Valentina Cruz
Vinicius Campos, engenheiro ambiental e membro da Associação de Engenharia Ambiental e Sanitária do Estado de São Paulo, relata sobre os poluentes que mais prejudicam a saúde humana que “o que a nossa legislação coloca como os principais, são essas partículas de fuligem”. Ele conta que ela é facilmente absorvida pelo organismo. Segundo o engenheiro, algumas pesquisas comprovam que ela pode até colaborar com a demência. A queima de biomassa, veículos automotores e processos industriais são algumas das causas desse poluente, de acordo com a Cetesb.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostra que nas regiões metropolitanas, as emissões de automóveis e outros veículos rodoviários, são as principais causas da poluição. Segundo a companhia, essa emissão é composta por gases como o monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, entre outros.

Quando questionada sobre ter visto fumaça saindo do escapamento de veículos, Ana Luiza, estudante, de 17 anos, frequentadora do centro de São Paulo, conta que “diariamente eu vejo isso. Eu sempre estou na rua, sempre estou vendo os carros soltando a fumaça deles”.
Em uma entrevista à CNN Brasil, em setembro de 2024, o médico patologista Paulo Saldiva disse que o nível de poluição na cidade de São Paulo chegou ao ponto de que seus moradores fumam, involuntariamente, de quatro a cinco cigarros por dia. De acordo com o monitoramento realizado pela agência suíça IQAir em 2024, São Paulo está entre as 80 cidades mais poluídas da América do Sul.
Dados do Detran (Departamento de Trânsito), nos primeiros nove meses de 2024, 339.935 veículos novos receberam emplacamento em São Paulo. O número é cerca de 30% maior do que no mesmo período de 2023, com uma quantidade de 263.001.

Vanessa Mendes, especializada em fisioterapia cardiorespiratória, que trabalha com disfunções respiratórias, afirma que o governo e as empresas privadas não tratam a poluição do ar como uma prioridade, ela enxerga que falta investimento e conscientização sobre o meio ambiente. Além de ressaltar que o estímulo a um cuidado maior com a natureza não chega aos consumidores, pois os produtos que contam com uma produção menos poluente, o preço é repassado para o consumidor.
A fisioterapeuta alerta também sobre o fato de muitos indivíduos preferirem o transporte individual do que o público para se locomover até o trabalho. Além de falar sobre a baixa consciência da população em relação a revisão dos veículos, usando carros com a manutenção vencida. Segundo ela, essa realidade gera mais fumaça e, consequentemente, problemas ao meio ambiente.
O engenheiro Vinicius também fala que as pessoas sabem que a poluição é um problema, além de perceberem quando o ar está mais difícil de respirar. Ele diz que os indivíduos, porém, não têm conhecimento sobre a origem da poluição e o que devem fazer para que sejam menos prejudicados.
Vinicius também conta que o Brasil tem muitas leis para combater a poluição, mas elas nem sempre são cumpridas. Ele aponta o decreto nº 54.487/2009 da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), como um dos que, sendo cumprido, poderia ajudar a cidade com a problemática. Esse decreto diz que os veículos movidos a diesel precisam fazer um exame anualmente para verificar se as partículas desses poluentes passam no padrão legal de concentração permitida.

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