Em 2025 o brasileiro está mais interessado em passar o seu tempo livre nas redes sociais do que aproveitando uma boa leitura. De acordo com a obra “Retratos da Leitura no Brasil”, distribuída pelo Instituto Pró-Livro, 81% da população nacional afirma não ler.
“Eu fui me interessando por livros antigos na adolescência e minha ideia com esse museu foi encontrar um destino para esse gosto”, disse Pedro Zimmermann, coordenador do Museu do Livro Esquecido. Localizado na rua Santa Luzia entre a Sé e a Liberdade, a exposição conta a história do livro a partir de um acervo de obras raras.
O museu foi inaugurado em agosto de 2024, e ocupa um casarão histórico no centro de São Paulo. A residência pertencia ao arquiteto Felisberto Ranzini, imigrante italiano que projetou a casa em estilo florentino e mudou-se com a família em 1924. Hoje a casa foi reformada para guardar o acervo do museu, porém mantém características arquitetônicas marcantes para mostrar sua história. “Nós estamos em uma casa histórica, com mais de 101 anos. O importante para nós com a reforma é mostrar que ela continua preservada”, contou Pedro.

Linha do tempo sobre o Casarão Histórico
As exposições do museu mudam a cada ano. A atual é “O Triunfo da Vaidade: Matias Aires e suas Reflexões”. Ela expõe algumas das primeiras obras do filósofo brasileiro do século XVIII e traz reflexões provocadoras sobre o domínio da vaidade na sociedade contemporânea. “Matias Aires foi o primeiro filósofo brasileiro, e publicou seu livro chamado ‘Reflexões sobre a Vaidade dos Homens’ que é uma reflexão muito crua, muito pessimista, digamos assim, sobre a condição humana”, explicou Pedro.
Pedro aprofundou seu conhecimento pela história do livro durante sua graduação em psicologia, que o levou a iniciar o projeto do museu. Como um dos idealizadores da exposição, ele espera que os visitantes, amantes ou não de livros, saiam do museu com uma nova apreciação às obras físicas. “Espero que seja algo interessante para a pessoa, para ela descobrir coisas novas. E, a outra parte, pessoas que não se interessam a princípio por isso passem a ter um novo olhar sobre os livros. Talvez escrever, que é uma coisa tão despretensiosa, tão singela, pegar um papel e caneta e escrever, possa ser um instrumento no dia a dia da pessoa”, declarou.
Vinícius Oliveira, é historiador e trabalha no museu com orientação ao público, como Pedro ele também descobriu uma paixão pela história do livro. Esse interesse o levou a realizar seu mestrado e o Museu do Livro Esquecido foi o lugar ideal para aprofundar seu conhecimento. “O meu mestrado foi sobre a história do livro, então encontrar um lugar que guarda tantos exemplares e preza por essa arte foi ideal”, expressou.
Durante as visitações, Vinícius auxilia o público a se orientar pelo museu. Na exposição atual ele espera que os visitantes sejam provocados e sintam o impacto de Matias Aires. “Nós esperamos, especialmente na exposição que está em cartaz agora, que o público seja provocado. E ao sentir essa provocação que eles venham conversar com a gente”, relatou.
Detalhes sobre a exposição do Matias Aires
Quando os visitantes chegam ao museu, eles recebem instruções e podem vagar de forma livre pela exposição. Todas as salas possuem um fator imersivo, como música ambiente ou citações dos autores nas paredes, e o público pode escolher realizar um tour guiado com fones de ouvido que fornecem mais detalhes de cada cômodo.
Vinícius destacou que sua expectativa com a visita de alguém ao museu é que o indivíduo saia com uma mentalidade diferente do que a inicial. “Então é mais ou menos isso que a gente espera dos visitantes, que eles venham, sintam alguma coisa, sejam provocados, pensem em coisas diferentes a partir da exposição e conversem com a gente depois”, explicou.
O Museu do Livro Esquecido é aberto todos os sábados e domingos das 10h às 17h, com ingressos à venda on-line. O museu também oferece eventos mensais, como clube de leitura e oficinas de desenho.

Infográfico sobre a localização do museu
Para saber mais acesse:
@conexaocentro Conheça o Museu do Livro Esquecido. Localizado entre a Liberdade e a Sé, o museu conta com um acervo de itens raros. Os ingressos são vendidos no Sympla 📚







