Por: Fabio João, Guilherme Brejão, Luiz Parreira, Tiago Leal e Vitor Massaru.
O estádio Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu, foi inaugurado em 27 de abril de 1940. No período em questão, a obra foi planejada por Getúlio Vargas e o Governo do Estado de São Paulo, para colocar em prática o plano de desenvolvimento e apoio nacional ao esporte. O evento de inauguração do Pacaembu contou com 50 mil pessoas, e celebrava a abertura do estádio que na época era tido como o maior e mais moderno da américa latina.A partir de sua inauguração, o Pacaembu passou a receber diversos eventos importantes que ocorriam no país, tanto do segmento esportivos como de entretenimento.
Na década de 50 o estádio recebeu seis jogos da copa do mundo no Brasil, após uma pausa de 12 anos sem o evento em razão da segunda guerra mundial. Já entre as décadas de 60 e 70, o estádio sediou as cerimônias de abertura e encerramento do Pan Americano de 1963, bem como as competições esportivas de boxe, atletismo, natação etc. Foi, também nesse período, que a concha acústica, que era um espaço para receber eventos musicais, perdeu o posto para o “tobogã” que ampliou as arquibancadas com o intuito de aumentar a capacidade do estádio para as partidas de futebol. Na década de 80, o estádio recebeu grandes nomes de sucesso da música internacional: Tina Turner, que foi a primeira a se apresentar, em 1988; Luciano Pavarotti, em 1991; Paul McCartney, em 1993; entre tantos outros.
Nos anos 2000 a 2014 o estádio era alugado para utilização de todos os times da elite paulista, mas majoritariamente pelo Corinthians que mandava todos seus jogos em casa no local. Em 2020 quando João Doria Jr assume a prefeitura de São Paulo ele cumpre sua promessa de campanha de privatizar o Estádio, sob a justificativa de que o Pacaembu era um prejuízo para o Governo do Estado de São Paulo. A privatização foi cedida ao Grupo de investimento Allegra Pacaembu durante os próximos 35 anos, o investimento custou cerca de 80 milhões além da expectativa de mais 300 milhões durante todo o período.

A nova reforma, da iniciativa privada Allegra Pacaembu, tem como objetivo mudar a logística do estádio. A arquibancada “Tobogã” dará espaço a um edifício multifuncional de nove andares, com hotel, centro de reabilitação esportiva, restaurantes etc. Isso ocasionará uma diminuição na capacidade de público para partidas de futebol. Ela será reduzida para 25 mil torcedores, previamente a capacidade do estádio era de aproximadamente 38 mil pessoas.. O estádio também terá capacidade de alocar 45 mil pessoas para eventos musicais, com a utilização do espaço do campo de futebol como pista. Para além disso, serão realizadas outras reformas na estrutura como restauração da fachada, construção de 25 novos camarotes e a restauração do ginásio poliesportivo.
Entretanto, o legado de um estádio vai muito além do que os livros de história podem nos dizer. É preciso entender o lado humano, o impacto dessas memórias na construção da identidade de quem viveu momentos mágicos no local. Conversamos com Carlos Henrique, Professor de Sociologia da rede estadual de São Paulo, que compartilhou uma de suas memórias marcantes no estádio: “Quando o Santos foi campeão da Libertadores em 2011. O estádio estava tomado pela torcida santista, aquele mar branco. Foi muito emocionante. Aquele time mágico com Neymar, Ganso, Arouca e cia. Foi uma euforia imensa. Fazia anos que o Santos não ganhava um título de tamanha importância, e 2011, especialmente, foi um ano vitorioso do Santos. Esse campeonato foi sem dúvida a memória mais marcante para mim.”
Também falamos com Ademir Takara, bibliotecário do museu do futebol e ele nos explicou a pluralidade da utilização do Pacaembu e como isso marcou diferentes momentos para diferentes públicos: “A primeira parada do orgulho gay da história, teve sua concentração justamente na Praça Charles Miller (praça em frente ao Pacaembu). O primeiro evento relacionado aos protestos de “diretas já”, no período da ditadura militar, também aconteceu em frente ao Pacaembu. Tenho uma lembrança familiar muito forte relacionada ao estádio, meu irmão veio, em 1988, para acompanhar as comemorações dos 80 anos da imigração japonesa.

É muito interessante notar que existe uma gama da população que têm lembranças relacionadas ao Pacaembu, mas que não estão, necessariamente, ligadas ao futebol. Também existe uma outra grande quantidade de pessoas influenciada pela “era dos shows” no pacaembu nos anos 80/90 que também tem memórias marcantes sem estar ligada ao esporte. Então, isso deixa claro que quando falamos de Pacaembu e das memórias do estádio não é um trabalho tão simples de compilar toda a história do estádio.
Apesar da apreensão da população e de todos que têm o Pacaembu como um pedaço de sua história pessoal com a reforma, o legado do estádio continuará vivo. Seja no novo estádio reformado, nos livros de história, no museu do futebol, ou na memória de quem viveu momentos marcantes. Um estádio como esse, palco de tantos momentos emblemáticos, não perderá sua majestade e sua importância cultural.





