Espaços pet friendly ganham força em São Paulo
Por Caroline Callegari e Ana Bittencourt

O aumento do número de pets nos lares brasileiros tem transformado a forma como as pessoas se relacionam com a cidade. Com mais cães e gatos dentro de casa, cresce também a procura por espaços onde os tutores possam levar seus animais para passear, brincar e socializar, uma demanda que nem sempre encontra resposta à altura em grandes centros urbanos, como São Paulo.
A estudante de Direito Julia Pires, de 22 anos, é tutora de uma cachorrinha e diz frequentar com frequência locais voltados para animais. “Costumo frequentar até porque eu tenho uma cachorrinha, ela é bem bebê, então ela é muito brincalhona, muito espoleta, e eu acho que faz bem para o cachorro. Como fica muito dentro de casa, eu acho que faz bem para o cachorro sair, no mínimo, duas vezes por dia.”, diz a estudante.
Para ela, um espaço pet friendly precisa ir além da permissão de entrada dos animais. “Eu acho que é bom ser um espaço grande, ter potinhos de água, de comida, porque o cachorro vai brincar, vai ficar com sede, saquinhos e brinquedos que os cachorros possam interagir, ou interagir entre si, entre eles também, que seja um espaço bem legal.”
Apesar de São Paulo já contar com algumas opções, Julia relata dificuldades. “Já tive dificuldade de encontrar lugares pet friendly, principalmente em cidades grandes como São Paulo. Normalmente, espaços assim a gente encontra mais na praia, no interior, que eles são mais acolhidos em relação a isso. São Paulo é difícil.”, comenta.
Ela acredita que a criação de mais espaços voltados aos pets é importante também para os tutores. “Acho muito importante, até porque tem donos, né, mães de pets, pais de pets, que às vezes não conseguem sair sem o seu pet e às vezes deixam de ir em lugares por conta do próprio cachorrinho ou da cachorrinha.”
Questionada se acredita que as pessoas estão trocando filhos por animais de estimação, Julia responde: “eu posso dizer que sim, assim, porque… custo-benefício, né? É bem menor. E tem gente também que às vezes não quer ter filho e às vezes pega um pet para cuidar… quer ser mãe de pet, gente. Pai de pet.”
Ela ainda relata que já foi impedida de entrar em vários locais com a cachorra. “Já, muitos. Principalmente em São Paulo. Às vezes eu tô na rua, saí pra passear com a cachorra, ou às vezes vou em algum lugar, preciso ir numa farmácia, ou às vezes parar para comer alguma coisa, e tem muitos restaurantes que não aceitam, muitos lugares.”
A publicitária Joana Ribeiro, de 54 anos, também convive com a realidade de ter pets em casa, no caso, uma cachorrinha e uma gata. “Sim, eu tenho uma gatinha.” Ao ser questionada se a gata sai, responde: “Não, ela nunca sai, só quando vai ao veterinário.”
Ela afirma que sempre procura por locais que aceitem animais. “Sempre, sempre que a gente vai a algum restaurante, alguma coisa, o hotel, eu procuro ver se aceita.” E confirma que já precisou mudar de planos por conta da falta de acessibilidade.
Para Joana, esses espaços são fundamentais. “Eu acho, principalmente porque hoje quase todo mundo tem um bicho em estimação, né? E a gente está sempre querendo ficar com eles.”, disse.
Sobre a ideia de que há uma substituição dos filhos por animais, Joana é mais cautelosa. “Não necessariamente, né? Porque todo caso tem uma exceção. Algumas pessoas acreditam que sim, faz uma transferência para o animal e isso eu acredito que possa ter sim.”
As falas de Julia e Joana refletem um cenário em que os animais de estimação ocupam um lugar cada vez mais central na vida urbana. No entanto, mesmo com a crescente humanização dos pets e o avanço do mercado pet friendly, São Paulo ainda caminha a passos lentos para se tornar uma cidade verdadeiramente inclusiva para todos os seus habitantes, humanos ou não.



