Frequentadores defendem o Minhocão como espaço de lazer, criticam a falta de propostas da gestão Ricardo Nunes e rejeitam a ideia de demolição.
O Minhocão vive um futuro incerto, conforme estabelecido pelo atual Plano Diretor. Até 2029, está programada a desativação do elevado para veículos de passeio. Há discussões sobre o destino da via após essa data: transformá-la em um parque ou promover sua demolição definitiva.
O atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), ainda não tomou uma decisão final. Ele já declarou que a população será consultada e que será realizado um plebiscito para definir a opinião definitiva dos cidadãos. No momento, o prefeito estuda a extensão da avenida Marquês de São Vicente para viabilizar a desativação do elevado, que pode ser transformado em uma área semelhante ao “High Line”, em Nova Iorque.

O Elevado João Goulart, conhecido popularmente como “Minhocão”, foi inaugurado em 25 de janeiro de 1971 pelo então prefeito Paulo Maluf. Sua construção tinha como objetivo solucionar os problemas viários de interligação da região central com as zonas leste e oeste da capital. Na época, foi considerada a maior obra viária urbana da América Latina, com 2,8 quilômetros de extensão.
O que diz a população
Para as amigas Paula Mirandez, 37, e Ana Cláudia Santoro, 35, a desativação do viaduto representa uma perda significativa para quem encontra no espaço um ponto de lazer e convivência. “É um dos lugares mais legais da cidade, muito diverso, onde dá pra caminhar com o cachorro ou simplesmente passear sozinho. É triste saber que vai desativar”, lamenta Paula. Ana Cláudia complementa destacando a ausência de alternativas claras por parte da gestão municipal: “Sempre anunciam mudanças sem apresentar propostas concretas para compensar os impactos na mobilidade e no lazer dos moradores.”

José Rogério, publicitário de 53 anos, utiliza o Minhocão de três a quatro vezes por semana, na maioria das vezes de carro, mas também como caminhada em algumas ocasiões. Ele se diz a favor da desativação, sobretudo após a inauguração da linha laranja do metrô, e considera viável a transformação em um “High Line” paulistano. Embora reconheça que a mudança não impactaria de forma grave sua rotina, faz críticas à demora do prefeito Ricardo Nunes: “Não tem uma posição urbanística clara”.
Já para Gabriel Justo, 30 anos, o destino ideal do Minhocão passa pela desativação definitiva para os carros e pela transformação em parque. “É melhor aproveitar o que já existe do que gastar ainda mais dinheiro em uma demolição. Não dá pra destruir e reconstruir sem pensar nos custos e impactos ambientais”, argumenta. Para ele, a mudança traria benefícios diretos à população que já utiliza o espaço aos fins de semana, permitindo que o viaduto se torne, um ponto de lazer e convivência na capital paulista.





