Por Gabriela Silva e Julia Figueiredo
O slam a seguir é sobre a relação do movimento hip-hop com o centro de São Paulo, em especial a rua 24 de Maio e a São Bento.
Dos anos 70 no Bronx, a semente nasceu,
Jovem negro e latino, o sistema não venceu.
Força política e estética, pra denunciar,
Racismo, polícia, o Estado que insiste em falhar.
Anos 80, o Brasil entra na dança,
Com o break que brota e inspira a esperança.
Vem pra 24 de Maio, pra São Bento vibrar,
O Marco Zero é na Dom José de Barros, pode anotar.

Nelson Triunfo, o “pai”, com papelão na mão,
Criava a pista lisa no chão de São Paulo, o nosso sertão.
Galeria do Rock, o templo da informação,
Onde a roupa, o cabelo, o disco virava lição.
Rose MC lembra a troca, o coletivo na veia,
Trazia o desenho, o livro, a matéria, acendendo a candeia.
Mas o tempo era tenso, a Ditadura Militar,
Com AI-5, censura, o medo no ar.
A cultura marginalizada, a repressão na porta,
A São Bento não foi a primeira, mas virou a mais forte.
Nelson Triunfo, Os Gêmeos, Thaíde, Rose MC,
Pioneiros, alicerce, pra gente chegar até aqui.
O Nelsão no Funk Cia., driblando o camburão,

Geração formada pelo toque da sua paixão.
Os Gêmeos com o grafite que a rua transformou em arte,
Colorido e popular, conquistando toda parte.
Thaíde no microfone, a voz do RAP nacional,
Começou na rua, transformando o cotidiano em um jornal.
E Rose MC, a força, a primeira a rimar,
Abrindo o caminho pra mulher poder falar.
O MC é cronista, mensageiro da história,
Traduz a dor, a crítica, a vitória.
Thaíde “batia na lata de lixo da São Bento”, sem recurso,
Mas a vivência virou rima, traçando o percurso.
O DJ, guardião do ritmo, arquiteto do som,
Democratizando a música, quebrando o muro, fazendo o elo bom.
O DJ Niko explica: é mais que só tocar,
É conscientizar, emocionar, fazer a massa se educar.
O Graffiti é a estética, a identidade visual,
Um grito mudo no muro, que atinge o social.
Alex Vallauri deu o start lá no Centro,
Mas o estilo Hip-Hop já vinha de dentro.
Do Vulkão vem o papo: a tag não é só marca,
É pra dizer “eu existo”, é pra ser visto, uma missão que se demarca.
A diferença do piche que o Estado marginaliza,
Denuncia o abandono na cidade que agoniza.
O nosso graffiti é global, feito com o dom do improviso.
O Break explodiu em 83 e 84, o Michael Jackson era a fonte,
Com Ricardinho e Nelson Triunfo, cruzando a fronte.
A polícia via o jovem como “marginal”, Mas eles dançavam na rua, fazendo o festival.

Duda Pimentel mostra a dança livre, urbana,
No cypher, na roda, a energia é soberana.
Chegamos na Olimpíada, e o respeito a gente obriga, Com DJ e MC juntos, a cultura que nos liga.
O RAP é ritmo e poesia, voz da resistência,
Letras faladas, rimas, que trazem consciência.
Slam é performance, é a palavra em chamas,
Um grito de jovens, que reivindicam suas dramas e os seus “eu te amo”.
E as Batalhas de Rima, o duelo que incendeia,
Improviso na hora, o palco pra quem não anseia.
Flow, coerência, conteúdo, os critérios a julgar,
Forjam MCs e dão chance pra quem quer trilhar.
E o debate rola solto, sobre o quinto elemento,
Nelson Triunfo diz: Conhecimento é Complemento.
Universal, onipresente, sem ele não há base,
É o cimento da causa, que sustenta cada frase.
As mulheres na cena, a batalha que não cessa,
Sharylaine, Thulla Melo, na luta contra a pressa.
No ambiente machista, a voz precisou de coragem,
O registro fonográfico, pra marcar a passagem.
Sharylaine conta o peso, o “não lugar” imposto,
O limite no portão, o retorno com o rosto.
Mas persistiram, lutaram, e se fizeram protagonista,
Rose MC e a Sociedade Alternativa, na primeira lista.
O Hip Hop salvou vidas, transformou destino,
É das ruas, é diverso, ele é o que eu ensino.

Vulkão diz: hoje tá na mídia, no stream, no celular,
Mas a essência, o porquê, a gente tem que honrar.
É ferramenta de luta, contra o racismo que ainda está.
Mas a história segue, com gente abrindo porta,
Pra nova geração, a chama que conforta.
Então, meu sonho é esse, Rose MC quem diz,
Que todo mundo conheça e respeite a raiz.
O Centro é o ímã, a São Bento é o point que não falha,
Nossa luta é contínua, nossa voz nunca se calha.
Você quer contar a história? Então conta direito: Hip Hop é vida, é voz, é o nosso espelho!




