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“Mão na massa”: respiro e ajuda em meio ao caos da metrópole

 

 

 

Dona ines cozinhando para as crianças
Dona Inês cozinhando para as crianças

Por Pedro Holanda, Daniel Pereira e Vinicius Blanco 

A associação beneficente “Mão na Massa” foi fundada em outubro de 2015 por Maria Inês da Silva. Localizada no parque do Alto Bonito, na Zona Sul da capital, a associação tem a missão de mudar a vida de centenas de crianças que chegam à sua porta.

O projeto, que começou com apenas 3 crianças, oferece atualmente assistência fixa para 70 crianças e adolescentes matriculados no projeto, oficinas culinárias com crianças e adolescentes, reforço escolar com uma professora voluntária, distribuição de cestas básicas para as famílias dos alunos matriculados e assessoria jurídica com advogada voluntária, além de arrecadação e distribuição para as famílias e moradores das comunidades ao redor.

Em 2019, dona Inês perdeu o emprego. Passou, então, a manter o “Mão na Massa” com a venda de seus pães e o dinheiro que ganhou trabalhando como faxineira. Por falta de renda, ela interrompeu o curso com os adolescentes e reduziu as aulas com as crianças. Mas, no início da pandemia, um grupo de voluntários chegou até Inês para fazer doações de cestas básicas. Vendo a sua dedicação, esse grupo acabou ficando para ajuda-lá, e encontrou um novo lar e diversificando as coisas que o curso oferecia.

Apesar de já ter realizado ações no centro de São Paulo, como a distribuição de marmitas, a fundadora decidiu interromper a atuação na região após episódios de violência. “Teve uma briga muito feia lá no Largo São Francisco. Um rapaz jogou a marmita quente no rosto do outro, que reagiu puxando uma faca. Eu vi que não dava certo a gente se envolver muito com o pessoal do centro da cidade porque eles são muito violentos”, relatou Maria Inês, de 66 anos.

Os relatos da fundadora alinham-se a um contexto mais amplo de insegurança urbana: na capital paulista, 64% dos entrevistados dizem que a segurança pública piorou nos últimos 12 meses, e 43% afirmam estar sempre preocupados com o risco de ter o celular roubado, segundo o Datafolha. Essas situações pintam uma realidade que justifica a cautela da associação “Mão na Massa” em operar naquele território.

Hoje, as atenções estão voltadas para as comunidades do extremo sul. “Aqui na nossa região tem muita gente passando fome. E o pessoal só foca mais na cidade. Eu vi que a cidade já tem muita gente. Então preferimos ajudar aqui na nossa região mesmo”, explicou dona Inês. O trabalho, no entanto, vai além da alimentação. As crianças participam de oficinas educativas, atividades lúdicas e reforço escolar. “Percebemos que muitas estavam com defasagem de aprendizado, algumas com nove anos sem saber ler nem escrever. Então criamos atividades para alfabetização e matemática”, destacou Eliane Ribeiro, 62 anos, voluntária da instituição.

Os resultados já podem ser vistos. Diversos jovens que passaram pelo projeto conquistaram o primeiro emprego e alguns se profissionalizaram como padeiros, auxiliares de padaria ou seguiram carreiras em outras áreas. “A gente mostra que é possível construir um futuro diferente”, disse Inês.

 

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