Altas temperaturas e tempestades geram dificuldades na locomoção de passageiros
Por Débora Moura e Julia Senna
Na capital paulista, as longas tempestades têm sido o maior problema quando se trata de mobilidade urbana, principalmente em relação aos transportes coletivos, afetando o principal público que os utiliza: os trabalhadores. No dia 24 de janeiro deste ano, a estação Jardim São Paulo- Ayrton Senna, da linha 1-Azul do metrô, localizada na Zona Norte, foi tomada pelas águas da chuva. Em poucos minutos, tanto a plataforma quanto a via foram inundadas, deixando passageiros e funcionários do metrô encurralados, abrigando-se na cabine de controle e apoiando-se em corrimãos e catracas. Além dessa, a estação Tucuruvi também ficou alagada com o alto volume de água presente na região, ficando impossibilitada de operar.

Regiane de Araújo Santos, de 37 anos, é agente de atendimento na estação Jardim São Paulo- Ayrton Senna há 11 meses, e relata que foi um momento desesperador, sendo a primeira vez que viveu uma situação como essa. “Eu saí correndo e entrei na SSO, depois que entrei não consegui sair mais, porque a água foi só aumentando. Foi horrível, não sei nem explicar. O real foi pior, foi bem pior “, diz Regiane.
Além disso, Regiane também relatou que não há nenhum tipo de treinamento para os funcionários de como agir em situações de enchentes, mesmo após o ocorrido no dia 24. “Não recebemos nenhum tipo de orientação. Ter um treinamento ajudaria, por que por exemplo, não conseguimos nem salvar a gente, fomos salvos por outras pessoas, e nem salvar as pessoas que realmente precisavam de ajuda. Se o policial não tivesse aparecido e tirado a mãe e a criança para um lugar seguro, não teria muito o que fazer”, contou Regiane durante entrevista.

Durante o período da enchente e manutenção, a linha 1-Azul funcionou apenas no trecho entre as estações Jabaquara e Santana. Dessa maneira, a multidão de pessoas nas estações gerou trânsito e superlotação em terminais de ônibus, atrasando a chegada de muitos passageiros em suas casas.
A passageira Yasmin Caitano, que utiliza os serviços das linhas de metrô e trem da capital paulista para se deslocar de sua casa para o trabalho e faculdade, relata a experiência no dia da enchente. “Foi o pior dia que eu vivi em São Paulo, o trajeto que eu levo 2 horas, levei 6 horas”, contou ela. As estações voltaram à normalidade após três dias do ocorrido.
Nesse mesmo dia, os moradores da cidade de São Paulo receberam pela primeira vez um “alerta de chuvas severas”. As notificações que apareceram nas telas de celulares, emitidas pela Defesa Civil, são divididas em dois tipos: extremo e severo. Porém, não são só as altas temperaturas geradas pelas mudanças climáticas que preocupam. Com a previsão da chegada da frente fria em São Paulo, na segunda semana de março, a Defesa Civil terá um gabinete de crise e é esperado que as chuvas voltem a ser intensas e que haja ventos de até 80 km/h na região metropolitana. Além de SMS, o site do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo (CGE) reúne notícias, tendências para os próximos dias e os pontos de alagamento, classificando-os como transitáveis ou intransitáveis.
Com a previsão de uma mudança repentina nos termômetros, a meteorologista do site Tempo OK, Kerollyn Andrzejewski, esclarece: “Eventos extremos como ondas de calor ou chuvas muito volumosas, devem ser cada vez mais frequentes, e é uma condição que o ser humano precisa se adaptar, pois já estamos vivendo as consequências das mudanças climáticas”. E conclui: “Nesse caso, a meteorologia entra com tudo, trazendo inovação e tecnologia para prever de forma mais precisa e com maior antecedência esses acontecimentos extremos, para alertar a população, buscando formas de contorná-los e de se proteger dessas situações” .






