Com início em 2021, as obras envolvendo o Mercado Municipal de São Paulo, mesmo que em escala menor, ainda persistem nos corredores de um dos maiores pontos turísticos da capital paulista. Os andaimes e sacos de cimento fazem parte de um visual que, principalmente neste ano, se mistura com os tradicionais queijos, especiarias, frutas e bacalhaus.
Todo esse processo faz parte da revitalização do “Mercadão”, que é bancado e administrado pela empresa Mercado SP, fundada também em 2021, visando estritamente reformar e dar uma nova cara ao Mercadão. Eles pretendem atuar com um modelo de funcionamento 24h, melhorias na segurança, ampliação do mezanino, entre outros.
Além das obras, uma das principais características da revitalização do Mercado Municipal de São Paulo é a abertura de novos comércios em seus estandes. Um exemplo disso é a Cervejaria The Lords, do Pedro Vieira, 37, inaugurada há seis meses, em abril de 2024. O empreendedor, que foi funcionário de estabelecimentos do ponto de vendas por 10 anos, vê a revitalização como uma ótima melhoria para ele e seus parceiros de trabalho: “Tem muitos bares aqui no mercadão, que eu conheço os donos, e a ideia é essa: crescer. Com essa nova revitalização, essa reforma, vai ser só sucesso!”.

O Mercado Municipal possui 258 estandes para comerciantes em uma área de 22.000 m² e foi cedido à iniciativa privada, juntamente com o mercado adjacente, o Kinjo Yamato. Muitos desses estabelecimentos promovem ou fazem referência a algum país e sua respectiva cultura. Desde os produtos mais tradicionais como os bacalhaus portugueses, as cervejas alemãs, até os restaurantes japoneses, que vem se destacando no comércio paulistano, principalmente nos últimos 10 anos. Juscelino Gadelha, 62, é proprietário da Cervejaria Santa Therezinha, e trabalha dentro do Mercadão há 18 anos, e comenta que 90% de seus clientes são turistas e vêm do mundo todo. Além disso, ele, como a maioria dos comerciantes que ali trabalham, têm uma relação especial com o patrimônio histórico. “É a minha vida. Estou aqui há muitos anos, onde eu criei meus filhos, criei meus netos e é de onde eu tiro o meu sustento”, afirma o vendedor.

Para outros, é difícil ver o “Mercadão” com essa cara nova, com novas tecnologias, já que o ponto turístico tem relação direta com o desenvolvimento da cidade de São Paulo (não à toa, é patrimônio histórico). O Mercado Municipal de São Paulo, teve suas construções iniciadas em 1928, e oficialmente inaugurado em 1933. O edifício é um exemplo da “Metrópole do Café”, que valorizava as áreas centrais da cidade e também possui um acabamento requintado, com colunas, telhas de vidro e seus famosos vitrais, que foram feitos pelo artista alemão Conrado Sorgenicht Filho, que retratam o trabalho manual dos colonos.
O Mercado Municipal de São Paulo também está sediando algumas exposições e apresentações que ocorrem esporadicamente para atrair outros públicos ao ponto turístico. O projeto exposto agora no mês de outubro, “Chaves – A Turma da Vila Mais Querida!” consiste em obras feitas por oito grafiteiros que retratam os personagens de diferentes formas. A exposição tem entrada gratuita e fica em cartaz até 30 de outubro. A administradora do mercado aproveitou a iniciativa por parte de uma colaboração do Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura, da Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo. O evento é dedicado aos personagens da série que marcou a infância e adolescência de muitas pessoas desta e da geração passada.
Rodrigo Barbosa da Silva, 36, trabalha no Mercadão em uma feira há 8 anos, e também ressaltou até a forma como os comércios estão trabalhando lá dentro, com serviços online, serviços de entrega e ressaltou a importância disso para essa nova dinâmica. “Mudou muito. Aqui entrega bastante, no mercado, o pessoal compra mais, é mais barato, aí facilita.”

@conexaocentro Uma volta pelo Mercadão de SP, onde o tradicional se mistura com o novo! #MercadãoSP #jornalismo #Mackenzie




