Por Débora Moura e Julia Senna
“O nome de escolha do sarau foi uma junção de duas coisas. A gente fazia antigamente na rua Olga Abujamra, no espaço que se chamava Sarau Mais Pontas, e a gente queria algo que traduzisse o que a gente acreditava como coletivo, como um evento, como propósito, mas que também homenageasse a casa onde a gente nasceu. Então a gente veio com o Mais Pontes, que acho que traduz bem isso, de interligar pessoas, e espaços e lugares, e levar diferentes linguagens e cultura de diferentes classes sociais para diferentes espaços de diferentes pessoas e extratos sociais também”, disse Henrique Riboldi, realizador do Sarau Mais Pontes.

No Novo Vale do Anhangabaú, localizado no Centro Histórico de São Paulo, acontecem inúmeras atividades e apresentações artísticas, que vão de samba rock a sarau poético. Conhecido como o “Vale da Gente”, o espaço é preparado para receber um grande público todos os dias da semana, feito para contar e criar histórias e reunir pessoas de variadas localidades, etnias e culturas. E é neste local que o Sarau Mais Pontes também reúne pessoas, sendo um espaço aberto para troca de experiências.
Sarau é um encontro cultural que agrupa pessoas de todas as idades com o objetivo de compartilhar experiências artísticas. De acordo com o dicionário Houaiss , do Toda Matéria, a origem da palavra sarau deriva do latim seranus/serum, termos que fazem referência ao “entardecer” ou ao “pôr do sol”. Por esta razão, o evento costuma acontecer normalmente ao anoitecer.
O Sarau Mais Pontes realizou mais um evento no Novo Vale do Anhangabaú no dia 22 de março. As apresentações começaram às 18h, reunindo crianças, jovens e adultos no centro da metrópole. Esse é um projeto que acontece quinzenalmente no Vale, com microfone e palco abertos para qualquer expressão artística, reflexões e discussões que visam aproximar poetas e artistas, promovendo arte independente com qualidade.

Rodas de rima, releitura de músicas, recitação de poemas e apresentação de músicas autorais por artistas independentes fizeram parte do Sarau. Ana Claudia, cozinheira de 25 anos, foi uma das artistas que se apresentou no evento. Ao lado de Henrique e Lucas, Ana se destacou com suas rimas na roda. “Participar de um sarau é aprender e passar conhecimento ao mesmo tempo, porque pode ter gente mais velha, tem gente mais nova, e a gente pode absorver com os mais velhos e ensinar também para os mais novos, então é uma troca de conhecimento. O sarau pra mim é isso, troca de informação, na rima, na poesia, de qualquer forma”, disse Ana, que se apresenta em eventos independentes desde os 13 anos de idade.
Lucas, tatuador e MC, também participante da roda de rima, comentou sobre a sensação de estar no palco. “É gratificante pra mim, entende. Parece que é o momento em que você é ouvido e consegue passar a mensagem adiante e trazer energia para a pessoa que está precisando”, Lucas participa de batalhas de rap desde os 18 anos de idade.
Com estilo irreverente, o sarau possibilita a exposição de ideias, provocações e questionamentos sobre a sociedade em que vivemos, sendo um evento de resistência, um lugar de criação de repertório político-cultural e da valorização da cultura brasileira.

Assista a reportagem completa no youtube: https://youtu.be/G71KeUt3G3o





