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O Centro é um lugar para crianças?

Pais que vivem e/ou frequentam a região divergem ao opinarem sobre o local como espaço de lazer para os filhos

Amanda Rocha, Fernanda Kitasaua, Jean Werneck e Tainá Fonseca

O centro de São Paulo como um todo é considerado um ponto turístico interessante para muitas pessoas. Existem teatros, parques, restaurantes, passeios históricos e muitos outros atrativos na área central da cidade mais movimentada do Brasil. Mas será que esse centro tão agitado é um bom lugar para as crianças aproveitarem o lazer no dia a dia?

Muitos parques e praças da cidade de São Paulo têm sido procurados por famílias que buscam momentos de interação para as crianças, contato com a natureza, além de serem uma alternativa saudável em meio ao cenário urbano. Para os pais, os parques são um grande atrativo para a diversão dos pequenos, proporcionando lazer ao ar livre em um mundo cada vez mais tecnológico. Em um ambiente assim, as crianças não só exercitam o corpo, mas têm a oportunidade de interagir com outras pessoas, o que traz benefícios para sua saúde física e emocional. E se enganam aqueles que pensam que não existem boas alternativas de praças e parques na região central da cidade. A Praça Rotary, localizada na Vila Buarque, na rua General Jardim, e o Parque Buenos Aires, situado em Higienópolis, na avenida Angélica, são duas boas recomendações nesse sentido.

Gustavo Nunes, 45 anos, que mora na região da Santa Cecília, próximo à Vila Buarque, tem uma filha pré-adolescente e costuma levá-la até a Praça Rotary para ter momentos de lazer junto com ela. Para ele, sair com a filha em locais ao ar livre como a praça é essencial, pois esses espaços destoam da forma “rígida” como o centro foi organizada, sem muitas áreas para as crianças viverem momentos de diversão, enquanto nos bairros é mais comum os pequenos poderem brincar na rua, por exemplo. “É muito importante, principalmente para as crianças que moram no centro, porque é um ambiente muito rígido. A arquitetura, as construções e a divisão dos espaços são difíceis para o olhar infantil.” Ele teve uma infância diferente da filha. Gustavo brincava nas ruas e hoje tenta ensinar isso a ela.

Biblioteca Infanto Juvenil Monteiro Lobato, localizada na Praça Rotary.

Jussara Felix, de 35 anos, leva os filhos pelo menos duas vezes por semana à Praça Rotary. Lá, as crianças têm acesso a uma variedade de atividades ao ar livre, além da Biblioteca Monteiro Lobato, dedicada ao escritor, que oferece diversas atividades ao público infantil.

Outro pai que valoriza os momentos ao ar livre no centro é Guilherme Sabino, de 33 anos. Apesar de não morar perto do Parque Buenos Aires, na região de Higienópolis, ele tenta levar suas duas filhas ao local pelo menos uma vez por mês. Para ele, o parque oferece um ambiente muito agradável, com várias opções de lazer para toda a família. “É bem arborizado, tem sombra, espaço para estender uma canga e fazer piqueniques, e o parquinho é bem estruturado.” Além disso, ele aprecia a variedade de restaurantes próximos, o que torna o passeio ainda mais completo.

Gustavo Nunes, de 45 anos, e sua filha pré-adolescente na Praça Rotary.

Esse momento de lazer nos parques pode ser muito importante para o desenvolvimento das crianças, já que, segundo um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é fundamental controlar o tempo que elas passam conectadas. O uso excessivo de telas pode causar dificuldades para dormir, perda de foco, estresse, ansiedade, entre outros problemas. Além disso, uma pesquisa de 2023 da Panorama Mobile Time/Opinion Box revela que 79% das crianças entre 0 e 12 anos passam, em média, 4 horas por dia no telefone.

Segurança

Apesar das atrações que podem ser encontradas no centro, a segurança é algo que preocupa os pais. Jussara só leva as crianças à praça durante os períodos da manhã e da tarde, pois acha mais seguro. “Às vezes, as lâmpadas não funcionam.” Segundo ela, além desse problema, há muitas pessoas em situação de rua que dormem nos bancos da praça “e, às vezes, nem dá para se sentar”.

Guilherme, apesar de nunca ter presenciado nenhuma ocorrência, sempre fica atento ao sair com as filhas. Com a grande sensação de insegurança no centro de São Paulo, alguns pais optam por não trazer seus filhos para a região, como é o caso de Vitor Stefano, de 39 anos, que trabalha no centro e sente que não é um ambiente seguro para suas crianças. “Não é uma escolha direta passear no centro, a não ser que seja algo muito específico”, comenta. Apesar de achar o centro muito atrativo, Vitor considera que a segurança é essencial para que as crianças possam aproveitar. Ele diz que o ideal é que os pequenos se divirtam, e não que ele fique tenso vigiando os filhos o tempo todo. Para ele, lugares fechados na região são mais interessantes, mas, mesmo assim, ele pensa bastante antes de trazer as crianças.

Guilherme Sabino, de 33 anos, com suas duas filhas no Parque Buenos Aires.

Muitos paulistanos têm reclamado da insegurança no centro nos últimos tempos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os roubos no mês de agosto de 2024 atingiram o menor índice da história desde 2001. De acordo com a SSP, foram registrados 15.185 roubos, uma queda de 19,7% em comparação a agosto de 2023, que teve 18.901 ocorrências. Apesar disso, a sensação de insegurança no centro de São Paulo é algo que incomoda muitos moradores e pais, que acabam optando por outras atividades de lazer para seus filhos.

Além dos parques, existem opções muito divertidas para o público infantil na região central, como o Museu Catavento, que oferece uma variedade de atividades interativas, e a 1ª Mostrinha, dedicada às crianças e suas famílias. A equipe do Conexão Centro passou o dia no Museu Catavento para mostrar tudo o que o local proporciona para pais e filhos, e também fez um vídeo sobre a 1ª Mostrinha de São Paulo. Confira nossa cobertura do Museu no vídeo postado nos reels do nosso Instagram, e o vídeo sobre a Mostrinha no YouTube.

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