Segundo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o artesanato representa aproximadamente 3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano. James Coelho, de 31 anos, artesão há mais de 10 anos, comercializa seus acessórios na Avenida Paulista desde 2019. Apesar da instabilidade das vendas – já que o artesanato é sua única fonte de renda – Coelho afirma que se orgulha de viver do que faz: “Não é só um trabalho, é um estilo de vida. É você ser autossustentável”.

Foto por Laura Soares
Lotaif Arteiro, como prefere ser chamado, tem 60 anos e trabalha com artesanato há 38 anos. Lotaif conta que, atualmente, expõe sua arte na Paulista, mas já vendeu os acessórios e decorações que produz em 17 países: “Tem arte minha pelo mundo todo”. Mas, apesar de gostar da profissão, o artista ressalta que está desmotivado: “Isso é uma cultura, mas o brasileiro não reconhece. É parabéns o tempo todo, mas ninguém incentiva financeiramente, e isso cansa. O povão prefere a coisa pronta, o anelzinho de alumínio ou aço industrializado”. Para complementar sua renda, o artesão faz tatuagens, coloca piercings, decora ambientes, dá aulas de música e arte, e faz sessões de reiki [terapia alternativa que canaliza energia vital universal para fins curativos].

Foto por Laura Soares
Uma das barracas em frente ao Shopping Cidade São Paulo é a de Jesus Ramón, de 63 anos, um imigrante venezuelano que faz chapéus, cestas e decorações a partir da fibra da palmeira buriti. Ramón, que pertence à etnia indígena Warao, conta que o artesanato foi passado de geração em geração: “Trabalho com isso há 40 anos. A buriti é a principal fonte de renda do povo Warao”. Além dos acessórios e decorações, Ramón diz que é possível fazer suco, sorvete, doces, cremes e perfumes a partir da buriti. Mas, assim como Lotaif, o artesão compartilha o mesmo sentimento de desvalorização: “Das cem mil pessoas que passam aqui, 99,9 mil não valorizam o nosso trabalho. As pessoas querem que eu venda por um, dois, cinco reais. É difícil”.

Foto por Laura Soares
Mesmo com todas as dificuldades, Coelho, Lotaif e Ramón seguem transformando matéria-prima em arte e oferecendo, a quem passa, um pedaço de suas histórias e culturas. Para eles, o artesanato não é apenas sustento: é identidade e estilo de vida. Atualmente, mais de 220 mil artesãos estão cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), refletindo apenas uma fração desse universo, já que o IBGE estima que há mais 8,5 milhões de artesãos espalhados pelo Brasil.





