Um marco temporal e um lembrete histórico. Datadas a partir de 1870, as bancas de jornal guardam e preservam um arsenal histórico. Estando presentes em momentos únicos da história brasileira, onde os jornais se destacaram como protagonistas nos momentos de maior mudança política e cultural do nosso país. Aquilo que antes era discutido em praça pública passou a ser visto e vendido na praça.
Palco de revoluções, hoje virou um marco pessoal. Aqueles que passam pelas bancas, não apenas procuram histórias, mais do que isso, deixam suas próprias histórias. As bancas ainda carregam marcos sociais e históricos, elas preservam a memória de pessoas.
Tiago Santos, 37 anos, tem sua história marcada pelas bancas de jornal, desde muito novo acompanha o ramo que hoje virou história da família. Estar na banca é quase que revistar o passado, e para Tiago isso não diz respeito a histórias de desconhecidos ou de uma época em que os impressos eram o sucesso. Isso diz respeito a sua própria história.
“Eu comecei a trabalhar na banca como uma experiência, eu estava em um processo meio que depressivo e acabei trabalhando com minha irmã todos os finais de semana. Então eu fui aprendendo ofício até que acabei ficando fixo e depois de dez anos, consegui ter a minha própria banca. Foi uma satisfação ter o meu próprio negócio e hoje eu trabalho para mim mesmo. Isso foi satisfatório demais e é um sentimento de conquista muito importante devido a minha família, onde a maioria trabalha nesse ramo.

De questões emocionais para práticas funcionais. Para Vitória Santos as bancas fazem parte do seu crescimento pessoal. Segundo ela, “a banca é um ponto de informação”, e por que não dizer então que também é um ponto de formação? Vitória é uma jovem de 25 anos que tem aprendido sobre a vida em uma banca de jornal
“Eu estava parada, precisava de alguma coisa para me tirar de casa, e então por meio de conhecidos eu entrei aqui. Eu paro e penso: não é aqui que eu quero ficar por muito tempo, mas é aqui onde que eu vou aprender muita, tanto com gente mais nova quanto com gente mais velha. Dentro da banca de jornal eu aprendi que posso ter muitas pessoas boas e conhecer muita gente legal por mais que ela só passe aqui para comprar um cigarro e uma bala que seja.”, conclui.
No amontoado de histórias que se pode colecionar numa banca, a jovem compartilhou os momentos com uma fiel leitora, que já não se lembra muito dos seus passos, mas o caminho da banca ela não esquece.
“Uma senhorinha vem comprar jornal todos os dias aqui comigo, infelizmente ela sofre de Alzheimer e às vezes não lembra que comprou jornal, então todo dia a gente tem que falar para ela que ela veio buscar o jornalzinho dela. Uma folha, todo dia ela vem buscar uma folhinha. Essa foi a que marcou!”
A banca sempre foi um lugar de passagem. Nela é fácil perceber que o tempo passou, as pessoas passam e nossas vidas passam por ela, ainda que não permaneçam lá. Patrick Soares, 26 anos carioca está de passagem pela banca. Rumando algo maior, a oportunidade que lhe permite construir vida na grande São Paulo está em uma banca de jornal
“Estava no Rio de Janeiro. Sou carioca, Zona Oeste, Jacarepaguá, decidi largar tudo lá no rio, isso foi no dia 30 de abril de 2024. Dia primeiro foi o último dia de trabalho na lan house onde eu trabalhava e decidi pegar o salário e vir para cá, cheguei aqui dia 4 de maio de 2024. Já cheguei trabalhando, mas não gostei, já pedi demissão. tava morando numa pensão na Penha e vim botar currículo e apareceu a oportunidade de trabalhar aqui nessa banca e eu estou aqui até agora.
Sem sombra de dúvida as bancas carregam um legado. A família de Tiago Santos construiu sua história nas bancas. “Minha família praticamente trabalha com banca, irmão, sobrinhos, parentes cunhados, a maioria trabalha com banca.”

E sobre os legados culturais e históricos? Os donos das bancas regaram e plantaram o que hoje sabemos sobre comunicação e informação. Para além de tudo isso, aqueles que estão na tão famigerada Paulista tiveram a oportunidade de serem testemunhas oculares e contribuírem para construção da São Paulo que conhecemos hoje
“Em relação a ser um marco histórico, essa banca tem mais de 40 anos. O dono dessa banca quando passou para mim, falou que plantou os coqueiros que estão lá fora, então é um marco para a Paulista e para Estado de São Paulo, né? Hoje em dia as bancas estão saindo de moda e é uma sobrevivência ter a banca ainda na Paulista”, conclui Tiago.
Assista ao mini documentário sobre essas história https://youtu.be/rmQ6UR0pekQ?si=uWLWAXNrgr8YtNNB
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