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Entidade acolhe migrantes e refugiados no centro

No bairro do Brás, em São Paulo, funciona o Centro de Integração ao Migrante, qua apesar do nome, acolhe também refugiados. Um espaço que todos os dias recebe mais de cem pessoas de diferentes nacionalidades. O local é cuidado e financiado pelas irmãs católicas ‘’servas do espírito santo”, e oferece  acolhimento e apoio a quem chega ao Brasil em busca de novas oportunidades.

Ali, os migrantes encontram aulas de português e inglês, oficinas de culinária, música e modelagem, além de atendimento jurídico voltado à regularização de documentos e atividades religiosas. Mais do que um centro de serviços, o espaço se tornou um ponto de encontro, aprendizado e convivência, ajudando cada pessoa a construir um novo caminho e a se sentir parte da sociedade brasileira.

Centro do Migrante, localizado no Brás.

Entre os voluntários que atuam no Centro de Integração ao Migrante está João Tapia, um seminarista chileno de 40 anos que vive no Brasil há alguns anos. Ele trabalha de forma voluntária como parte de sua caminhada espiritual e dedica tempo para colaborar com os migrantes que chegam ao local. Segundo João, muitas crianças frequentam o centro para reforçar o que aprendem na escola. A maioria dos atendidos vem de países da América Latina, como Bolívia, Peru, Uruguai e Chile, mas também há presença marcante de migrantes africanos, especialmente de Angola e Moçambique.

O espaço tem como preocupação não apenas o acolhimento imediato, mas também o futuro dessas pessoas. Por isso, as atividades oferecidas buscam desenvolver habilidades que possam se transformar em fonte de renda. Além disso, o centro mantém uma parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que oferece atendimento psicológico aos migrantes, contribuindo para o cuidado integral.

A dimensão espiritual também está presente no cotidiano do centro. Todas as quartas feiras são realizadas missas e celebrações da eucaristia, conduzidas pelas irmãs católicas em conjunto com o seminarista João.

Um dos migrantes atendidos no Centro é Daniel, chileno de 52 anos, natural da Patagónia . Segundo ele, ”Deixei meu país no dia 13 de dezembro de 2023 e considero essa mudança um verdadeiro renascimento”. Guardando mágoas do que deixou para trás, Daniel decidiu partir sem avisar ninguém, levando apenas três camisetas e seu carro. Para ele, a decisão foi difícil, mas necessária para buscar novas oportunidades e reconstruir sua vida.

Hoje, Daniel vive em um albergue e enfrenta os desafios de recomeçar longe de casa. Ele diz, ”Apesar das dificuldades, vejo no Brasil um lugar acolhedor, cheio de oportunidades. No Centro de Integração ao Migrante, participo das aulas de português e inglês e me envolvo em atividades que ajudam a me sentir parte da comunidade”. Ele afirma que o aprendizado e o apoio que recebe no centro fazem toda a diferença em sua adaptação e bem-estar.

Com expectativas altas, Daniel se diz feliz e motivado a construir uma nova vida. Agradece ao povo brasileiro por toda a acolhida e apoio que recebeu, e afirma que a experiência em São Paulo lhe trouxe esperança, força e a certeza de que sempre é possível recomeçar, mesmo diante das maiores dificuldades.

Além de Daniel, encontramos Yoel, natural de La Paz, na Bolívia. Ele vive no Brasil há cerca de um ano e meio e vê o país como um lugar cheio de oportunidades. Todas as noites, Yoel trabalha ajudando moradores de rua, um trabalho intenso que ele realiza com dedicação.

Ele aprendeu português no próprio Centro de Integração ao Migrante e fala muito bem. Chegou ao Brasil com 21 anos e, hoje, aos 23, acorda todos os dias motivado a realizar seus sonhos e construir uma vida que, segundo ele, na Bolívia não seria possível.

”O centro não é apenas um espaço de aprendizado, mas também um lugar de apoio e incentivo, onde encontro ferramentas para crescer e me integrar à sociedade brasileira”, diz Yoel.

Iovana Rojas, boliviana de 40 anos, vive no Brasil há 12 anos e já se acostumou à vida no país. Ela conheceu o Centro de Integração ao Migrante por meio de uma página no Facebook e, há alguns anos, participa dos projetos oferecidos pela instituição.

Aula de culinária para os alunos.

 

Antes de se fixar no Brasil, Iovana também tentou oportunidades na Argentina, mas encontrou no Brasil sua verdadeira casa. Ela conta: “Sempre gostei muito do povo brasileiro, mas ultimamente tenho percebido que algumas pessoas estão um pouco mais frias”. Diferente disso, no centro, ela afirma que encontra “muita alegria, acolhimento e integração”, sentindo-se parte de uma comunidade que a apoia e valoriza.

 

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