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Nossa Arena: Onde elas brilham!

Por Anna Letícia Fernandes, Camila Tusato, Guilherme Rodrigues e Mariana Chávez

O futebol feminino foi proibido por mais de 40 anos, isso começou em 1941 devido à ditadura do Estado Novo, quando o presidente Getúlio Vargas assinou um decreto-lei tirando o direito de prática esportiva das mulheres. Usando o argumento de ser “incompatível com as condições de sua natureza”. As mulheres voltaram a jogar livremente no fim da ditadura militar, e em 1983, o CND (Conselho Nacional de Desportos) passou a considerar o futebol feminino aceitável e passou a regulamentar.

O futebol feminino, desde a última Copa do Mundo Feminina em 2023, vem tendo mais visibilidade e reconhecimento entre aqueles que gostam do esporte. Visibilidade essa, que há alguns anos atrás era quase impossível imaginar que teria. Alguns projetos de incentivo e apoio começaram a surgir para que essas atletas se sentissem confortáveis de praticar o esporte que gostam sem julgamentos. Esse foi o caso de Júlia Vergueiro, que tem 35 anos e criou o projeto da Nossa Arena, que fica na Barra Funda, Zona Oeste na região central de São Paulo.

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Ela acredita que o grande divisor de águas foi a Copa do Mundo de 2019, foi a primeira vez que a competição foi transmitida em escala nacional. Nesse mesmo ano, todos os times da Série A do campeonato brasileiro foram obrigados a terem uma equipe feminina profissional. Ednaldo Pereira, presidente da CBF, afirma que até 2027 todos os times das quatro divisões do masculino serão obrigados a seguir essa regra. Dessa forma,  o futebol feminino começou a ser cada vez mais normalizado pela sociedade e as mulheres começaram a poder jogar sem julgamentos. 

A fundadora contou que a ideia surgiu por conta de uma demanda muito grande de meninas e mulheres, que buscavam um espaço seguro e livre de assédio para poder praticar esportes. A casa de esporte feminino, localizada na Barra Funda, surgiu no ano de 2021, com o objetivo de ser um lugar acolhedor e livre de preconceito  para meninas e mulheres. “Agora estamos há três anos promovendo esse espaço seguro e protagonizando as mulheres no esporte”, complementou.

Julia Vergueiro, fundadora da Nossa Arena.

A fundadora do espaço também acredita que esse local seguro e inclusivo para praticar esporte é formado coletivamente, pois a Nossa Arena só consegue atingir o seu objetivo graças ao público que a frequenta. “A gente teve a coragem de colocar esse espaço de pé, mas ele não existiria se as pessoas não viessem pra cá”.

Após três anos de fundação, Júlia Vergueiro afirma estar satisfeita com a criação da Nossa Arena, e acredita que a missão da casa de esporte feminino vem sendo cumprida. “O que a gente mais gosta é ver as pessoas enxergando com naturalidade o esporte feminino, participando, engajando”. Iniciativas como a Nossa Arena proporcionam o espaço merecido do esporte feminino, o incentivando e promovendo como necessário.

 

Atletas treinando na Nossa Arena.

A próxima Copa do Mundo será realizada em 2027, e será sediada pelo Brasil. Segundo pesquisa da Sponsorlink, o interesse no futebol feminino no país cresceu cerca de 34% nos últimos cinco anos e, para Julia, a tendência é que cresça cada vez mais. “Se a gente conseguir manter essa consistência, em 2027 vamos conseguir colher muitos frutos do que está sendo construído agora”.

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