Sucesso de Jonathan de Jesus Oliveira rendeu até campanha com Pabllo Vittar
João Malandrin, Raquel Lumena e Rebecca Rachel
Uma fantasia inusitada, um microfone e um vídeo no TikTok fizeram nascer um astro. Entre muitos artistas de rua, o Porquinho da Paulista, conta com mais de 100 mil seguidores no Instagram, 400 mil no TikTok e ostenta mais de 12 milhões de curtidas. Acabou se tornando uma atração turística na mais movimentada avenida do país. A Paulista não seria a mesma sem a presença dos artistas de rua que fazem dela seu palco. São cerca de 450 artistas de rua cadastrados na cidade de São Paulo, muitos deles na Paulista, afora os muitos informais que vivem perambulando pelas estações de metrô e pelo centro da cidade.
Jonathan de Jesus Oliveira, 29, canta nas ruas há dez anos. O artista costuma se apresentar em frente ao Conjunto Nacional ou em frente ao shopping Cidade São Paulo. Também chamado de Joow J, o Porquinho da Paulista explica que se tornou artista de rua devido ao seu amor por cantar e pela música. Faz aquilo que admirava desde sempre.

Faz dez anos que Jonathan faz shows na rua, mas há apenas três se apresenta fantasiado. O artista conta que a ideia de se fantasiar surgiu com a necessidade de “fazer algo a mais” em suas apresentações, algo que pudesse diferenciar seu trabalho. “O Porquinho da Paulista foi um processo. Percebi que precisava ter um atrativo, algo diferente. Só cantar não bastava, porque as pessoas já têm acesso à música.”
Nos últimos três anos já vestiu diversas fantasias, mas foi há aproximadamente um ano que o Porquinho nasceu. Admite não dominar todas as técnicas do canto e da música. “Estou em um processo contínuo de aprendizado na prática”, afirma.
Em meio a tantos risos, interações com o público e danças animadas, Jonathan encontra desafios para superar no seu dia a dia. Por se apresentar em locais abertos, as condições climáticas acabam sendo empecilhos em alguns dias. E, além disso, como a maioria dos artistas de rua, precisa enfrentar o preconceito de pessoas que não gostam de seu trabalho e se acham no direito de denunciá-lo. Jonathan relembra o caso recente de uma colega de profissão que teve sua caixa de som apreendida por policiais, enquanto se apresentava na Paulista.

Apesar da luta diária, suas apresentações seguem com leveza. O público que o assiste não consegue imaginar a forma de resistência que é estar de pé, fantasiado e se apresentar sem medo dos julgamentos. “Sonho em um dia cantar no palco. Mas eu amo a rua.”
O Porquinho nunca planejou viralizar. Com o boom de visualizações em seus vídeos na internet, Jonathan passou a ter oportunidades que nunca imaginou que teria: diversas marcas e artistas passaram a procurá-lo em busca de parcerias. Já gravou para promoção do Burguer King, Oxxo, Duolingo e até participou de uma ação promocional com Pabllo Vittar. Apesar de toda fama, relata ainda não se considerar um influencer e costuma dizer que tudo o que vive atualmente é consequência, mas nunca foi algo premeditado.
Os comerciantes da região onde o artista se apresenta compartilham opiniões sobre ele. Marlene da Silva Silveira, 53, que trabalha com artesanato bem perto de onde Jonathan atua, é favorável ao artista. Diz que ele traz cultura e animação tanto para jovens, quanto para pessoas mais velhas. “Ele movimenta bastante por aqui e traz mais visibilidade pra mim.”
Geraldo Mendes Martins, 58, que também trabalha como artesão perto do local de apresentação do Porquinho, tem uma opinião contrária à de Marlene. “Não sinto que há mais movimento, talvez até atrapalhe, porque o pessoal fica mais focado nele.”
Jonathan parece não se importar com as críticas negativas. “Enquanto eu conseguir andar na rua, eu tô na rua”, conclui.






Um comentário
Meu amigo é o mais fofo artista de rua do mundo. Vai que a Paulista e o mundo é seu, Joow🌍🌎🌏