Home / Vintage / Crescimento e impacto dos brechós em São Paulo

Crescimento e impacto dos brechós em São Paulo

Valentina Cruz

Antonia Mendes, dona do Ava Brechó, que está indo para a Cuba Colaborativa, na Galeria Metrópole, afirma que nos últimos dez anos os brechós cresceram notavelmente. Ela aponta que “em geral, as pessoas, elas criaram um interesse pela roupa de segunda mão”. De acordo com um relatório do mercado de revenda online ThredUp, com dados de 2024, consumidores de todo o mundo estão comprando mais sapatos, acessórios e roupas usadas. No ano passado, gastaram US$ 227 bilhões em roupas usadas, o que representa quase 10% de todos os gastos globais com roupas.

De acordo com o levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), mais de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados anualmente no Brasil. “O segundo setor que mais polui no mundo é a indústria da moda”. Essa é uma afirmação de Edymüller Araujo, gerente do Peça Rara Brechó Higienópolis. Nesse contexto, Edymüller conta que a sustentabilidade é o maior benefício do brechó. Ele diz que esses estabelecimentos tornam maior o tempo de vida das peças.

Arara e manequim de roupas no Peça Rara Brechó Higienópolis

A pesquisa do Instituto de Economia Gastão Vidigal, junto com a Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP), de 2022, mostra um aumento de quase 30% nas vendas de brechós. Em 2021, o faturamento chegou a R$2,9 bilhões.

Para Antonia, o uso de um item, acessório ou roupa de segunda mão foi superado. Segundo ela, hoje em dia, as pessoas olham para esses itens de outra forma. Aquelas que não consumiam agora compram esse tipo de produto ou pensam na possibilidade de comprar. Gabriela Tanaka, 20, estudante de arquitetura na Univap (Universidade do Vale do Paraíba), conta que começou a frequentar brechós em 2021, quando viu conteúdos na rede social TikTok sobre esse tipo de estabelecimento. Gabriela diz que atualmente metade dos acessórios que usa no dia a dia foram comprados nesses locais.

A estudante conta que, muitas vezes, o preço das peças é bom nos brechós. Além de encontrar neles roupas únicas, que não são achadas em lojas de departamento de roupa, de acordo com ela. Antonia Mendes também fala que nos brechós é possível encontrar peças de diferentes épocas e estilos. Ela fala que nesses locais têm pessoas dispostas a conversar, o que gera conexões.

Os brechós também são separados por níveis de preços ou estilos de roupas vendidos. Eles podem ser classificados como vintage, de luxo, de grifes menos conhecidas, entre outros. Assim, eles podem atender aos diferentes tipos de público.

Unidade do Peça Rara Brechó localizado na rua Maria Antônia, na Vila Buarque, em São Paulo

Edymüller aponta que no Peça Rara Brechó Higienópolis, em específico, as redes sociais são muito utilizadas para a propagação da ideia do brechó. A empresa busca manter ligações com pessoas importantes e influentes, como faz com a atriz brasileira Deborah Secco, sendo uma pessoa de influência na divulgação da empresa atualmente. A Peça Rara já fez parcerias com outros artistas, como com a apresentadora e atriz Adriane Galisteu, “para que a gente impulsione cada vez mais a ideia da reutilização”, conta Edymüller.

O gerente também fala que as vendas online são expressivas, porém, a internet, para eles, é muito mais utilizada para atrair as pessoas a conhecerem e abraçarem a ideia do brechó do que para vendas.

Antonia acrescenta que gostaria que os negócios de segunda mão fossem mais incentivados pela sociedade. “Até agora a sociedade, ela é induzida a consumir. E muita gente percebeu que consumiu muito e que olhou para trás e esse consumo não significa tanta coisa, principalmente depois de uma pandemia”. Ela também fala sobre a importância da troca de produtos entre as pessoas, a venda de desapegos e sobre o incentivo para as feiras que vendem esses itens.

Para mais detalhes, acesse:

Autor

+ posts