Por Débora Moura e Julia Senna
Nas últimas semanas, a publicação de vídeos nas redes sociais de diversas influenciadoras mostrando sua rotina e cuidados com bebês reborn gerou grande polêmica na internet.
Nos vídeos, as influenciadoras davam banho nos bebês, trocavam suas fraldas frequentemente, além de os levarem a lugares como hospitais, e fizeram passeios em parques e shoppings.

Os bebês reborn são bonecos hiper-realistas, com peso, textura e aparência semelhantes às de uma criança recém-nascida. Sua fabricação é realizada há cerca de 30 anos, sendo produzida de maneira artesanal, com riqueza de detalhes. Recentemente, as bonecas reborn se tornaram um símbolo de independência financeira, conforto e afeto.
Adriana, Andrea, Angelica, Juraci, Lucineia e Sandra são exemplos de mulheres que encontraram nessa forma de arte um hobby para praticar e uma profissão a seguir. “No dia das mães, minhas filhas me presentearam com o primeiro bebezinho. E depois desse surgiu a vontade e o interesse de fazer o curso pra eu mesma produzir meus próprios bebezinhos, e desde aí eu faço meus bebês, pra mim e pra venda também”, diz Lucineia Rocha, de 56 anos, sobre seu início como artesã reborn.

Essas bonecas são itens colecionáveis, feitas a partir de vinil ou silicone, que exigem cuidados específicos para manter a limpeza e beleza da arte fabricada. O preço varia de acordo com o tamanho e os detalhes escolhidos pela cliente, podendo custar cerca de 700 reais e chegar até mais de 3 mil reais.
Adriana Francisca da Silva, 37 anos, reconhecida como cegonha no mundo reborn ( termo que se refere a fabricação das bonecas em relação a arte, pintura, colocação de cabelo, cílios entre outros itens), explica que o preço varia de acordo com a arte e o tamanho. “Tem bebezinhos de até 50 cm, que o meu preço é de 600 a 700 reais, dependendo do que a pessoa quer na arte. Faço bebês negros também. O bebê negro tem o valor um pouquinho maior por conta do grau de pintura, sendo mais complexo. Os toddler, que seriam bebezinhos de aproximadamente um ano, aí é 1.000, 1.200, 1.400 reais, que é o valor que eu vendo, mas tem meninas que vendem mais caro”, conta.

As colecionadoras, reunidas no Encontro Reborn no Parque Ibirapuera no domingo (23), relataram que fazer parte do mundo reborn é um hobby, e que os cuidados com os bebês são básicos para elas. “A gente passa um tempo com a boneca. A gente não fica no dia a dia da gente dando banho, trocando fralda, no colo ninando, não! Os meus mesmos ficam no guarda-roupa. É um hobby pra gente, não é uma doença como os outros falam por aí”, afirmou a costureira Andrea Cristina Moraes Duarte, 49 anos, durante entrevista.

Ao passearem com suas bonecas, as mulheres relatam já ter sofrido preconceito por estarem com um bebê reborn em locais públicos. “Eu já fui em shopping, em alguns lugares e as pessoas chamam a gente de maluca”, conta Angélica Kerches de Brito, autônoma. Ainda assim, ela afirma receber o apoio e incentivo de familiares e amigos para continuar com sua arte. “Todos eles apoiam”, diz ela.

Juraci Garcia Carvalho, artesã reborn, conta que também percebe o preconceito, mas que não dá importância. “Eu acho que cada um é cada um, eu gosto da arte e o outro pode não gostar, mas é uma questão dele, a minha não, eu adoro a arte”, diz ela.

O Encontro Reborn acontece mensalmente, e nele são realizadas brincadeiras e atividades que aproximam as participantes, sendo um lugar de respeito e acolhimento. “Depois que você entra nesse mundo reborn, é um mundo de fantasia e muito maravilhoso. Você tem amigas divinas, pessoas que não te criticam, que só te dão alegria. Eu vou pra casa toda feliz”, afirmou entusiasmada a dona de casa e colecionadora Sandra Campos, de 64 anos.





