[metaslider id=”1132″]
Ana Mello, Jullia Silva, Luís Brito e Sarah Lopes
A origem dos chamados cinemas de rua data do início do século XX, com o seu auge entre as décadas de 1930 e 1960, ainda se mantendo como uma forma notável de entretenimento e experiência cultural até os anos 1990. No entanto, esses espaços perderam muita popularidade nas últimas décadas, inicialmente disputando com os VHS, depois com os cinemas em shoppings e, mais recentemente, com as plataformas de streaming.
Para Érica Bezerra, 41, atendente do Cinema Marabá, essa disputa com o ambiente digital tem se mostrado dura. “Nos últimos anos, tem sido difícil competir com os streamings. Acho que o cinema, assim como o teatro, tem se tornado mais uma opção para ‘fazer algo diferente’ em um dia livre, do que uma atividade cultural”, opinou Érica. Para ela, apesar da tentativa de publicidade pelas redes sociais do cinema, os clientes são atraídos, principalmente, por uma razão hereditária e histórica. “Acredito que a maioria do nosso público vem aqui por uma questão familiar, de que os pais vinham aqui quando se conheceram e namoravam”, constatou.
Patrícia da Silva, frequentadora das salas de cinema do REAG Belas Artes, corrobora com a visão de Érica. Para ela, o ambiente é o principal ponto motivador de sua lealdade aos cinemas de rua, em detrimento das salas encontradas em shoppings. “Geralmente eles são menores, trazem uma sensação de nostalgia, são mais intimistas”, afirmou Patrícia. “Eu acho que o cinema de rua sobrevive justamente por atingir um público muito específico. A gente frequenta como atividade do cotidiano, tanto porque tem um valor mais acessível, quanto por ser uma forma de apreciar a cultura e da arte, além do lazer”, completou.
A disputa entre os espaços cinematográficos em centros comerciais e nas ruas evidencia uma luta presente em toda a sociedade ocidental contemporânea, em que um lado, que busca um sentimento de comunidade e uma maior interação entre os indivíduos, por meio da cultura, é reprimido por uma mentalidade baseada, invariavelmente, no consumo. Como resultado, o evento de assistir a um filme deixa de ser uma experiência reflexiva, artística e cultural, e acaba por ser reduzido a uma simples atividade de entretenimento.
Para o atendente do REAG Belas Artes, Anastácio de Souza, a vivência do cinema mostra-se mais intensa em espaços de maior interação social. “Assistir a um filme aqui é uma experiência muito mais específica do que em cinemas de shoppings. Os cinemas de rua têm uma ênfase mais cultural”, explicou.
Atualmente, os cinemas de rua buscam, mais do que sobreviver, uma forma de ressurgir: mostras culturais, eventos cinematográficos e exibições de filmes independentes e clássicos são constantemente organizados nesses espaços de interação social, em uma incessante busca de um conteúdo que as mídias digitais e plataformas de streaming não podem oferecer.





5 Comentários
Matéria excelente, com certeza irei visitar algum cinema de rua para conhecer um pouco mais de suas culturas.
Adorei a matéria e a forma como mostraram como os cinemas de rua ainda têm um charme especial, mesmo com toda a tecnologia e as plataformas de streaming. Amo como esse tipo de experiência ainda conseguem atrair um público fiel que busca algo mais do que só assistir a um filme 🍿🫶🏼
Matéria super interessante, me fez lembrar de bons filmes e bons tempos nos famosos cinemas de rua, entre eles o próprio Marabá
Excelente matéria. Eu amo cinema de Rua. Que novos tempos possam trazer de volta este nicho.
Muito oportuna a matéria! Parabéns!’n