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A história do rock fervilha em galeria

No centro antigo da capital paulista, um edifício de sete andares guarda um pedaço importante da história da música no Brasil. A Galeria do Rock, localizada na República, é mais do que um ponto comercial: é um espaço que respira cultura e que se transformou em referência para quem vive ou já viveu intensamente o rock, o punk, o metal, o rap e o hip hop.

Loja de discos no terceiro andar da Galeria do Rock

Desde a inauguração, nos anos 1960, a Galeria se consolidou como reduto da música alternativa e da moda underground. Ali, entre vitrines de vinis, CDs, camisetas de bandas, estúdios de tatuagem e lojas de acessórios, milhares de fãs encontram não apenas produtos, mas também histórias. Para frequentadores assíduos, o local carrega identidade própria e sobrevive como uma espécie de memória viva da contracultura paulistana.

Ao longo do tempo, o prédio passou por mudanças. Uma das mais marcantes foi a abertura do rooftop, o terraço que se tornou palco de shows, festivais e encontros culturais. Com vista privilegiada do centro da cidade, o espaço já recebeu desde bandas independentes até batalhas de rima e performances de DJs, reforçando a importância da Galeria como ponto de resistência artística.

Loja de rock nostálgico na Galeria do Rock

Entre os visitantes mais recentes está a chilena Camila, 30 anos, que desembarcou em São Paulo carregando dois sonhos. O primeiro se realizou no dia 30 de agosto, no Allianz Parque, durante a turnê I Wanna Be, que reuniu a banda brasileira Fresno e os norte-americanos do Fall Out Boy. Fã desde a adolescência, ela descreveu o show como “um dos momentos mais emocionantes da vida”.

O segundo objetivo da viagem era finalmente conhecer a Galeria do Rock, local sobre o qual já havia lido e ouvido falar inúmeras vezes. Ao caminhar pelos corredores, a sensação foi de pertencimento. “O rock mudou a minha vida de muitas maneiras. Estar aqui é como mergulhar em um universo de nostalgia e segurança”, contou.

Entre uma loja e outra, Camila observava jovens de cabelo colorido, skatistas que passavam com pranchas debaixo do braço e veteranos que voltavam em busca de raridades. “Sempre ouvi falar desse lugar incrível e agora entendo por que ele é tão importante. Pretendo voltar mais vezes”, disse.

No mesmo dia, quem também circulava pelos corredores era Vladimir Melo, 68 anos e sua esposa Neusa Melo. Ambos são moradores de Águas de Lindoia, no interior de São Paulo. Amantes do rock clássico, eles guardam na memória o impacto das primeiras vezes em que ouviu Led Zeppelin, Guns N’ Roses e Black Sabbath.

Após oito anos sem visitar a Galeria, Vladimir resolveu voltar em busca de CDs originais. “A gente não encontra esse tipo de coisa com facilidade fora de São Paulo. Aqui ainda existe esse cuidado, essa paixão pelo físico, pelo encarte, pela capa”, afirmou.

Loja London Calling – Galeria do Rock

Para ele, revisitar a Galeria foi como reviver parte da juventude. “Mesmo com o tempo passando e com tantas mudanças no mercado, esse lugar preserva a essência do rock. É como se eu voltasse aos anos 70, quando descobri minhas primeiras bandas. Aqui não é só comércio, é memória, é identidade. Cada vitrine carrega um pedaço da história da música”, disse, emocionado.

Entre os rostos que fazem a Galeria funcionar no dia a dia está Mateus Gandra, 26 anos, vendedor há três anos na loja oficial do Iron Maiden, uma das mais procuradas pelos fãs de heavy metal. Para ele, trabalhar ali é viver em contato direto com a devoção dos fãs.

“Já vi de tudo: gente que vem de outros estados só para comprar uma camiseta, colecionadores que gastam horas discutindo capas de discos, fãs que tatuaram o Eddie no braço e mostram com orgulho. Teve uma vez que um cara chorou só de entrar na loja, porque disse que era como pisar em um pedacinho da Inglaterra em São Paulo”, contou.

Segundo Mateus, as “maluquices” fazem parte do cotidiano da Galeria. “Aqui é um ponto de encontro de tribos. Já atendi pai e filho vestidos de Iron Maiden da cabeça aos pés. Também já vi turista japonês enlouquecer porque encontrou um vinil raro perdido em uma prateleira. É esse tipo de coisa que faz a Galeria ser única.”

E talvez seja exatamente isso que mantém a Galeria do Rock tão especial: ela não pertence a uma geração só, mas a todas.

Para acessar o tour pela Galeria do Rock acesse:

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