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O cinema francófono no coração da Rua Vergueiro

Quando se trata de cultura, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) é referência para os paulistanos. Inaugurado em 1982, o espaço nasceu em um momento de efervescência política e social no Brasil, pouco após o fim da ditadura militar, e tornou-se um dos primeiros espaços verdadeiramente multidisciplinares da capital paulista, abrigando a Discoteca Oneyda Alvarenga, dona de um acervo sonoro inestimável, a Gibiteca Henfil, pioneira no país, e o famoso Jardim Suspenso, localizado no topo do edifício, e que oferece uma pausa visual e um contato com o verde que muitas vezes se faz necessário em meio ao mar de construções de concreto que encontramos pela cidade.

Entrada do Centro Cultural São Paulo

No entanto, o que realmente define a identidade do centro hoje não são apenas os livros em suas estantes ou os acervos que possui, mas sim as pessoas que o frequentam pelos mais variados motivos. É um dos poucos lugares onde você vê um estudante mergulhado nos livros para passar no vestibular, um skatista e um grupo de jovens ensaiando coreografias de dança, todos utilizando o mesmo espaço, em uma inesperada harmonia.

Não haveria lugar melhor, portanto, para acolher pela segunda vez seguida um evento que nos convida a ter acesso à uma variedade de obras, das mais diversas culturas: a 2ª Mostra de Cinema Francófono.

Ocorrida entre os dias 6 e 10 de março, com uma programação que reuniu produções dos mais diversos países, como Québec, Bélgica, Canadá, França, Suíça e Haiti, o evento possibilitou que os paulistanos pudessem exercitar o seu interesse por narrativas que vão além do que lhes é oferecido através da cultura nacional e do cinema de Hollywood.

Este fato também foi notado pelo público, que afirmou que a mostra é uma rara oportunidade de acessar obras que divergem das fórmulas do cinema em que costumam ter acesso. É o que disse Fabrício Napoli, de 25 anos, estudante de Relações Internacionais na UFABC e profissional do comércio exterior, após assistir a uma sessão do longa sobre o renomado fotógrafo húngaro Gabor Szilasi:  “Eu sempre gostei muito de filmes que fogem um pouco daquela estética americana de Hollywood, de filmes de ação”.

Filme sobre fotógrafo húngaro Gabor

Para o estudante, o cinema francófono também traz abordagens mais sensíveis e humanas, explorando conceitos como o jogo de luz e sombras de forma artística e profunda.

Outro ponto destacado por Fabrício foi a adesão da população ao evento e a facilidade de acesso ao local. Napoli, que também acompanhou a 1ª edição da mostra, alegou ter observado uma mudança significativa na lotação das salas em relação ao ano anterior: “Ano passado não estava tão cheio. Hoje já tem uma presença de público um pouco maior. Acredito que a tendência é de que as próximas edições do evento estejam cada vez melhores “.

Em termos de acessibilidade ao local, o estudante ainda completa: “Acho maravilhoso que as Mostras de Cinema Francófono estejam ocorrendo aqui, pois é um local que muita gente tem acesso.”

Durante todo o evento, a entrada do público para ter acesso às produções escolhidas foi gratuita, com retirada de ingressos apenas uma hora antes de cada sessão. Possibilitando que a mostra cumprisse seu papel de aproximar a arte internacional de diferentes perfis sociais.

A 2ª Mostra de Cinema Francófono encerrou-se deixando a promessa de um retorno ainda mais robusto em 2027, reafirmando que, com acessibilidade e um pouco mais de divulgação, a capital paulista tem o potencial necessário para se tornar cada vez mais uma cidade que respira e valoriza a pluralidade de vozes do mundo francófono.

 

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