Por Isabella Soares
“O pai dele era viúvo e se casou com uma alemã, que virou a madrasta dele, e eles foram morar na Alemanha. Mas ele não gostou, não se deu bem e veio parar no Brasil. Mas não é oficial, foi o que me contaram. É sempre a história da carochinha, toda história tem a madrasta ruim!”. Desta forma, Miguel Romano, sócio e proprietário da Casa Godinho há quase 30 anos, conta a história de como o fundador da mercearia mais antiga da cidade de São Paulo chegou ao Brasil.
José Maria Godinho foi um comerciante português que começou o seu negócio com uma pequena quitanda e, algum tempo depois, montou a famosa Casa Godinho, na Praça da Sé.
O seu intuito era trazer os sabores dos diversos países europeus (não só de Portugal, seu país de origem) para o Brasil, que possuía muitos imigrantes já naquela época.
“Ele montou a loja exatamente para trazer os sabores, os temperos, os produtos, os vinhos, como fala-se aqui: os secos e molhados. Os secos eram as comidas, e os molhados eram os vinhos e licores da Europa”, relata Miguel.

Yeda Della Fuente, gerente da Casa Godinho, conta que, antigamente, na época do Natal, as pessoas faziam fila para comprar os produtos oferecidos pela mercearia, já que ainda não existiam grandes redes de supermercados como hoje.
“Esse era o único lugar de São Paulo que vendia esses produtos importados, como bacalhau e vinho. Era uma mercearia que atendia toda essa população de imigrantes que sentiam saudade de suas terras. Aqui era uma forma de ter esses produtos.”
Com o passar do tempo, a Casa foi se adaptando ao novo público que ia surgindo, às novas gerações e a sua nova forma de fazer compra, que hoje é bem diferente daquela época. “Ainda temos a mercearia aqui, mas como o tempo foi passando, a gente sentiu a necessidade de atender mais ao público. Então, começamos a trabalhar com pães, bolos e salgados”, afirma Yeda.

A mercearia completou um século na Rua Líbero Badaró, 340, no térreo do Edifício Sampaio Moreira, o arranha-céu mais alto da capital paulista até 1929 que, assim como a Casa Godinho, também atingiu a marca centenária em 2024.


