e3o em cada um dos 15 jogos simult\u00e2neos. V\u00ea as movimenta\u00e7\u00f5es, anota pontos, apazigua discuss\u00f5es e, de tr\u00eas em tr\u00eas minutos, nesse caso, conta e libera os pontos para quem aguarda do lado de fora. Ao receberem as informa\u00e7\u00f5es, uma nova leva entra. E assim se sucede por horas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se \u00e9 isso que acontece no aqu\u00e1rio, no lado de fora as coisas continuam amistosas. Estrangeiros, imigrantes, aposentados, quem saiu do expediente de trabalho, quem est\u00e1 de folga. Todos jogando para acalento e desafio. Mas se digo todas essas ocupa\u00e7\u00f5es no masculino, n\u00e3o seria justo n\u00e3o fazer men\u00e7\u00e3o \u00e0 advogada e \u00e0 jornalista, no feminino, que ali percorrem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meio aos idosos, adultos e jovens adultos, Manuela Torres se destaca em seu vestido azul, de leveza \u00edmpar \u00e0 monotonia das paletas de cores cinzentas dos demais. Manuela joga por hobbie. Seu TCC na faculdade foi sobre o jogo e, ap\u00f3s anos, retorna ao clube pela segunda vez, n\u00e3o como pesquisadora, mas agora, como enxadrista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Luciana Maria dos Santos, por outro lado, est\u00e1 ali sempre. \u00c9 s\u00f3cia e faz jus ao t\u00edtulo, visto sua presen\u00e7a semanal. E que presen\u00e7a! Ao chegar, cumprimenta todos com sua voz doce e calma, e inicia seus jogos. Sua mansid\u00e3o n\u00e3o contradiz sua incisividade, por\u00e9m. Conversa com quem pode durante seus intervalos e volta para o esp\u00edrito competitivo, para o foco imprescind\u00edvel, em segundos. \u00c9 o que seu of\u00edcio em advocacia exige de si, e \u00e9 o que transmite em cada partida. Calma e rigor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ponto para as mulheres! \u00c9 assim que o dia finaliza. Repetindo uma cena de anos atr\u00e1s, quando Manuela era estudante, sua \u00faltima partida \u00e9 com Luciana. E o jogo acaba da mesma maneira: sem o xeque-mate. O dia termina com ponto para as mulheres. O que j\u00e1 \u00e9 o bastante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tempo passa. Fim das partidas, dos torneios, das conversas e da rapidez exigida. Os enxadristas voltam para suas casas. Calmos por terem passado a noite fazendo o que gostam, e agu\u00e7ados por todos os sentidos despertados pelo jogo. O xadrez, entretanto, n\u00e3o se limita \u00e0quele espa\u00e7o. Saem de l\u00e1 com a bagagem da aten\u00e7\u00e3o, da calma, da l\u00f3gica e dos valores incitados naquele 3\u00b0 andar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriela Silva e Julia Figueiredo\u00a0 &nbsp; O centro de S\u00e3o Paulo \u00e9 tecido pelas diferentes e mais diversas vozes. S\u00e3o as hist\u00f3rias das pessoas que moram, passeiam e circulam pela regi\u00e3o que fazem dele um centro n\u00e3o somente hist\u00f3rico, mas um centro cultural. 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