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Falta de segurança e sujeira seguem sem solução no centro de São Paulo

Paulistanos contam suas histórias relacionadas ao descaso da região central da cidade.

Por Fábio Camargo, Tiago Leal, Guilherme Brejão, Vitor Massaru e Luiz Parreira

O desmazelo com o centro da cidade de São Paulo é um tema recorrente. Uma das regiões mais importantes da cidade, que poderia ser um polo turístico não só para a capital paulista, mas para o país, por concentrar diferentes patrimônios históricos e diversas atrações artísticas e culturais, ainda não tem a questão da segurança a da zeladoria de suas ruas solucionada. A violência e a sujeira no centro acabam afastando muitas pessoas que desejam visitar o local, e estão dentre as principais reclamações de quem vive, estuda ou trabalha no centro.

Dados da Dados da Secretaria da Segurança Pública, que consideram a série histórica contabilizada desde 2001, mostram que o centro registra, em média, um roubo a cada 30 minutos e que o número de roubos na região bateu recorde nos oito primeiros meses de 2023. Segundo levantamento de 2024 do instituto Datafolha, que pertence ao jornal Folha de S.Paulo, moradores da região central são os que mais correm risco de terem seus aparelhos roubados. Quarenta e cinco por cento dos que vivem no centro e foram entrevistados no estudo disseram já ter passado por essa situação.

 

No que se refere à sujeira das ruas, uma reportagem realizada pelo portal G1 em 2022, a partir de entrevistas realizadas com moradores e comerciantes do centro, mostrou que o lixo espalhado nas vias públicas incomoda bastante quem tem seu dia a dia na região.

Lixo nas ruas do centro

O carroceiro Jorge dos Santos, 27 anos, conta como é sua relação com o centro e a segurança. “A minha segurança sou eu mesmo que faço, tem pessoas que são mais vulneráveis e são alvos dos bandidos”, diz. Jorge lembra do caso de um colega que foi assaltado. “Uma vez nós estávamos dando um rolê e a bicicleta do nosso amigo foi roubada. Quando a gente estava correndo atrás do ladrão para interceptá-lo, a polícia parou a gente e nos enquadrou. No fim perdemos de vista o assaltante e a bicicleta”, disse.

Quanto à revitalização do local, nos últimos 37 anos foram criados diversos planos de governo para resolver a questão, mas nenhuma obteve sucesso definitivo. Em 2024 o plano Centro Limpo foi criado com o intuito de intensificar ações de limpeza, varrição e coleta de resíduos no centro da cidade, mas a população não notou uma melhora significativa. Brian de Souza, 24 anos, é gestor público e um desses cidadãos. “A zeladoria da cidade foi piorando com o passar dos anos, a lixeira está quebrada/vandalizada e as ruas estão sujas”, critica.

Rafaela Amidal, 18 anos e puxadora na 24 de maio, também não vê melhorias na situação da limpeza do centro. “O centro sempre foi sujo e continua “sujíssimo”. Principalmente nessa rua em que eu trabalho. Todo mundo vê que não há limpeza no local. O cheiro é desagradável e há muito lixo nas ruas”, lamenta.

O atual prefeito reeleito Ricardo Nunes, MDB, durante a fase de campanha eleitoral, ressaltou em seu programa de governo investimentos de sua gestão na área de zeladoria urbana para manter o espaço público limpo e organizado. Ele afirmou que chegou a 99,5% das iluminações em LED, melhorando a iluminação e a sensação de segurança; além do aumento em 2 mil guardas civis em seu mandado na Prefeitura, bem como o programa Operação Delegada que colocou cerca de 2,4 mil policiais militares a mais nas ruas de São Paulo para combater a violência.

Cabe aos paulistanos, agora, acompanhar se essas ações continuarão a serem implementadas  ao longo do mandato.

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