O ditado popular diz que crianças aprendem mais rápido. Com apenas três anos de idade, Carolina, começou a frequentar a Feira Benedito Calixto com a sua mãe. Entretanto, diferente de sua mãe, que vendia pratarias e antiguidades, a pequena fazia os seus negócios com gibis que ela encontrava na portaria de seu prédio.
Com apenas um lençol posicionado no chão ao lado da barraca de sua mãe ela começou a dar continuidade a um legado, que posteriormente viria a assumir. Carolina Scipião, 45 anos, atualmente ganha a vida com os negócios da loja, batizada carinhosamente de “Rainha da prataria” após assumir o negócio quando sua mãe aposentou durante a pandemia.
Os produtos da loja variam desde prata e metais a itens de decoração para casa. E mesmo com a rotina corrida, na qual ela acorda às 4h da manhã para estar na feira em até uma hora, esperando que tenha tempo o suficiente para arrumar a barraca até as 9h, é possível observar nos olhos de Carolina a paixão que ela tem pelo seu negócio. “Minha mãe e minhas tias trabalharam aqui, vêm do coração e passa de geração para geração”, conta.

A Feira da Praça Benedito Calixto, situada em São Paulo, no bairro de Pinheiros, é um passeio cultural que fornece um encontro de gerações. Lá é possível encontrar antiguidades, obras de arte, roupas, discos, livros, objetos de decoração e muito mais. Além do passeio cultural, existem diversas opções gastronômicas; diferentes barracas de comida ficam localizadas no meio da feira oferecendo pastéis, churros, pizzas e doces. Acontece desde 1987, com vendedores leais que a frequentam há mais de 30 anos, como Edna Carabolante, 65 anos, que vende louças e cristais.
Carabolante vende na feira desde o ano de sua inauguração, tendo-a como sua principal fonte de renda, já que, diferente de outros vendedores, ela não possui uma loja física. Contudo, fica nítido que seu sucesso é resultado de seu carisma.
Durante uma conversa descontraída com um cliente, Carabolante conta com orgulho sobre sua descendência italiana, enquanto aproveita a oportunidade para divulgar as promoções da loja. Uma dúvida frequente entre os visitantes da feira é de onde vêm os produtos. Para alguns vendedores eles vem de seu acervo pessoal. Entretanto para dona Edna a história é outra. Ela relata que grande parte de suas mercadorias vem dos próprios frequentadores da Benedito Calixto; muitos acabam vendendo aquilo que não os serve mais. “Às vezes as pessoas estão mudando ou a família não está mais aqui, e elas procuram por nós”, diz.
Detalhes das barracas e peças expostas na feira de antiguidade.
De acordo com o Relatório Fonográfico Brasileiro, o ecossistema que engloba gravação, produção e distribuição de obras musicais no Brasil, a procura da Geração Z por discos cresceu em 136,2% em relação a 2022, acumulando o valor de vendas em R$ 11 milhões. Essa popularização aconteceu após diversos artistas atuais, como Taylor Swift ou Jão, apostarem na mídia física e no retorno do toca-discos, provocando um interesse nos jovens.
É difícil medir até onde a paixão pela música pode alcançar, pois para Pedro Provasi, 72 anos, além de cantar de tenor no Coral e Orquestra Del Chiaro, ele sempre colecionou vinis, chegando ao número de 13 mil discos acumulados. Com muitos itens e pouco espaço, ele começou a vender parte de sua coleção na Feira Livre do Vinil, em Santo André, da qual ele é mentor, e mais tarde passou também a vender na Feira Benedito Calixto.
Um público-alvo que antes era composto por aqueles que viveram a era de ouro do vinil, hoje é mais amplo. Provasi recebe pessoas de todas as idades em sua barraca, o que, para ele, além de ser bom para os negócios, é encantador observar o interesse dos jovens por essa forma de mídia. “As mídias vão e voltam, e parece que as pessoas estão descobrindo que ouvir um disco cansa menos a mente”, conta.
A Feira Benedito Calixto acontece todos os sábados das 9h às 17h, proporcionando um passeio completo para os caçadores de antiguidades.
Para saber mais acesse:

https://vm.tiktok.com/ZMAaDcfBE/




