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Calor extremo na capital ainda precisa de atenção para se tornar suportável

Por Camila Galones e Tais Souza

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O calor extremo vem se fazendo presente na realidade dos paulistanos. Em 2023, a ONU emitiu um alerta para a humanidade de que precisamos nos cuidar porque a Terra que conhecemos já não será a mesma. No dia 17 de fevereiro, a cidade de São Paulo registrou a maior temperatura do ano de 2025: 35,4°C na Vila Mariana, zona oeste da capital, de acordo com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. Esse foi o começo de uma onda de calor de quase um mês, enquanto isso a maior metrópole brasileira se mostra a cada dia, menos preparada, e a desigualdade climática que estamos vivendo fica ainda mais evidente, onde a diferença pode ser de até 10 graus entre os bairros paulistanos. 

Na zona central em que há maior concentração de automóveis e de pessoas, o calor pode ser ainda mais latente. Por isso, desde setembro de 2023, a Secretaria Municipal da Saúde colocou em vigor a Operação Altas Temperaturas, que atende tanto em situações de altas temperaturas, mas também em situações de baixa umidade. A operação coloca uma tenda em dez pontos da cidade, sendo dois deles na região central –  na Praça da República e na Praça Marechal Deodoro.

Plataforma da Estação República do mêtro de São Paulo. Foto por: Camila Galones (28/02/2025)

No ponto situado na Praça da República, onde estavam servindo, gratuitamente, chá gelado, copos d’água de 200ml e garrafas d’água de um litro geladas, Talysson, que estava de passagem pelo centro apenas para resolver algumas pendências e aproveitou para se refrescar na tenda, compartilha sua opinião: “Eu acho que essas tendas foram muito bem pensadas pelo Governo de São Paulo, mas eu acredito que deveriam ter em mais locais. Por mais que o centro tenha um grande ponto turístico, de pessoas, há outros lugares com uma necessidade maior dessa tenda.”

Tenda da Operação de Altas Temperaturas ofericida pela Prefeitura de São Paulo, na Praça da República. Foto por: Tais Souza (28/02/2025)

Mas o problema não se resume a isso. O despreparo nos transportes públicos também é alvo das preocupações dos cidadãos. Porém, deveria ser uma preocupação maior do Estado.

Passageiros ficam em média 2 horas e 47 minutos por dia no transporte público de São Paulo. Foto por: Camila Galones (28/02/2025)

Em 2016, a prefeitura sancionou a lei de obrigatoriedade do ar condicionado em pelo menos 80% da frota de ônibus da capital paulista. Mas para Luma, que relatou passar pelo menos 3 horas dentro do transporte público todos os dias, essa não é a realidade: “Eu estava até falando com a minha mãe esses dias, que parece que é uma coisa, só vêm ônibus sem ar-condicionado quando tá calor, e é horrível. Não deveria existir ônibus sem ar-condicionado, não dá.”, ela conta. Luma também nos disse que é normal ver pessoas passando mal dentro do transporte público. Em setembro de 2024 – quase nove anos após a lei de obrigatoriedade –, em nota para o UOL Notícias, a prefeitura afirmou já ter equipado em cerca de 92% da frota de ônibus em circulação, os sistemas de refrigeração.

Cerca de 92% da frota de ônibus em circulação apresentam ar-condicionado na capital paulista. Foto por: Camila Galones (28/02/2025)

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