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Memórias e Modernidade: A Transformação do Museu da Língua Portuguesa

Ana Mello, Jullia Silva, Luís Brito e Sarah Lopes

Aberto pela primeira vez em 2006, o Museu da Língua Portuguesa, localizado no edifício da Estação da Luz, no centro de São Paulo, tem a missão de valorizar a diversidade de culturas presentes dentro do idioma e levá-las aos falantes dele em todo o mundo. A escolha da cidade de São Paulo para abrigar o museu se deve ao fato de ser a mais populosa dentre as cidades falantes da língua portuguesa no mundo, com pouco mais de 12 milhões de habitantes, segundo dados de 2023 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em dezembro de 2015, um incêndio atingiu o museu e acabou destruindo centenas de equipamentos, itens e exposições, além de causar a morte de um bombeiro. A coordenadora do Núcleo Educativo do Museu da Língua Portuguesa, Marina Toledo, estava presente no momento do incêndio. “Estava na minha sala, ouvi o alarme (de incêndio) e vi um bombeiro correndo. Mandaram evacuar o prédio e, em dez minutos, já estávamos todos na rua”, detalhou.

Após a tragédia, foi iniciada uma reforma total do museu, que reabriu apenas em julho de 2021, prometendo uma maior interatividade com os visitantes. “Essa parada forçada nos ajudou nesse sentido, porque a gente pôde parar, avaliar o que já tínhamos feito, o que o público curtia e do que sentia falta”, contou Marina. “Por exemplo, agora há uma parte muito maior sobre os povos indígenas e os povos africanos. Antes da reforma tinha uma linha do tempo basicamente apenas europeia”, completou.

Em maio deste ano, a exposição temporária “Línguas Africanas que Fazem o Brasil” foi aberta ao público do museu, permanecendo até janeiro de 2025. A mostra procura apresentar a influência das línguas negro-africanas no português do Brasil e revelar as origens de muitas palavras de nosso vocabulário – por exemplo fofoca, marimbondo, canjica, entre outras (cobertura completa da exposição no instagram @conexaocentro).

No entanto, um grande obstáculo que o museu tem enfrentado é de como atrair o público jovem, uma vez que boa parte dos visitantes é formada por adultos e idosos. Para Marco Teobaldo, visitante, jornalista e curador de museus, o problema não está na falta de interesse, e sim na dificuldade em acessar os conteúdos do museu. “Talvez eles (os jovens) não tenham acesso. Acho que o museu poderia ser democratizado por meio da internet”, afirmou Marco. “Às vezes as pessoas não têm condição de se locomover até São Paulo e pagar o ingresso, aí acabam se afastando dessa experiência”, concluiu.

Para Carol Cunha, visitante do museu, as exposições estão mais envolventes do que antes da reforma. “Estive aqui antes do incêndio, mas a grande diferença entre a primeira vez que eu vim e hoje é que o museu está mais interativo agora”, opinou Carol. Maria Luiza Cunha, sua filha, contou que visitava o centro cultural pela primeira vez. “A gente acabou de se mudar da Bahia para São Paulo, minha mãe quis me trazer aqui desde que chegamos”, narrou, Maria Luiza. “Eu adorei aquela exposição dos tubos que falam várias línguas (Línguas do Mundo), achei muito interessante”, comentou.

 

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