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Os desafios de transformar um jogo em fenômeno olímpico

Poucos esportes tiveram tanta instabilidade no programa olímpico quanto o beisebol. Fora de Paris 2024, a modalidade garantiu seu retorno para Los Angeles 2028 — e agora enfrenta o maior desafio: provar que pode se consolidar de vez como esporte olímpico.

 

Um histórico de idas e vindas

O beisebol foi oficializado em Barcelona 1992 e esteve presente até Pequim 2008, com Cuba como grande protagonista. Mas a falta de popularidade global e a ausência dos principais atletas, já que a Liga Americana de Beisebol (MLB) não liberava jogadores, levaram o Comitê Olímpico Internacional (COI) a excluí-lo dos Jogos de Londres 2012.

 

A trajetória do beisebol no Brasil

Após duas edições fora, a volta em Tóquio 2020 foi impulsionada pela paixão japonesa, mas durou pouco. O esporte voltou a ficar de fora em Paris 2024, reforçando a imagem de modalidade instável.

O desafio de Los Angeles 2028

O retorno em Los Angeles reacende esperanças, mas também impõe exigências: alcance mundial, presença de atletas de elite, respeito às regras antidoping e apelo junto ao público jovem.

Allan Fagnoni, atleta brasileiro, de 33 anos, vê a reintegração como uma oportunidade histórica:

‘O retorno do beisebol às Olimpíadas é maravilhoso, pois significa crescimento, apoio e inspiração para novas gerações. É a chance de todos voltarem a sonhar com o desenvolvimento do esporte no Brasil’.

O papel do Brasil na modalidade

Embora o futebol seja soberano, o beisebol tem tradição no Brasil, principalmente em São Paulo e no interior paulista, graças à comunidade japonesa. O Estádio Mie Nishi, no Bom Retiro, é a principal casa do esporte no país e também um centro de formação, oferecendo aulas para crianças e jovens.

 

Esses projetos de base mostram como a modalidade pode ser ferramenta de inclusão, disciplina e oportunidade, preparando futuros atletas para sonhar com ligas internacionais e até os Jogos Olímpicos.

Projeto de categorias de base no beisebol

 

Crescimento e futuro

Fagnoni acredita que o cenário é promissor:
“Com investimentos americanos, filosofia japonesa, apoio do governo e novas tecnologias, o Brasil tem potencial para se tornar uma potência no beisebol. O futuro é positivo se houver continuidade e boa gestão.”

Allan Fagnoni, campeão de diversos títulos no beisebol.

O beisebol em verde e amarelo

A Seleção Brasileira de Beisebol é a maior campeã sul-americana e, em 2023, fez história ao conquistar o vice-campeonato no Pan-Americano de Santiago, torneio que reúne países de toda a América. Além disso, já representou o país em competições de peso, como o World Baseball Classic, consolidando o crescimento do esporte no Brasil.

Conquistas da seleção brasileira de beisebol

Mais que medalhas: sobrevivência olímpica

A volta em 2028 pode funcionar como vitrine global. Em território norte-americano, a expectativa é de participação dos melhores atletas e maior exposição mundial. Mas o beisebol sabe que não pode depender apenas de países-sede.

Mais do que conquistar medalhas, o desafio é provar que não é apenas um jogo nacional, mas um esporte capaz de se consolidar no cenário olímpico global.

O recomeço está marcado, agora, resta saber se será definitivo.

 

 

 

 

 

 

 

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