

Segundo o relatório de poluição da agência suíça IQai, São Paulo foi indicada como a única cidade com ar não saudável para toda a população. Mudanças climáticas e crises ambientais são amplificadoras das demais crises humanitárias. E quando se trata de ambiente, os catadores e cooperativas de resíduos não somente contribuem com a prestação de serviços profissionais no contexto do processo de reciclagem, como também exercem a cidadania, organizam-se em coletivo para decidir quem os defende e praticam ativismo sociopolítico.
Em janeiro, ocorreu a 5ª Conferência Municipal do Meio Ambiente, na Barra Funda, que tinha como objetivo aproximar a população de discussões sobre emergências climáticas e definir medidas a serem tomadas. O evento contou com mais de 400 participantes e reuniu 10 propostas que serão levadas por 100 delegados eleitos às etapas estaduais e federais. Duas dessas propostas foram ampliar a coleta seletiva nos bairros com o aumento do número de Ecopontos e contratação de cooperativas, além da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos com integração efetiva e contratação pelo poder público de catadores na coleta.

Essas propostas evidenciam a importância das cooperativas, pois elas desempenham um papel fundamental na gestão de resíduos, promovendo a inclusão socioeconômica de catadores e contribuindo para a redução do impacto ambiental. Elas atuam na coleta, triagem e comercialização de materiais recicláveis, fomentando a economia circular. Além disso, essas organizações fortalecem o trabalho coletivo, geram renda para famílias e apoiam políticas públicas de logística reversa.
Em Pinheiros encontra-se a primeira cooperativa de São Paulo, a Coopamare, fundada em 1989, onde trabalham tanto catadores cooperados quanto avulsos. Eduardo Ferreira, 57 anos, é o fundador da Coopamare e é uma das lideranças do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, que busca a valorização da categoria: “Hoje a Cooperativa trabalha com 80 a 100 toneladas por mês”. Não temos parceria com a Prefeitura. Só temos esse espaço, que é o viaduto. Hoje estamos com 25 catadores, mas passam em média 50 a 70 catadores por dia por aqui na Cooperativa” explica.
“Minha rotina de trabalho aqui é na máquina […] a Prefeitura já tentou tirar a gente daqui também, mas agora ela aquietou mais. Eles veem que aqui é Centro, e querem nos colocar em outro lugar.”. Explica Luiz Ronaldo dos Santos, 34 anos, cooperado da organização.

Apesar da importância de sua atuação, os trabalhadores dessa área enfrentam dificuldades. Damião Jesus Serafim, 73 anos, trabalha atualmente na portaria, mas vivenciou a função de catador e conhece bem os desafios. “Eu trabalho aqui desde 2003. Trabalhei nas firmas, e depois a idade chegou e passei para este serviço. Esse é um ambiente de idosos, nossa sobrevivência está aqui” afirma. “Quando o dinheiro valia alguma coisa, eu fazia R$500, R$300, papelão à 20,25 centavos, mas esse dinheiro hoje não vale mais nada. O governo tinha que valorizar porque aqui é o ambiente da gente trabalhar” completa. Uma iniciativa que visa ajudar o segmento é um Fundo Socioambiental lançado pelo BNDES em março, chamado “Tudo na Circularidade”, que visa ampliar o rendimento dos catadores ao inseri-los no novo mercado de reciclagem de economia circular e logística reversa. O projeto conta com R$20 milhões disponíveis, que podem ser ampliados para até R$100 milhões com apoio de instituições, formando um financiamento combinado.
Programas como esse são importantes para fortalecer a atuação das cooperativas, pois sua atuação é essencial na melhora do meio ambiente. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), investir em cooperativas, formalizar e remunerar os serviços prestados pelos catadores é essencial para estimular a reciclagem, pois sua atuação é essencial para um sistema de gestão de resíduos socialmente justo.





