Por Anna Letícia Fernandes, Camila Tusato, Guilherme Rodrigues e Mariana Chávez
A Atlética de Comunicação e Artes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conhecida pelo mascote Tubarão, é uma organização com o objetivo de incentivar o esporte em ambiente universitário. Fundado em 1978, a Atlética abrange os cursos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Design. O Tubarão foi 15 vezes campeão da série ouro e uma vez da série prata do JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes). O Tubarão traz a opção de diversas modalidades esportivas para os atletas, como vôlei, handebol, basquete, natação, futebol de campo, todos com times femininos e masculinos, incluindo o futsal.
Desde 2013, as Tubarangas são um time de futsal feminino presente na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Elas fazem parte da Atlética de Comunicação da Universidade e disputam campeonatos ao longo do semestre, como a NDU, campeonato estadual de São Paulo, onde disputam a série E, e o JUCA. Foram campeãs do JUCA em 2013 e 2014 e da NDU série D em 2018. As Tubarangas continuam em busca de novos títulos e conquistas com atletas sempre novas que entram a cada semestre.

O nome de origem do time vem de uma brincadeira. De acordo com Julia Ferreira, de 29 anos, uma das primeiras integrantes do time Tubarangas, as meninas do time de futsal observavam as jogadoras de vôlei com a aparência sempre impecável, enquanto elas se julgavam “barangas”. Juntando o termo com o animal representativo da Atlética do Mackenzie, assim veio o nome original do time “Tubarangas”.
Julia começou a jogar futebol na infância. “Quando eu comecei, as pessoas nos julgavam em duas categorias. Ou éramos ruins ou nos julgavam como lésbicas “. O preconceito era revoltante, e a atleta se indignava com os comentários maliciosos. “Mesmo se eu fosse lésbica, isso não teria que ser um rótulo”, afirma Julia.

Em 2013, ano de origem do time de futsal feminino Tubarangas, Julia começou a praticar o esporte na faculdade: “Foi tudo para mim. Marcou o meu momento universitário.” A atleta destaca que, além da importância da oportunidade de praticar futsal, o time do Tubarão se diferencia e marca a experiência de todos os Mackenzistas: “Nós podemos até ter atletas mais fracos [que os concorrentes], mas o Tubarão tem um poder da amizade, que dá força para enfrentar os adversários e vencer”. De acordo com Julia, “se o Tubarão entra, é para vencer!”
Marcela Frese, de 23 anos, começou a jogar quando pequena. Ela iniciou em uma escolinha de futebol para meninos, pois não havia um espaço de prática de esportes voltado para o público feminino. Nas escolinhas de futebol, existiam situações desiguais entre meninos e meninas: “Havia momentos em que não podíamos acessar a academia ou o campo, pois a preferência era dos garotos”, ela afirma.

“A minha experiência universitária é completamente diferente hoje porque eu entrei no time”, diz Marcela. Diante a prática do esporte, o compartilhamento de experiências da vida universitária e a participação dos jogos universitários, o time se tornou uma peça fundamental para a vida universitária da atleta. “É uma família, não trocaria por nada!”, afirma.
A Tubaranga Juliana Norcia, de 18 anos, começou no esporte na época da escola. Ela menciona que enfrentou julgamentos por jogar um esporte considerado masculino, principalmente dos garotos.
Juliana entrou na vida universitária no primeiro semestre de 2024, e notou a diferença da prática do esporte na faculdade. As amizades unidas pelo time, os jogos e as festas universitárias marcam esse período tão especial dos estudantes: “É uma adrenalina totalmente diferente”. Ela menciona que as experiências vividas pelas integrantes do time no período do time das Tubarangas criou um legado para a instituição de ensino e para as universitárias.

A Tubaranga diz que o esporte feminino, em especial as modalidades de futsal e futebol, estão ganhando mais visibilidade nos dias de hoje. “Comparado com antigamente, as pessoas estão dando mais importância”, diz Norcia. Esse destaque é fundamental para a construção de um ambiente mais igual para a prática esportiva.
Julia espera que as futuras atletas não passem pelas situações desagradáveis que ela já presenciou. “Eu vejo uma crescente de melhora, fico feliz de pensar que as próximas gerações não ouvirão tantos comentários negativos quanto eu ouvi”, afirma.





