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Localizada na Praça da Liberdade, entre as ruas Galvão Bueno e dos Estudantes, está o coração da comida asiática de rua em São Paulo: a Feira da Liberdade. Iniciada em 1975 e voltada, no início, para o artesanato japonês, tornou-se popularmente conhecida como “a Feirinha da Liberdade” e a englobar barracas de comidas. Desde seu início, às 10h, até a sua finalização, às 18h, o local mostra ser um dos mais procurados da região central (cerca de 20 mil pessoas aos finais de semana, segundo o Portal Sebrae), contando com uma vasta quantidade de opções culinárias tradicionais que atendem a todos os gostos. Sejam visitantes mais contidos ou os que buscam se aventurar em novas experiências gastronômicas, todos já visitaram a feirinha ou a visitarão ao menos uma vez.
Murilo Engler, de 26 anos, morou no Japão por três meses e tendo experimentado a comida de rua tradicional do país, ele relata que a da Liberdade segue o mesmo padrão, apesar do toque de temperos abrasileirados. Embora o local seja conhecido pela sua variedade de iguarias, Murilo conta que não vai apenas pela comida: “A experiência de vir aqui no ambiente é bem gostosa. É um ambiente bem familiar”.
Como um local de muito movimento e muitas atrações, o que garante o destaque e a fama de uma barraca vai além da qualidade de seu alimento: os produtos oferecidos que satisfazem o consumidor são o bom atendimento e a ambientação. O conjunto desses elementos incentiva o retorno e resulta no crescimento da popularidade da barraca. Ailton Tateishi, 62 anos, e dono de uma das barracas mais famosas da feira, segue o modelo. Sua barraca, Temaki do Ailton, veio para a feira há dez anos. O cozinheiro compartilha que muito do sucesso se deu ao fato de que ele e os demais funcionários se esforçam para tratar bem seus clientes, sendo sempre prestativos e gentis. Tendo estado do outro lado da bancada, como consumidor, Ailton sabe como um bom atendimento faz toda a diferença, criando laços com os frequentadores da feira: “Faço tudo como se estivesse cozinhando para os meus filhos e netos”.
A fama da barraca se expandiu tão rapidamente que não tardou para que fosse inaugurado um restaurante com o mesmo nome, devido à demanda do público. O prato mais pedido, tanto na tenda quanto no restaurante, é o temaki samurai, um especial criado pelo próprio Ailton. A iguaria se diferencia pela cebola roxa e uma pele de salmão frita que vai no topo. Embora o chefe tenha talento nato para a culinária, especialmente japonesa, nem sempre foi assim.
Inicialmente, Ailton era da área da informática, e apesar de amar o que fazia, ao longo dos anos o trabalho o pressionou ao ponto de lhe causar um início de úlcera. Em busca de uma forma de se distrair, seu médico o recomendou um curso de culinária. “Foi a minha salvação”, Ailton compartilha, e adiciona que “todo cozinheiro é um pavão, ele quer mostrar o que sabe fazer”, e que teria sido esse o seu incentivo para compartilhar as suas habilidades com todos.
A culinária, para muitos, pode representar esse recomeço. Assim como Ailton, Aparecida Rodrigues, chefe de cozinha, se encontrou nesse meio. Tendo passado por complicações médicas que levaram à quase amputação de sua perna, ela pôde se reerguer por meio de um projeto culinário: trazer o doce chinês, bubble waffle, de Hong Kong para o Brasil. Dedicada, Aparecida passou dois anos aprendendo e aperfeiçoando a receita originada há 75 anos, com um chefe chinês, e chegou a vender seu carro para comprar a máquina de preparo do doce. A chefe relata que todos à sua volta duvidaram de sua capacidade, mas com esforço, foi possível realizar o seu sonho.
Sua barraca existe desde 2015, e, hoje em dia, é uma das mais procuradas da feira, com uma grande fila de espera: “Às vezes, quando chega a vez deles, estão emburrados pela espera, então eu falo: sem um sorriso não vale”. Sua tenda abre somente aos sábados, e, por dia, são vendidos em torno de 300 bubble waffles, com sorvete e diversos toppings à escolha do cliente.
“A felicidade não faz dieta”, diz a faixa na barraca de Aparecida. Além do doce, ela oferece um ânimo na vida de seus clientes, uma experiência única que sempre acaba em um sorriso.
Os feirantes da “feirinha” da Liberdade, que chegam horas antes de seu início para preparar as barracas, são o sangue que possibilita que esse coração da culinária e cultura asiática bata com fervor no centro de São Paulo. Por trás de cada um deles, que servem os frequentadores com um sorriso no rosto, há uma história que os trouxe até o momento atual. Os pratos da famosa “feirinha” vão além da degustação e se tornam momentos únicos que devem ser experimentados ao menos uma vez. A Feira da Liberdade mostrou como a gastronomia, além de alimentar, também cura e é uma forma de conexão entre as pessoas.





