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Funcionárias do varejo e questões de saúde mental

Trabalhar em lojas de shopping pode ser bem desafiador, afetando diretamente a saúde física e mental dos funcionários. A rotina intensa, a pressão por metas, o contato constante com clientes e horários instáveis impactam a qualidade de vida desses profissionais. Sem programas adequados de apoio à saúde mental, o ambiente de trabalho se torna ainda mais estressante.

No Brasil, apesar de uma melhoria no bem-estar geral, a saúde mental no trabalho continua um problema sério. No Brasil, pesquisas indicaram 31% dos trabalhadores estão em alto risco, podendo apresentar ideias suicidas, 46% possivelmente enfrentam algum sofrimento psicológico, e apenas 17% estão mentalmente saudáveis.​

A pandemia de COVID-19 intensificou esses problemas. Além dos protocolos de segurança, o medo do contágio e a pressão por resultados aumentaram a ansiedade. Uma pesquisa coordenada pela Fiocruz revelou que 47,3% dos trabalhadores de serviços essenciais apresentaram sintomas de ansiedade e depressão.

A pressão constante no setor varejista gera estresse físico e emocional. Os funcionários ficam longas horas em pé, o que causa dores musculares, problemas de coluna e fadiga. Além disso, a pressão para atingir metas pode levar à ansiedade, depressão e “burnout”. O estresse crônico também prejudica o cérebro, afetando a memória e a tomada de decisões.

Entrevistadas, Mariana Dantas de 25 anos e Kethlyn Sousa de 24, funcionárias do varejo a mais de 3 anos, relataram como, a carga horária da escala 6×1 e a folga domingo sim domingo não afetam suas rotinas.

“ O que (me)  afeta muito na escala 6 por 1 são os domingos, que para mim são especiais para passar com a minha família” comenta Kethlyn sobre esse dia que tradicionalmente os brasileiros têm de lazer e os funcionários dessa escala acabam sendo privados.

Algumas lojas e shoppings começaram a adotar programas de bem-estar, como treinamentos para gerenciar o estresse e melhorias nas condições físicas de trabalho, incluindo ergonomia. Além disso, a flexibilidade no horário de trabalho tem ajudado a equilibrar a vida pessoal e profissional, diminuindo a pressão.

Apesar de algumas iniciativas, ainda há uma falta de apoio psicológico adequado e reconhecimento. Para melhorar as condições de trabalho, as empresas precisam implementar programas de saúde mental mais acessíveis, melhorar a ergonomia e reconhecer o esforço diário dos colaboradores. Além disso, aumentar a flexibilidade no trabalho pode reduzir o estresse e melhorar o bem-estar. Isso na teoria, na prática Kethlyn diz que não há “ Nenhum tipo de apoio na loja, a não ser da própria equipe”

Quando as empresas investem na saúde dos colaboradores, os resultados são positivos, com funcionários mais motivados e produtivos. Melhorar as condições de trabalho é fundamental para garantir que a saúde física e mental dos trabalhadores seja uma prioridade no setor varejista. “ É muito ruim o fato de você não poder ficar doente, por conta de uma semana que você não vem, ou dois dias, já acaba com a sua meta do mês” diz Mariana sobre o prejuízo para o funcionário por se ausentar, ainda que por motivos médicos. “Todas empresas deveriam ter convênio médico.” Acrescenta.

Ambas indicam ainda que trabalhar em lojas “na rua”, ainda que puxado, ainda é uma opção melhor que trabalhar em shopping, apontando ”mais praticidade para ir ao banheiro, tempo e espaço para almoçar, e também horários menos invasivos”.

 

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