Por Camila Galones e Tais Souza
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O calor extremo vem se fazendo presente na realidade dos paulistanos. Em 2023, a ONU emitiu um alerta para a humanidade de que precisamos nos cuidar porque a Terra que conhecemos já não será a mesma. No dia 17 de fevereiro, a cidade de São Paulo registrou a maior temperatura do ano de 2025: 35,4°C na Vila Mariana, zona oeste da capital, de acordo com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. Esse foi o começo de uma onda de calor de quase um mês, enquanto isso a maior metrópole brasileira se mostra a cada dia, menos preparada, e a desigualdade climática que estamos vivendo fica ainda mais evidente, onde a diferença pode ser de até 10 graus entre os bairros paulistanos.
Na zona central em que há maior concentração de automóveis e de pessoas, o calor pode ser ainda mais latente. Por isso, desde setembro de 2023, a Secretaria Municipal da Saúde colocou em vigor a Operação Altas Temperaturas, que atende tanto em situações de altas temperaturas, mas também em situações de baixa umidade. A operação coloca uma tenda em dez pontos da cidade, sendo dois deles na região central – na Praça da República e na Praça Marechal Deodoro.

No ponto situado na Praça da República, onde estavam servindo, gratuitamente, chá gelado, copos d’água de 200ml e garrafas d’água de um litro geladas, Talysson, que estava de passagem pelo centro apenas para resolver algumas pendências e aproveitou para se refrescar na tenda, compartilha sua opinião: “Eu acho que essas tendas foram muito bem pensadas pelo Governo de São Paulo, mas eu acredito que deveriam ter em mais locais. Por mais que o centro tenha um grande ponto turístico, de pessoas, há outros lugares com uma necessidade maior dessa tenda.”

Mas o problema não se resume a isso. O despreparo nos transportes públicos também é alvo das preocupações dos cidadãos. Porém, deveria ser uma preocupação maior do Estado.

Em 2016, a prefeitura sancionou a lei de obrigatoriedade do ar condicionado em pelo menos 80% da frota de ônibus da capital paulista. Mas para Luma, que relatou passar pelo menos 3 horas dentro do transporte público todos os dias, essa não é a realidade: “Eu estava até falando com a minha mãe esses dias, que parece que é uma coisa, só vêm ônibus sem ar-condicionado quando tá calor, e é horrível. Não deveria existir ônibus sem ar-condicionado, não dá.”, ela conta. Luma também nos disse que é normal ver pessoas passando mal dentro do transporte público. Em setembro de 2024 – quase nove anos após a lei de obrigatoriedade –, em nota para o UOL Notícias, a prefeitura afirmou já ter equipado em cerca de 92% da frota de ônibus em circulação, os sistemas de refrigeração.

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