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Lanchonete do Estadão: aqui a imprensa fez história

Por Ana Julia Braga, Helena Tranjan e Luiza Ribas

  Famoso lanche de pernil da Lanchonete do Estadão.

A Lanchonete do Estadão, localizada na vibrante região central de São Paulo, é um verdadeiro marco gastronômico da cidade. Com seu funcionamento ininterrupto 24 horas por dia e seu famoso sanduíche de pernil, o estabelecimento se consolidou como um ponto de encontro tanto para paulistanos quanto para turistas em busca de uma refeição rápida, generosa e carregada de história. Situada na emblemática Avenida São Luís, no bairro da República, a lanchonete não apenas realiza a sua função culinária, sendo um símbolo cultural e social da capital paulista desde sua fundação, na década de 1960.

O nome “Lanchonete do Estadão” presta homenagem ao jornal O Estado de S. Paulo, cuja sede histórica localizava-se nas proximidades. Embora a redação tenha se mudado, o espírito da conexão entre o jornalismo e a lanchonete persiste, mantendo vivo o elo entre a boemia intelectual e o local. Inicialmente um ponto de encontro de jornalistas e personalidades influentes da época, o espaço rapidamente se tornou popular entre diversos públicos, que se reuniam para discutir política, cultura e, claro, degustar o famoso lanche de pernil. A lanchonete preserva até hoje seu ambiente simples e acolhedor, uma característica que contribui para sua atmosfera nostálgica e autêntica.


Helena entrevistando Antonio Alves de Moraes, gerente da lanchonete há 43 anos.

Além de sua importância gastronômica, a Lanchonete do Estadão é carregada de histórias. Antonio Alves de Moraes, gerente há 43 anos, relembra com orgulho a época em que o local era frequentado por jornalistas de diversos veículos de comunicação. “Quando eu cheguei, o Estadão já tinha saído, já era o Diário Popular. Mas na época que eu entrei, vinham jornalistas do Estadão, da Folha, de tudo quanto é jornal. Todo o pessoal de vários jornais, todos vinham para cá. Ficavam todos parados aqui esperando pautas”, conta Antonio. Ele destaca como o espaço desempenhava um papel central não apenas na alimentação, mas também nas discussões e encontros informais que moldaram parte da história da comunicação paulistana.

A Lanchonete do Estadão sobreviveu a diversas transformações na cidade ao longo dos anos, permanecendo um ponto de referência, seja para os trabalhadores que buscam uma refeição no fim de um longo turno ou para os boêmios que saem tarde da noite em busca de algo reconfortante.

José, funcionário da casa há 13 anos.

José,funcionário da casa há 13 anos, reforça a importância da lanchonete, comentando que, curiosamente, as madrugadas costumam ser mais movimentadas que os horários convencionais de almoço ou café da manhã. “O horário da madrugada se supera ao do almoço e do café da manhã juntos”, diz ele, evidenciando a singularidade do público que a lanchonete atrai. Mesmo com seu ar tradicional, José acredita que o movimento intenso não vai acabar tão cedo. “Todo dia aqui chega gente diferente falando que nunca veio antes. Então achamos que esse movimento vai sempre continuar.”

Davi Dos Santos, de 21 anos, compartilhou sua experiência como frequentador da Lanchonete do Estadão: “Eu já frequentei a lanchonete, trabalhava ali perto e ia bastante. A lanchonete é bem antiga, consolidada, então acho que já tem o seu espaço no mercado. Isso já causa uma segurança. Chegando lá, a gente está acostumado com lugares ‘Instagramáveis’, mas não espere isso, é uma comida muito boa e um atendimento muito rápido. Eu fui a primeira vez pela fama, e sim, o tradicionalismo é algo que continua até hoje. Sem dúvida, o que mantém a lanchonete viva é justamente o tradicionalismo.”


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