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Celular na Mochila

Celular na Mochila

Saiba o que pensam os alunos, pais e professores sobre os impactos da regulamentação do celular nas escolas

No dia 13 de janeiro deste ano, uma das primeiras medidas tomadas pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva foi sancionar a lei que busca regulamentar o uso de aparelhos celulares nas dependências das escolas de todo o Brasil. A lei impacta colégios da rede pública e particular. O objetivo dessa lei é que os alunos dediquem mais atenção às aulas, sem a distração do celular, e criar um ambiente mais saudável nas escolas. Assim, também se espera que isso cause um impacto positivo na saúde mental das crianças e adolescentes.

“O objetivo da lei não é proibir o uso dos celulares, mas proteger as crianças e adolescentes por meio da restrição a esses aparelhos” disse Camilo Santana, Ministro da Educação. Dentro das salas de aula, o professor pode autorizar o uso do celular com fins pedagógicos. Durante os intervalos, os alunos não poderão usar os seus dispositivos. Espera-se que isso possa incentivar e fortalecer a integração entre eles. 

Tendo em vista essa mudança, questionei tanto professores e alunos, quanto os pais de alunos sobre os primeiros impactos vistos nesses 2 meses de aula sem os celulares.

“Na hora do pátio, principalmente, a gente via os alunos isolados. Principalmente os mais tímidos e com menos amigos, se isolavam cada um no seu aparelho”, disse Luciana Ávila Baptista, professora de 48 anos. Segundo ela, nesses primeiros meses, ela tem reparado que o Colégio no qual trabalha tem um ambiente mais leve. Ela destaca que no período do intervalo, muitas crianças que ficavam isoladas mexendo em seus celulares, agora estão se integrando mais e criando mais laços de amizades e desenvolvendo suas habilidades de socialização.

(Luciana Ávila Baptista – Professora de 48 anos)

A professora também destaca que no quesito de atenção dentro da sala de aula ela não tem reparado muita mudança por parte dos alunos. Entretanto, André Ávila Mouro, estudante de 17 anos, que está no 3° ano do Ensino Médio, diz que mesmo durante as aulas, os alunos que costumavam ficar no celular, em vez de prestar mais atenção na aula, estão conversando entre si. Segundo ele, em alguns momentos isso pode vir a prejudicar o andamento da aula.

“Nessa parte da sociabilidade, sim, mas muitas vezes, ficar sem o celular dá um pouquinho de agonia ainda, mas eu acho que tá normal”, disse André.

(André Ávila Mouro – 17 anos, aluno)

Ouvindo alguns pais e responsáveis, muitos disseram que tem percebido uma mudança no dia a dia de seus filhos e visto uma melhora nas habilidades sociais de seus filhos, como um impacto imediato dessa nova medida governamental.

“Eu acho que já tá sendo positivo, apesar deles não gostarem”, disse Sylvia Campos, de 44 anos, mãe de Pedro, com 16 anos, e das gêmeas Ana e Clara, com 12 anos. “É uma pena porque a tecnologia como um todo vem pra agregar valor no nosso dia a dia, mas é difícil de administrar. Seja porque os alunos não tem maturidade pra saber usar os aparelhos nas horas adequadas, ou porque pra escola também é muito complexo administrar os momentos para usar os celulares ou não” completou ela.

Como Sylvia tem filhos no Fundamental II e no Ensino Médio, perguntei pra ela qual das idades ela acreditava sentir mais a falta do celular. Segundo ela, quem acaba sofrendo mais a falta do aparelho são os mais velhos que estão no Ensino Médio, até porque eles acabam usando mais os aparelhos e as redes sociais, entretanto, ela tem visto mais impactos dessa mudança nas filhas mais novas. “Eles estão proporcionando na escola brincadeiras, e muitas brincadeiras da minha época, inclusive, que eu vejo elas brincando hoje na hora do intervalo”, disse.

(Sylvia Campos – 44 anos, mãe de alunos)

 

Gustavo Sabbag

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