Por Heloísa Oliveira, Isabele Marinho, Victória Aguiar e Yeshin Park
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Localizada entre as ruas Treze de Maio, Dr. Luis Barreto e São Vicente, na Bela Vista, a Festa da Nossa Senhora Achiropita completou 98 anos em 2024. Tendo surgido com a migração dos italianos ao Brasil, especificamente para o bairro da Bela Vista, o evento anual reúne milhares de pessoas à Nossa Senhora Achiropita. A celebração é religiosa, mas, além do louvor, a venda de pratos da culinária italiana é um atrativo e visa arrecadar doações para projetos que compõe as Obras Sociais Achiropita, fundadas pela Igreja e herdadas por São Luís Orione, cuja missão era “fazer o bem sempre”.
Paulo Henrique Alves Vieira, de 51 anos, compartilha a sua experiência com o aspecto religioso do evento, afirmando que sempre é reservado um tempo para as preces. De acordo com o voluntário, nem sempre os organizadores conseguem descer para as orações, mas, quando podem, explica que a energia é sem igual: “Isso é contagiante para nós”. A missa ocorre sempre meia-hora antes do início da festa, e é realizada uma roda de oração antes de irem aos seus postos.
Mônica Conte, de 61 anos, é aposentada e uma das voluntárias mais antigas da festa. Esse ano, ela foi responsável pela área de relações públicas, e explica que a função de cada voluntário é decidida por um método rotativo. O evento gira em torno do impacto positivo na vida das pessoas. “A festa tem como objetivo arrecadar fundos para manter os projetos sociais da paróquia”, ela afirma. Diariamente, são acolhidas e alimentadas pelos projetos 1.100 pessoas necessitadas. Dado que os projetos sociais vem da ação da paróquia, em todas as festas, são realizadas missas meia hora antes.
E para manter essa caridade, não são medidos esforços. Desde salgados e massas até doces, o que não faltam são opções para se deliciar durante a festa. No total são 37 barracas, todas com uma grande variedade de iguarias. Os ingredientes são frescos e tradicionais da culinária italiana, dado que todas as chefes de cozinha que preparam a comida são mamas italianas, que utilizam suas receitas costumeiras e secretas, cujo ingrediente especial, de acordo com a voluntária Maria de Lourdes Carreiro, é o amor. A descendente de italianos, de 64 anos, compartilhou a sua experiência como voluntária há mais de 20 anos da festa, ressaltando o quão gratificante é poder fazer a diferença e ver a apreciação pela cultura italiana. Foram 1.200 voluntários neste ano e aproximadamente 30 mil visitantes por noite. O prato mais requisitado da festa é o salgado fogazza, com aproximadamente cinco mil unidades sendo vendidas por noite. A festa na rua tem início às 18h e vai até meia-noite, e, além dela, há uma cantina: um show ao vivo com a Banda Felice Itália e Os Três Tenores.
O evento proporciona uma experiência única e uma atmosfera sem igual. Além de permitir que descendentes de italianos possam se reconectar às suas raízes e fazerem a diferença, também é uma ótima maneira de se introduzir a culinária italiana, dada a autenticidade do preparo. Apesar das dificuldades enfrentadas durante a pandemia, é o terceiro ano consecutivo que o evento se reergueu e manteve a força, com muitos visitantes. Ao fim do evento, foram distribuídos saquinhos contendo sementes de girassol, representando os participantes e voluntários do evento, que “florescem” na festa em suas ações sociais. Sendo um evento anual, é uma experiência imperdível. Aceita uma fogazza?





