A culinária sempre foi uma grande forma de expressão cultural. No bairro da Liberdade, em São Paulo, está o famoso ponto da cultura japonesa e de outras culturas asiática, que se manifesta em ruas, feiras, restaurantes e lojas especializadas.
Nos últimos anos, a forma como tal culinária é consumida aumentou significativamente, tendo como um de seus principais agentes: os influencers digitais, que desempenham cada vez mais um papel relevante na maneira em que o público descobre, consome e até valoriza os sabores da Liberdade.
O Papel dos Influencers Digitais na Gastronomia
Influencers digitais, principalmente aqueles que tem foco em gastronomia, viagens e culturas, usam de redes sociais como Instagram, YouTube, TikTok para compartilhar suas experiências culinárias.
Querendo ou não, é um pouco variado, tem gente que entra em bastante detalhes, falando sobre a culinária realmente em específico, e tem gente que retrata mais, querendo ou não, um pouco da beleza do negócio, né, afirmou Christopher, de 26 anos e gerente da unidade da Eat Ásia.
Os vídeos curtos são os mais utilizados, mostrando pratos inusitados e mostrando estabelecimentos que são pouco conhecidos e criam tendência ao viralizar certos tipos de alimentos.
Principalmente no bairro da Liberdade, esse fenômeno se intensificou, por exemplo, um simples vídeo de uma comida diferenciada pode gerar grandes filas em frente aos restaurantes.
Pratos “diferentes” como o bubble tea, o lámen artesanal, doces com diferentes temáticas, viraram tendências entre as pessoas, graças à divulgação que é feita pelos criadores de conteúdo digital.
Nossos doces são muito de visual, então as vezes a pessoa tem uma expectativa e acaba falando de uma maneira que as vezes não é o que esperava, mas tem muita gente que se surpreende com o sabor, pq ele não é muito doce, não é enjoativo, afirmou Alyssa, de 27 anos e gerente de operações da WeCoffee.
Por conta dessa grande digitalização, diferente do que ocorria no passado, diversos consumidores acabam por descobrir tais pratos através das redes sociais, e não por suas tradições.
Por um lado, há um fortalecimento da presença cultural asiática, buscando atrair um público mais amplo para a culinária típica do bairro. Em contraponto, alguns críticos mostram que o excesso de exposição pode levar à uma “espetacularização” da cultura, transformando pratos que são tradicionais, em atrações visuais, distanciando de suas origens.
Com a visibilidade que o bairro ganha com tal destaque dos influencers, alguns pequenos comércios acabam ganhando um grande engajamento quase que instantâneo. Alguns estabelecimentos, por exemplo, relataram um aumento de até 300% no fluxo de clientes após a divulgação.

Entretanto, há também alguns desafios, como o aumento da demanda em locais que não tem estrutura para atender uma grande quantidade de pessoas, podendo receber críticas negativas nas redes sociais por estar “na moda”.
Quem são esses influenciadores?
Alguns influenciadores acabam se especializando na gastronomia asiática, enquanto outros são moradores do local, além de turistas que fazem “rotas gastronômicas” pelo bairro.
Entre os mais populares, estão os criadores de conteúdo que unem humor, curiosidade e criatividade, desmistificando a culinária oriental.
Diversos influencers acabam gravando vídeos, como “Provando comidas na Liberdade”, como por exemplo Mohamed Hindi, ex-participante do MasterChef, obteve mais de 1.7 milhões de visualizações em seu vídeo sobre o bairro.
Gabriel Bruno, mais conhecido como Gaba, influencer digital e conta com mais de 5 vídeos, apresentando diferentes tipos de comida na Liberdade, cada um contando com mais de 200 mil visualizações.
O algoritmo presente nas redes sociais favorece conteúdos visualmente impactantes, fazendo com que comidas coloridas, exóticas ou algum local “instagramável” sejam divulgados, podendo influenciar na forma em que os restaurantes montam seus pratos.
Gosto de provar pratos com ingredientes exóticos, não esquisitos, mas diferentes. Fazia vídeos de chocolate, cacau brasileiro e de café também, mas acho muito específico, então não dá muita visualização. No TikTok o que dá mais visualização em questão de comida é da Liberdade e comecei a fazer vídeos sobre esse ano, e deu certo, afirmou Thiago Andrade, criador de conteúdo, de 30 anos.
Parte dos estabelecimentos passaram a adaptar receitas, com objetivo de se tornarem mais fotogênicas, podendo adicionar ingredientes ou enfeites que agradem o público, mesmo não fazendo parte da receita original.
A influência digital que há na culinária da Liberdade é uma espécie de fenômeno cultura e econômico, com criadores de conteúdo ajudando na divulgação, preservação e até mesmo na reinvenção da gastronomia asiática no Brasil.
O principal ponto de equilíbrio está no uso do poder que tem as redes sociais para valorizar tradições e apoiar pequenos comerciantes, sem que a riqueza seja reduzida, apenas criando uma tendência passageira.
Autores:
Fernando Moyses, João Miloco e Vitor Soares
Links:
https://vm.tiktok.com/ZMAaDCQ1g/





