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Existe amor na Paulista: feira de adoção salva das ruas os animais domésticos

Ao caminharmos pela cidade, é comum encontrar pelas ruas o olhar pidão de um cachorro, ou entreouvir em meio às buzinas dos carros o miado tímido de um gato. Mas este cenário, tão frequente que quase se torna “natural”, representa uma crise crônica no bem-estar animal em nosso país.

Segundo dados consolidados pela Agência Brasil no ano de 2025, estima-se que existam cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados vivendo nas ruas do país, sendo que, dentro deste número, 4,8 milhões de cães e gatos encontram-se em situação de extrema vulnerabilidade. Para equilibrar essa balança, surgem iniciativas locais e independentes, que tem como objetivo resgatar esses animais e reuni-los com famílias que desejam dar à esses pets casas felizes.

 

 

Cachorros para adoção – Projeto Patinhas Felizes

 

Na Região Metropolitana de São Paulo, na região do Itapevi, é possível encontrar uma dessas iniciativas. O projeto Patinhas Felizes, atua diretamente no resgate, reabilitação e encaminhamento desses animais para adoções responsáveis.

Sem verbas governamentais fixas, o projeto depende essencialmente de uma rede de voluntários e do engajamento digital para custear ração, exames e, principalmente, as castrações, ferramenta eficaz a longo prazo para o controle populacional de animais de rua.

Os idealizadores do projeto compartilham nas redes sociais o dia a dia dos resgates, os animais disponíveis e as formas de apoiar a causa com o público geral, e semanalmente organizam feiras de adoção responsável pela cidade, em locais como a Avenida Paulista.

 

A voz de quem adota

 

Além do resgate, o destino dos animais sob responsabilidade do projeto é levado muito a sério. Para adotar, os interessados passam por uma entrevista e devem estar preparados para passar por uma verdadeira transformação no plano individual.

Quem decide abrir as portas de casa para um animal resgatado relata que o processo de adoção altera a dinâmica familiar e traz uma nova percepção sobre a responsabilidade social. É o que afirma a estudante de medicina, Mariana Alves, de 22 anos, que adotou o vira-lata Pipoca, e agora está em busca de um novo companheiro para completar a família.

De acordo com a estudante, encontrar o seu primeiro pet em uma feira de adoção foi uma experiência que a mudou por completo, a fazendo superar preconceitos e obter mais responsabilidade. “Existe muito preconceito com animais de abrigo, acham que vão vir doentes ou traumatizados. Este é um preconceito que eu mesmo tinha, mas depois que adotei o Pipoca, percebi o quão enganada eu estava. Claro, no começo ele precisou de paciência, mas hoje é super carinhoso e companheiro.”  Além disso, Marina alertou sobre a responsabilidade envolvida em cuidar de um animal. “As pessoas precisam entender que adoção é um ato de consciência, muitas pessoas pensam em adotar só para ter um bichinho fofinho (sic), mas não é assim. As pessoas precisam saber que estão lidando com uma vida”.

O sentimento é compartilhado pelo designer gráfico Thiago Albuquerque, de 39 anos, que resgatou duas gatas e defende a existência de outros projetos, afirmando que o ato de adotar deveria ser a primeira opção de quem busca um companheiro:

“Adotei minhas gatas e falo sem dúvidas que elas são a alegria da minha vida. Pouco me importa se o animal tem pedigree ou não, o amor e a alegria que eles te darão é o mesmo. É por isso que as iniciativas de resgate e adoção que existem por aí são tão importantes. E com tantos animais precisando de um teto nas ruas, não faz o menor sentido alimentar o mercado de compra de vidas.”, diz.

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