Gabriel Rodrigues, Leonardo Brito e Levi Kassardjian
Desde 12 de junho deste ano, a Prefeitura de São Paulo está realizando a reforma da Rua Santa Ifigênia, o principal polo de comércio de eletrônicos da cidade. As obras integram um projeto de revitalização do centro, focado na requalificação de ruas temáticas.
A reforma, acordada após discussões com os comerciantes locais, prevê a retirada de aproximadamente 170 vagas de estacionamento para dar lugar ao plantio de árvores, requalificação de calçadas, dentre outras.
A história da Rua Santa Ifigênia, famosa atualmente por seu comércio de produtos eletrônicos, teve sua origem em 1810, quando foi aberta pelo Marechal Arouche de Toledo Rendon. Inicialmente, assim como as ruas vizinhas, abrigava residências de figuras importantes e da elite paulistana. Com o passar do tempo, entretanto, sua função comercial se consolidou como a principal características da região.
Reforço no policiamento, revitalização de prédios centenários, modernização de lojas tradicionais, são mudanças que os comerciantes da Santa Ifigênia começam a implementar para recuperar o movimento prejudicado pela Cracolândia no centro da cidade.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, no ano passado foram registrados 913 furtos e 600 roubos na região da Santa Ifigenia. Apesar dos prejuízos, os lojistas não desistiram de investir e cobrar providencias do poder público para salvar o comércio local.




Para Andrei Jackson, 54, vendedor de uma loja entre a Rua Santa Ifigênia e a Avenida Ipiranga, na questão de segurança, “não tem o que falar, ela está bem segura. Acredito que o que falta mesmo, seria uma melhor divulgação do local pelas emissoras, pelo fato delas ficarem falando que aqui só tem roubo, noia, isso ou aquilo.” E ele diz que quando chegou era tudo diferente, “quando cheguei na década de 80, ninguém andava nessas ruas de tanta gente e nunca teve problema” e quando questionado das obras ele diz: “se fosse um boulevard seria melhor, mas não alteraria em quase nada os comércios daqui”.
Como marco, o projeto de revitalização da Santa Ifigênia faz parte de um conjunto maior de intervenções urbanas que estão sendo implementadas no centro de São Paulo, com foco em melhorar a qualidade de vida de quem frequenta, trabalha ou mora na região.
Mas para Juliana Sacramento, 41, comerciante da região, as reformas na Santa Ifigênia estão trazendo muitos problemas para os comerciantes. “Não ajudou em nada, porque desde fevereiro deste ano, o comércio caiu muito por causa destas obras”. Completa que “as pessoas não passam muito aqui e quase não vendemos nada. Hoje não vendemos nem 10% do que vendíamos antes dessas obras e isso não é só no nosso comercio, em outros também”.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura em sua página, “o objetivo da ação é tornar a Rua Santa Ifigênia mais atrativa, segura e confortável para moradores da região e frequentadores, incluindo a grande quantidade de turistas que visitam o local. Em colaboração com os comerciantes locais, o projeto de requalificação foi apresentado e debatido entre a Prefeitura e os lojistas. Essa interação fortaleceu o diálogo e ampliou a cooperação entre poder público e sociedade civil”.





O plano prevê a renovação de calçadas e vias públicas, a modernização da iluminação e novas câmeras de segurança foram instaladas, a criação de espaços de convivência e a restauração de prédios históricos. Um dos principais objetivos é integrar melhor a Santa Ifigênia ao fluxo turístico e cultural da cidade, aproveitando sua proximidade com outros pontos importantes como a Estação da Luz e a Pinacoteca, por exemplo.
Arthur Jorge Abduch, 50, dono de um comércio entre a Rua Santa Ifigênia e a Rua Aurora, diz que falta a mídia parar de mostra aquele fluxo da Cracolândia, que infelizmente existe, mas não se resume a isso. As pessoas têm que vir para o centro e vê como o centro é rico, é bonito”. Para ele, “qualquer iniciática seja ela público ou privada que vise a melhoria da cidade como um todo, seja calçamento, segurança ou iluminação, acho que deve ser apoiada. É lógico que vai trazer transtorno talvez para o transporte de carga, para o transeunte na calçada ou para entrar na minha loja, mas temos que pensar como comunidade. Então qualquer iniciativa que vise a melhora, sim ela é válida”.
A Santa Ifigênia é a maior rua de comércio de produtos eletrônicos da América Latina. Segundo a União dos Lojistas, o lugar já teve uma circulação de até 100 mil pessoas por dia; mas hoje, a média não passa de 10 mil. As ações de revitalização visam também restaurar a notoriedade da região como um polo tradicional de turismo de compras, consolidada ao longo do tempo.





