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Aos 88 anos, morre o Papa Francisco: Fiéis se despedem e prestam homenagens ao pontífice na Catedral da Sé

 

No dia 21 de abril de 2025, às 7 horas e 35 minutos no horário local, morria o Papa Francisco. O anúncio foi feito pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano – cargo responsável por exercer temporariamente as funções do pontífice entre sua morte e a eleição de um sucessor. Em São Paulo, milhões de fieis se despediram de Francisco. Missas que homenagearam o Papa foram realizadas na Catedral da Sé, um dos principais pontos turísticos da cidade. 

A missa do dia 26 de abril foi presidida pelo Dom Cícero Alves de França, Bispo Auxiliar de São Paulo. Nesse dia, o senhor Adilson de 82 anos, foi prestar sua homenagem ao Papa Francisco, sentado entre as primeiras fileiras da catedral, ele rezava silenciosamente com um terço em sua mão. Adilson nutria profunda admiração pelo pontífice argentino, conta que acordou cedo e ligou a tv, o anúncio do falecimento de Francisco já era notícia em todo o mundo,  “Foi um queda, eu quase nem conseguia mais escovar os dentes. Foi muito chocante”, disse o católico. 

Adilson estava se preparando para viajar para Amsterdam e conhecer o Papa, “Eu ganhei uma passagem para  beijar a mão dele, ele ia passar por lá. Mas acabou, Jesus chegou primeiro, Jesus chegou na minha frente e não me deixou beijar a mão dele. Puxa vida, faltava tão pouco”. O fiel se emociona ao contar que, infelizmente, não conhecerá o Papa. Seus olhos se enchem de lágrimas e ele diz que Francisco agora está ao lado de quem ele tanto admirava, mas que desejava conhecê-lo e apenas beijar sua mão.

 

Fiel orando na Catedral da Sé

Jorge Mario Bergoglio, o nome verdadeiro de Francisco, também comoveu a senhora Marilda Barreto, moradora de São Miguel Paulista. Ela conta que se deslocou do extremo leste da cidade até a região da Sé para se despedir do pontífice, um trajeto que varia entre uma hora e uma hora e meia. No dia anterior, havia assistido o que seria a última aparição do Papa, a celebração Pascal. Francisco fez uma pequena volta com o papamóvel, desejou “Feliz Páscoa” e abençoou os fieis presentes. 

“Eu fiquei muito animada, me deitei e pedi mais dias para ele. Quando eu acordei, vi a notícia que o papinha tinha viajado. Não gostei, decidi me levantar e vir para a missa”, contou dona Marilda. A missa em que a moradora de São Miguel esteve presente foi presidida pelo cardeal Dom Odilo Scherer, no dia da morte de Francisco, 21 de abril. Nela, o Cardeal contou que o Papa frequentava frequentemente a Basílica de Santa Maria Maior – local que ele escolheu para ser enterrado -, Francisco era um grande devoto de Nossa Senhora e expressava sua devoção sempre que possível.

Dom Odilo finaliza expressando sua gratidão ao Papa, “(Terminamos) pedindo a Deus que o receba, que o acolha e o recompense por todo bem que ele realizou. Ao mesmo tempo, dar graças a Deus. Graças a Deus por todo bem que ele fez e marcou a igreja, marcou também a humanidade com sua atuação de muitas maneiras”. Odilo está, atualmente, em Roma, para a votação do conclave que decidirá o nome do próximo líder católico.  

 

Dom Cícero na Catedral da Sé

Dona Marilda Barreto conclui dizendo que Francisco enxergava as mulheres, que ele via o potencial da força feminina nela e em todas as devotas do mundo. O Papa argentino nomeou a primeira mulher prefeita no Vaticano, a Simona Brambila, e declarava que as mulheres não deveriam ser vistas como seres humanos de segunda categoria. “É uma felicidade ele ter sido papa e é uma felicidade saber que ele foi para o céu, que Deus vai tomar conta dele”, diz Marilda. 

Dona Gildete da Silva estava presente na mesma missa que a dona Marilda. Ela conta que Francisco simbolizava o acolhimento, que ele não olhava para a diferença ou para o que separava a humanidade, mas que Bergoglio enxergava a todos como irmãos. “Ele ensinou muito. Como lidar com as pessoas mais carentes e ter o verdadeiro amor pelo próximo.”, concluiu Gildete. No dia do falecimento de Francisco, a católica expressou sua solidariedade ao pontífice, “A gente se sente como se uma coisa muito especial fosse embora. Temos que entrar em oração para que venha o próximo pastor para continuar com as ovelhas dele”, concluiu.

 

CONCLAVE 

Catedral da Sé

O conclave, votação que decidirá quem será o “próximo pastor” da Igreja Católica, acontece no dia 7 de maio e é conhecido por ser uma assembleia de cardeais extremamente privada. No conclave de 2025, 133 cardeais devem votar. Para a aprovação de um nome são necessários dois terços dos votos, ou seja, 89 votos. 

No início da cerimônia é realizado o cortejo da Capela Paulina até a Sistina. Em seguida, as portas são fechadas e trancadas. Inicia-se o isolamento do conclave,  assegurado pelo cardeal camerlengo, o Kevin Farrell, e pelo prefeito da Casa Pontifícia no exterior.

Para a conclusão da votação, três cardeais perguntam ao eleito se ele aceita sua eleição como Sumo Pontífice. Após uma resposta afirmativa, eles o questionam sobre o seu futuro nome, como ele deseja se chamar como papa. 

Uma fumaça é liberada para avisar se o mundo possui um novo líder catolico. A fumaça é produzida em uma das duas chaminés instaladas na Capela Sistina. Se ela for branca, habemus papam (temos um papa). Se ela for preta, a decisão ainda não foi tomada.

Após o comunicado através das chaminés, o novo pontífice vai à sacada da basílica de São Pedro e se apresenta aos fieis. 

 

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