Por Lucas Leão, Kaike Bertachi e Leonardo Zelli
O bairro de Santa Cecília, localizado na região central de São Paulo, é conhecido por sua tradição e identidade boêmia. É caracterizado também por seus casarões históricos, edifícios modernos e uma cena cultural diversificada. A região vem sofrendo por volta de seis anos para cá, por conta do aumento no valor de mercadorias e aluguéis.
Dora Martos Hernández, 19, é estudante e moradora de Santa Cecília há quatro anos e reclamou sobre a valorização do comércio e moradia local. “Rolou uma especulação imobiliária muito alta por conta dos comércios que vieram para cá, abriram muitos restaurantes, livrarias, cafeterias e isso fez com que aumentasse muito o preço da região”.
A estudante universitária cursa psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e acredita que os também alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, junto dos mackenzistas, podem influenciar nessa questão. “Eu acredito que o bairro acabou ficando muito famoso, principalmente entre a população mais jovem. Então muitos comércios vieram pra cá, abriram muitos restaurantes novos e por isso acho que o bairro ficou bem mais valorizado”, disse Dora.
De acordo com os dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço médio do metro quadrado de imóveis residenciais em São Paulo passou de R$ 9.010 para R$ 10.703 (+18%), enquanto o valor médio nos bairros do centro foi de R$ 8.055 para R$ 8.852 (+9,89%). Além disso, segundo outro levantamento do IBGE, o custo de vida médio em São Paulo é um dos mais caros do país, ficando atrás apenas de Florianópolis. O IBGE estima que o custo de vida médio na capital paulista seja superior a R$4.5 mil.
A publicitária Bianca Maciel Pinheiro, 30, vê esse fenômeno como uma segregação da tradição do bairro com a tentativa de deixá-lo mais moderno por parte das empresas. “Rola muito esse processo de gentrificação do bairro, das pessoas, do comércio. Aí as coisas ficam mais caras, e acabam expulsando moradores mais antigos, que são mais simples”. Ela mora na região central desde 2019, mas em Santa Cecília, desde 2021, e falou as mudanças que ocorreram nesse intervalo: “Quando eu entrei aqui no bairro, o que eu ganhava na época, que era menos da metade do que eu ganho hoje, me dava um sustento melhor, sobrava mais dinheiro e agora realmente estava difícil”.
Essa gentrificação do bairro, tem como ótimo exemplo a franquia “Jhony’s Bar e Restaurante”, que entre o bairro de Santa Cecília e Vila Buarque, contém cinco unidades, sem contar as filiais em que são sócios, como o “Prainha”, bar tradicional que ali está há exatos 30 anos, no mesmo ponto. O estabelecimento estava com problemas financeiros e o fundador decidiu vender para um grupo de empresários, os mesmos donos da rede Jhony’s.
Uma opinião contrária da maioria é a da Maria das Graças, 63, costureira e moradora de Santa Cecília há 50 anos. Para ela, o aumento dos preços é apenas uma consequência da evolução do bairro, que aumentou o número e qualidade de áreas de lazer e entretenimento aos residentes. “Eu gosto, porque o bairro fica mais movimentado, com bastante gente, tem quem se incomoda mas no meu caso isso não tira o meu sossego não“, afirmou Maria. A costureira também acredita que os alunos da Santa Casa podem fazer parte da valorização do custo de vida da região. De acordo com ela, com o aumento de pessoas estudando na região e com pais que têm condições financeiras de pagar os alugueis de casas e apartamentos, foi a oportunidade perfeita para os corretores de imóveis.
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