Por Camila Galones e Tais Souza
A cena cultural da cidade de São Paulo é muito rica, mas carece de áreas de lazer ao ar livre. Entre as poucas opções, temos as feiras culturais que acontecem pelas ruas da cidade. Existem mais de 950 possibilidades para visita na capital paulistana.
Os principais pontos turísticos na zona central oferecem esse tipo de lazer, na Avenida Paulista e na Praça da Liberdade, onde localizadas as feiras mais frequentadas.
Na Avenida Paulista, a feira que antes era localizada no “vão” do MASP, agora cresceu e fica na frente do parque Trianon com 500 metros de extensão. Ela acontece todos os domingos a partir das 9 horas da manhã, até às 18h30. Lá a diversidade cultural é a característica mais marcante.

Conseguimos observar isso no homem sentado em um banquinho em frente a sua barraca, debaixo do céu azul iluminado com o sol das dez da manhã. O sacerdote Isaias de Exu, como se identifica, tem 73 anos, é artesão e orientador espiritual. Ele trabalha na feira há 26 anos, trocando palavras espirituais com todos que demonstram interesse ao passar por ali. “Eu chego aqui às cinco e meia da manhã e só vou embora cinco e meia da tarde. Pra mim é muito importante estar aqui para trocar conhecimento com as pessoas diferentes, ajudá-las a focar mais nas coisas espirituais e menos nas materiais”, ele compartilha.
A jornalista Joelma Muniz, de 38 anos em visita a São Paulo, enxerga a importância de valorizar os artesãos e o comércio local, “Movimentar essa economia de microempreendedores faz muita diferença e estimular o negócio de bairro é importante para não dependermos somente da indústria”, ela diz. Joelma que frequenta outras feiras como essa no estado de Manaus onde mora, contou que o diferencial da feira na avenida Paulista são “os preços acessíveis, a organização e a educação dos vendedores no atendimento”, acrescentou.

Se estiver fazendo um passeio de domingo e quiser conhecer o centro da maior metrópole do país, você pode pegar o metrô na própria avenida, fazer a transferência para a linha azul e descer na estação Japão-Liberdade, que fica na própria praça da Liberdade.

Ao sair você se depara com uma infinidade de barracas listradas de vermelho e branco, que dentro vendem os artefatos mais lindos e delicados, indo de colares de prata até vasos de girassóis.
Em uma dessas barracas conversamos com a artesã Mercia Pinheiro, que tem 52 anos e expõe na feira da liberdade desde 1997. Ela nos contou que a diferença entre um comerciante e um artesão é que o artesão vive da própria arte, e está totalmente fora do sistema: “durante a semana eu vivo como qualquer trabalhador, levo meu filhos para escola e faço a minha arte. Não fico fumando maconha como as pessoas supõem”.
Mercia não expõe sua arte em outras feiras porque ela não tem tempo, junto com a produção de peças que acontece durante a semana. Por isso ela escolheu somente a Liberdade, porém hoje em dia não tem sido o lugar perfeito. “Tem acontecido uma política de colocar carros no meio da feira durante o período que a gente tá expondo, há uma tremenda falta de respeito pelo artesão, pela nossa história. Antes o bairro da Liberdade não era nada, não tinha esse movimento todo, a feira trouxe isso e eles estão querendo expulsar a gente. Esse prefeito não nos valoriza e são famílias que dependem disso, eu dei a minha vida para isso, os meu melhores anos. Saindo daqui eu vou para onde? Não tem para onde ir”, relata.

Mercia está se referindo ao programa Ruas Abertas, apresentado pela prefeitura em 2023 na Liberdade, no qual somente aos domingos e feriados as ruas ao redor da Praça são exclusivamente para a circulação de pedestres entre às 9h e às 20h. Porém, esse programa não se estende aos sábados, dia em que a feira também está presente na Praça.
Na Praça da Liberdade a feira acontece aos sábados e domingos a partir das 10 até as 18h.
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