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Árabes impulsionam comércio no centro de SP

Árabes impulsionam comércio no centro

Por Caroline Callegari Chicorski e Ana Bittencourt

O comércio do centro de São Paulo, marcado pela diversidade cultural e intensa movimentação, tem na comunidade árabe uma de suas principais forças. Vindos, em sua maioria, do Líbano, Síria e Palestina, muitos imigrantes encontraram nas lojas da região uma forma de recomeçar a vida no Brasil e manter viva a própria cultura.

Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o Brasil abriga cerca de 12 milhões de descendentes de árabes, sendo considerada a maior comunidade árabe fora do Oriente Médio. Grande parte desses imigrantes e seus descendentes está concentrada na cidade de São Paulo, principalmente em bairros como Brás, Pari e na região da 25 de Março — reconhecida como o maior centro de comércio popular da América Latina, com cerca de 3 mil lojas, segundo matéria publicada pelo G1.

Ali Abdallah, libanês, relata que deixou seu país em busca de melhores condições de vida. “Saí de lá para arrumar uma vida melhor, para trabalhar, conhecer outras pessoas e outras culturas. Aqui tem chance de crescer”, afirma. Segundo ele, a recepção dos brasileiros foi acolhedora. “Ninguém trata a gente como estrangeiro. Todo mundo chama de primo, irmão. Tem muito respeito, amor e paz.”, conclui.

Esse sentimento é compartilhado por outros imigrantes. Mohamed Majed, de 22 anos, nasceu no Líbano, mas vive no Brasil desde os dois anos de idade. Apesar de ter crescido no país, afirma que nunca perdeu a ligação com a cultura árabe. “Eu só trabalho com árabes. Comemoro os feriados com minha família e frequento a mesquita. Em casa, é 24 horas falando em árabe”, conta. Mohamed também domina o português, aprendido desde a infância.

Mohamed Majed, imigrante, atende em sua loja na 25 de Março.

Ali Mansour, de 24 anos, chegou ao Brasil em busca de trabalho e estudos. Vindo da cidade de Marcaba, ele desembarcou sozinho e só depois foi acolhido pelo pai e tios que já estavam no país. A adaptação foi feita no dia a dia, com o apoio da família. “Aprendi andando com meus tios, escutando como eles falam e se comportam”, diz. Ali também destaca o acolhimento brasileiro: “Foi um país que me acolheu muito bem”.

A trajetória de Mohamed Jebai, de 55 anos, também revela o percurso de muitos imigrantes que chegaram ao Brasil em busca de estabilidade. Nascido em Beirute, no Líbano, ele veio em 1990 e passou sete anos trabalhando no Paraguai antes de se estabelecer em São Paulo, em 2001. “Foi bem legal porque já tinha bastante libaneses. Morei com meus dois irmãos que estavam lá e fui muito bem recebido. O povo é bacana, foi fácil de chegar”, conta. Dividido entre os dois países, ele admite: “Temos o amor do Brasil e o amor do Líbano. Sempre temos aquela vontade de voltar, mas, se voltamos, logo dá vontade de vir de novo para cá. Estamos divididos.”

A presença de famílias árabes no comércio paulistano não é recente. Muitas lojas são passadas de geração em geração, mantendo não apenas os negócios ativos, mas também os costumes, o idioma e os valores culturais. Mohamed Majed, por exemplo, trabalha ao lado do pai e de outros parentes. “Foi a vida inteira assim. Meus tios, meus primos… todos trabalham aqui.”

Segundo o Observatório das Migrações em São Paulo, mais de 20% dos imigrantes que vivem na cidade atuam no setor de comércio e serviços. No centro da capital, essa atuação se destaca não só pela tradição, mas também pela contribuição à economia local, geração de empregos e conexão cultural entre povos.

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